SOBRE NÓS :

VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.

MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.

Redirecionamento

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

TEMA DA DOUTRINÁRIA DO DIA 08/02 (QUARTA-FEIRA) AS 16:00 - "EM NOSSAS TAREFAS" DO LIVRO FONTE VIVA - PALESTRANTE: ADILSON FREITAS

 “... não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes.” — Paulo. (ROMANOS, capítulo 12, versículo 16.) “Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”
 — recomenda o apóstolo, sensatamente. Muitos aprendizes do Evangelho almejam as grandes realizações de um dia para outro... A coroa da santidade. O poder da cura... A glória do conhecimento superior... As edificações de grande alcance... Entretanto, aspirar só por si não basta à realização. Tudo, nos círculos da Natureza, obedece ao espírito de sequência. A árvore vitoriosa na colheita passou pela condição do arbusto frágil. A catarata que move poderosas turbinas é um conjunto de fios d’água no nascedouro. Imponente é o projeto para a construção de uma casa nobre, no entanto, é indispensável o serviço da picareta e da pá, do tijolo e da pedra, para que a arte e o reconforto se exprimam. Abracemos os deveres humildes com devoção ao nosso ideal de progresso e triunfo. Por mais árdua e mais simples a nossa obrigação, atendamo-la com amor. A palavra de Paulo é sábia e justa, porque, escalando com firmeza as faixas inferiores do monte, com facilidade lhe conquistamos o cimo e, aceitando de boa-vontade as tarefas pequeninas, as grandes tarefas virão espontaneamente ao nosso encontro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

DOUTRINÁRIA DE HOJE (05/01 - QUITA-FEIRA - 20:00): "O MARTÍRIO DO MEDO" DO LIVRO LIBERTAÇÃO PELO AMOR PELO ESPÍRITO DA SRA. JOANNA DE ANGELIS - PALESTRANTE: MANOEL MESSIAS

...Tem-se medo de perder o emprego, como se não houvesse outras experiências estimuladoras, novas possibilidades de recomeço e de realização.

Receia-se a perda de amigos e de afetos, atormentando-se em presídios emocionais absurdos, em realidade, negando-se a dar-se, a entregar-se confiante na resposta do próprio amor.

...Teme-se a instalação de doenças no organismo, olvidando-se que a saúde é o estado natural da vida humana, e que esses acidentes de percurso, no corpo físico, são perfeitamente reparáveis. Mesmo quando se apresentam irreversíveis e fatais, pode-se viver plenamente cada momento, já que tudo na terra é de duração efêmera.

Detesta-se a morte pessoal e a dos seres queridos, como se a matéria não fosse corruptível e transitória.

...Em face desse comportamento, tem-se medo da vida, de novos cometimentos, de realizações dantes não tentadas.

* * *

O medo está mais na mente do que na realidade. Quanto mais é cultivado, mais terrível afigura-se, ameaçando a delicada estrutura emocional do indivíduo, que passa a sofrer distúrbios de funcionamento.

Quando o medo assenhorear-se-te na mente e no sentimento, reflexiona que estás no mundo físico para triunfar, e somente conseguirás esse objetivo se arrostares as conseqüências das lutas. Aquele que teme os combates, já perdeu uma grande parcela de vitória na batalha que um dia será travada, por mais que se queira evitar.

Diante dos desafios que a vida te propõe e dos receios que intimidam-te de dares o passo decisivo, ora e age, certo de que nunca estarás a sós na execução de qualquer programa de dignificação humana.

Por fim, se a situação apresentar-se perversa e sem saída libertadora, considera com alegria, qual o mal que te pode acontecer, se somente ele atingirá o corpo frágil, ensejando que o Espírito imortal avance totalmente livre na direção da Grande Luz?

...E não temas nunca!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (06/09 - TERÇA-FEIRA - 20:00): "OFERENDA" DO LIVRO OFERENDA PELO ESPÍRITO DA SRA. JOANNA DE ÂNGELIS – PALESTRANTE: JERÔNIMO SILVA

"Quando falharam as técnicas mais preciosas, na solução dos afligentes problemas humanos, torna-se indispensável a oferenda de amor que se haure no Evangelho, como fórmula salutar para os tremendos sofrimentos que crescem, ameaçando-nos a todos”.
Joanna de Ângelis


domingo, 24 de julho de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (24/07 - DOMINGO - 16:00): "O PRECURSOR" DO LIVRO PRIMÍCIAS DO REINO PELO ESPÍRITO DA SRA. AMÉLIA RODRIGUES – PALESTRANTE: ALDECI ANDRADE

Ele foi anunciado por um mensageiro celeste, que se identificou como Gabriel, o que assiste diante de Deus.
Seu pai, Zacarias, vivia em Hebron, na Judeia, e era sacerdote. Em certa ocasião, encontrava-se a exercer as funções sacerdotais, no Templo de Jesuralém.

O povo orava no átrio. Zacarias adentrara o santuário para oferecer o incenso, conforme a ritualística. Ali, em oração, viu surgir, do lado direito do altar dos perfumes, o Espírito que lhe vem trazer a mensagem.

Ele se tornaria pai de um menino. Gabriel o cientifica ainda de que aquele filho lhe seria de grande alegria e que também outros se alegrariam com o seu nascimento.

A profecia se dilata, quando o mensageiro diz que o menino viria para converter muitos dos filhos de Israel ao seu Deus.

Virá no Espírito e na virtude de Elias, para preparar ao Senhor um povo perfeito.

As anotações do Evangelista  Lucas testificam , por esse anúncio, de forma clara, do retorno de um grande profeta da Antiguidade, Elias, que vivera séculos antes e cujas referências se encontram no Livro Terceiro (cap. XVII e ss.) e Quarto de Reis (cap. 1).

Segundo o Evangelista João, o filho de Zacarias veio para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas era para dar testemunho da luz. (João, 1:8)

Quando o menino nasceu, seu pai assinalou seu júbilo com um Cântico em que glorifica a Deus pela dádiva daquele que seria chamado o profeta do Altíssimo;  porque irás adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos. (Lucas, 1:76)

Isso nos diz de quão consciente era Zacarias a respeito da identidade e da missão do filho.

Lucas assinala o ano em que João, o filho de Zacarias, inicia a sua tarefa como sendo o décimo quinto do Império de Tibério César, o que equivale a dizer o ano XXVIII, pois o governo de Tibério iniciou no ano XIII. Era procurador na Judeia, Pôncio Pilatos e Herodes, Tetrarca da Galileia.

João vestia seu corpo magro com pele de camelo, dos ombros até os joelhos e trazia um cinto de couro. A cabeleira era negra e os olhos profundos, de um fulgor misterioso. Apresentava-se como: A voz do que clama no deserto: preparai os caminhos do Senhor, fazei direitas as suas veredas.

A voz de João era forte, vibrante, dura mesmo; as suas palavras, breves e incisivas; os seus gestos, parcos e rápidos...2

Em sua pregação, a que acorria o povo, falava de que não bastava se acreditar filho de Deus, era preciso realizar o bem.

Por isso, aos publicanos aconselhava que não cobrassem mais do que o fixado pela lei; aos soldados, que não praticassem a violência, nem causassem dano a outrem, contentando-se com seu soldo.

Era o discurso que ainda serve nos dias atuais a todos os que nos encontramos no serviço público: a prática do dever, com ética e dignidade.

Suas pregações de tal modo impressionavam as pessoas, que muitos passaram a acreditar que ele era o esperado Messias. É então que João dá seu primeiro testemunho a respeito de Jesus: Eu não sou o Cristo. Depois de mim virá aquele que é mais poderoso do que eu e de cujos sapatos não sou digno de desatar as correias.

Ainda dará um segundo testemunho, em Betânia, além do Jordão, quando sacerdotes e levitas o foram questionar a respeito de sua identidade. Ele reafirmará que o que haveria de vir após ele, que existia antes dele, já se encontrava entre eles.

Em outra oportunidade, vendo que Jesus vinha em sua direção, ele O aponta e diz: Eis o cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo. (João,1:29)

Prossegue, dizendo da visão mediúnica que lhe afirmava que Aquele era o Filho de Deus, o Messias, constituindo-se esse o terceiro testemunho a respeito do Cristo que ele viera anunciar.

E, estando perto do Jordão, com seus discípulos, vendo Jesus que passava, orienta a dois deles, André, irmão de Simão Pedro e João, filho de Zebedeu, a que O sigam, pois Ele é o Messias.

Tendo iniciado Jesus a Sua missão, vieram alguns discípulos de João, chamado o Batista, lhe informar que o povo agora acorria para o novo profeta. Nesse momento, a grandeza do servidor é demonstrada. Testifica João que eles mesmos são testemunhas de que sempre afirmara não ser o Cristo, mas sim o enviado dEle. Agora, chegava o momento de que Jesus crescesse e ele diminuísse.

Nesses dias, João é encarcerado. Não pelo que pregava, mas por ter ousado repreender o tetrarca da Galileia por viver com Herodíades, a esposa do próprio irmão, que ainda vivia.

O tempo haveria de transcorrer, meses sobre meses, dez ao todo. Fosse porque as dores do cárcere se lhe fizessem superlativas, fosse porque a solidão o envolvesse em brumas, de uma forma paradoxal, aquele mesmo que fora a mais ardente testemunha do messianato de Jesus, envia, da prisão, dois dos seus discípulos, a indagar se Ele era realmente o que haveria de vir, ou se dever-se-ia esperar outro.

Jesus, o Amigo Incondicional, o Pastor das almas, deve ter compreendido a especial situação de João e responde que as Suas obras atestam quem Ele é: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos tornam-se limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciada a boa nova.

E, tendo se afastado os enviados de João, Jesus se põe a falar a respeito dele, referindo-se aos seus trajes, à forma como ele falava, a fortaleza que ele era, um profeta. Uma lâmpada ardente e luminosa. (João, 5:35)

É nessa hora que o Mestre afirma ser ele o Elias que as Escrituras estabeleciam deveria vir antes do Cristo. Viera e não fora reconhecido, naturalmente por se encontrar em um corpo diferente, com aparência diferente e ter um discurso muito específico: o de aplainar as veredas, preparar os caminhos do Senhor.

Em eloquente elogio ao precursor, afirma Jesus que, dentre os filhos da Humanidade, naquele tempo, ele era o maior, embora o menor no reino dos céus fosse maior do que ele.

Afirmava-lhe, assim, a grandeza, do quanto ele já conquistara em louros de virtude e de saber, ao mesmo tempo dizendo que longo caminho deveria percorrer até alcançar a culminância da perfeição.

Mas, foi no seu aniversário que Herodes, fascinado pela beleza e graça da filha de Herodíades, lhe atenderá ao desejo, e mandará servir em uma bandeja de prata a cabeça decepada do Batista.

Com consentimento do próprio Herodes, os discípulos de João lhe resgataram o corpo e o sepultaram, indo comunicar o acontecimento a Jesus.

Cumpriam-se as Escrituras. Ele viera, realizara a sua missão e discretamente se retirara. A prisão lhe foi a oportunidade de mais dilatadas reflexões, ouvindo os relatos que lhe eram trazidos, vez que outra, dos ditos e feitos do Messias que ele próprio viera anunciar.

O silêncio que o Precursor fizera ensejava a audição do Messias por toda a Terra, numa nova Era.

sábado, 10 de outubro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE DOMINGO, 11/10 AS 16:00 - PROJETO DE VIDA DO LIVRO: REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO - PALESTRANTE: ADILSON FREITAS



Projeto de Vida


“O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís a vossa faculdade de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais.” Lacordaire – (Constantina, 1863) O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capitulo XVI –item 14 Materialismo é o estado íntimo que estabelece a rotina mental da esmagadora maioria das mentes no plano físico, focando os interesses humanos, exclusivamente, naquilo que fere os cinco sentidos. Posturas e noções culturais se desenvolvem a partir desse estado levando a criatura a adotar o mundo das sensações corporais como sendo a única realidade. O materialismo tem como base afetiva o sentimento de segurança e bem-estar, expresso comumente por vínculos de apego e posse. Os reflexos mais conhecidos desses vínculos afetivos com a vida material são a dependência e o medo, respectivamente. Em essência, o interesse central de todo materialista é tornar a vida uma permanência, manter para sempre o elo com todas as criações que lhe “pertençam”, sejam coisas ou pessoas. Contudo, a vida é regida pela Lei da Impermanência. Tudo é transformação e crescimento. Alguma palavras que asseguram uma linha moral condizente com essa Lei são: maleabilidade, incerteza, relativização, diversidade, ecletismo, pluralismo, alteridade, desprendimento, fraternidade amor. A volta do homem à vida corporal tem por objetivo o seu melhoramento, o engrandecimento de seus conceitos ainda tão reduzidos pela ótica das ilusões terrenas. Compreender que é um binômio corpo-alma, que tem um destino, a perfeição, e que a vida na Terra é um aprendizado são as lições que lhe permitirão romper com os estreitos limites da visão materialista. Semelhantes conquistas interiores exigem preparo e devotamento a fim de consolidarem-se como valores morais, capazes de levá-lo a cultivar projetos enobrecedores com os quais possa, pouco a pouco, renovar seus hábitos de vida. Muito esforço será pedido para o desenvolvimento dessas qualidades espirituais no coração humano. Uma semana na Terra é composta por dez mil e oitenta minutos. Tomando por base noventa minutos como o tempo habitual de uma atividade espiritual voltada para a aquisição de noções elevadas, e ainda levando em conta que raramente alguém ultrapassa o limite de duas ou três reuniões semanais, encontramos um coeficiente de no máximo duzentos e setenta minutos de preparo para implementação da renovação mental, ou seja, pouco menos de três por cento do volume de tempo de uma semana inteira. São nesses momentos que se angaria forças para interromper a rotina mental do homem comum. Por isso necessitamos tanto das tarefas espíritas para fixar valores, desenvolver novos hábitos e alimentar a mente de novas forças, tendo em vista a espiritualização a qual todos devemos buscar em favor da felicidade e da paz. A superação da rotina materialista exige esforço, mas também metas, ideais, comprometimento. 7 Por isso a melhoria espiritual não pode circunscrever-se a práticas religiosas ou a momentos de estudos e oração. Imperioso será assumirmos o compromisso de mudanças e elevação conosco mesmo, senão tais iniciativas podem reduzir-se facilmente a experiências passageiras de adesão superficial, sem raízes profundas nas matrizes do sentimento. A reforma íntima solicita fazer de nossas vidas um projeto. Um projeto de cumplicidade e amor! Projeto de vida é o outro nome da “religião íntima”, a “religião da atitude”, do comprometimento. Sem isso, como esperar que a simples freqüência aos serviços do bem, nas fileiras da caridade e da instrução, sejam suficientes para renovar a nossa personalidade construída em milênios de repetição no “amor” aos bens terrenos? E um projeto de mudança espiritual não será tarefa infantil de traçar metas imediatistas de fácil alcance para causar-nos a sensação de que aprimoramos com rapidez, mas sim o resultado do esforço pessoal em sacrificar-se por ideais que motivem o nosso progresso e que, a um só tempo, constituam a segurança contra o desânimo e a invigilância. Ideais esses que se apresentam sempre à nossa caminhada como convites da Divina Providência para que possamos sair do “lugar comum” à maioria das criaturas. Razão pela qual sempre encontraremos obstáculos e pedregais nas sendas da renovação espiritual. Isso porque aquele que realmente se eleva não deixa de causar mudança no meio onde estagia, atraindo para si todas as reações favoráveis e desfavoráveis aos ideais de ascensão. Isso faz parte de todo processo de espiritualização. Não há como não haver reações que, por fim, podem, algumas vezes, ser sinais de que nos encontramos em boa direção. Cumplicidade e comprometimento são as palavras de ordem no desafio do autoburilamento. Evitemos, assim, confundir a simples adesão a prática doutrinária ou ainda o acúmulo de cultura espiritual como sendo iluminação e adiantamento, quando nada mais são que estímulos valorosos para o crescimento. Lembremos que só terão valor real, na nossa libertação, se deles soubermos extrair a parte essencial que nos compete interiorizar no fortalecimento de nosso projeto de vida no bem. Lacordaire é muito lúcido ao afirmar que destruímos as faculdades de amar quando as reduzimos aos bens materiais. O cultivo da paixão ao adiantamento espiritual é a solução para todos os problemas de humanidade terrena, e o único caminho para um mundo melhor. Quando aprendemos isso, verificamos que a existência, mesmo que salpicada de problemas e dores, tem luz e vida porque plantamos na intimidade a semente imperecível do idealismo superior, o qual ninguém pode nos roubar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE HOJE, 07/10 (QUARTA FEIRA) AS 16:00 - PROBLEMAS DO AMOR - CAPÍTULO 91 DO LIVRO: FONTE VIVA - Palestrante: ARACI MARTINS



CAPÍTULO 91 
Problemas do amor

“…que vosso amor cresça cada vez mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento.”
Filipenses, 1:9
O amor é a força divina do Universo.
É imprescindível, porém, muita vigilância para que não a desviemos na justa aplicação.
Quando um homem se devota, de maneira absoluta, aos seus cofres perecíveis, essa energia, no coração dele, denomina-se “avareza”; quando se atormenta, de modo exclusivo, pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida, no lugar em que se encontra, essa mesma força converte-se nele em “egoísmo”; quando só vê motivos para louvar o que representa, o que sente e o que faz, com manifesto desrespeito pelos valores alheios, o sentimento que predomina em sua órbita chama-se “inveja”.
Paulo, escrevendo à amorosa comunidade filipense, formula indicação de elevado alcance.
Assegura que “o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa aprovar as coisas que são excelentes.”
Instruamo-nos, pois, para conhecer.
Eduquemo-nos para discernir.
Cultura intelectual e aprimoramento moral são imperativos da vida, possibilitando-nos a manifestação do amor, no império da sublimação que nos aproxima de Deus.

Atendamos ao conselho apostólico e cresçamos em valores espirituais para a eternidade, porque, muitas vezes, o nosso amor é simplesmente querer e tão somente com o “querer” é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE DOMINGO DIA 04/10 as 16:00 - Perante Nós Mesmos, Capitulo 18 do Livro: CONDUTA ESPÍRITA - Palestrante:


Capítulo 18

Perante Nós Mesmos

Vigiar as próprias manifestações, não se julgando indispensável e preferindo a autocrítica ao autoelogio, recordando que o exemplo da humildade é a maior força para a transformação das criaturas.
Toda presunção evidencia o afastamento do Evangelho.
*
Agir de tal modo a não permitir, mesmo indiretamente, atos que signifiquem profissionalismo religioso, quer no campo da mediunidade, quer na direção de instituições, na redação de livros e periódicos, em traduções e revisões, excursões e visitas, pregações e outras quaisquer tarefas.
A exploração da fé anula os bons sentimentos.
*
Render culto à amizade e à gentileza, estendendo-as, quanto possível, aos companheiros e às organizações, mas sem escravizar-se ao ponto de contrariar a própria verdade, em matéria de Doutrina, para ser agradável aos outros.
O Espiritismo é caminho libertador.
*
Recusar várias funções simultâneas nos campos social e doutrinário, para não se ver na contingência de prejudicar a todas, compreendendo, ainda, que um pedido de demissão, em tarefa espírita, quase sempre equivale a ausência lamentável.
O afastamento do dever é deserção.
*
Efetuar compromissos apenas no limite das próprias possibilidades, buscando solver os encargos assumidos, inclusive os relacionados com as simples contribuições e os auxílios periódicos às instituições fraternais.
Palavra empenhada, lei no coração.
*
Libertar-se das cadeias mentais oriundas do uso de talismãs e votos, pactos e apostas, artifícios e jogos de qualquer natureza, enganosos e prescindíveis.
O espírita está informado de que o acaso não existe.
*
Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam.
O servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.
*
“Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.”

Paulo. (2ª epístola aos coríntios, capítulo 13, versículo 5.)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE HOJE, 24/09, AS 20:00 - REVELAÇÃO PELA DOR DO LIVRO : O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR - LEON DENIS - PALESTRANTE: DANILO CRUZ



Capítulo XXVII

Revelação pela dor

 É principalmente perante o sofrimento que se mostra a necessidade, a eficácia de uma crença robusta, poderosamente assente, ao mesmo tempo, na razão, no sentimento e nos fatos, e que explique o enigma da vida, o problema da dor. Que consolações podem o materialismo e o ateísmo oferecer ao homem atacado de um mal incurável? Que dirão para acalmar os desesperos, preparar a alma daquele que vai morrer? De que linguagem usarão com o pai e com a mãe ajoelhados diante do berço do filhinho morto, com todos aqueles que vêem descer à cova os esquifes dos entes queridos? Aqui se mostra toda a pobreza, toda a insuficiência das doutrinas do Nada. A dor não é somente o critério, por excelência, da vida, o juiz que pesa os caracteres, as consciências, e dá a medida da verdadeira grandeza do homem. É também um processo infalível para reconhecer o valor das teorias filosóficas e das doutrinas religiosas. A melhor será, evidentemente, a que nos conforta, a que diz por que as lágrimas são quinhão da humanidade e fornece os meios de estancá-las. Pela dor descobre-se com mais segurança o lugar onde brilha o mais belo, o mais doce raio da verdade, aquele que não se apaga. Se o universo não é mais do que um campo fechado, unicamente acessível às forças caprichosas e cegas da Natureza, uma odiosa fatalidade nos esmaga; se não há nele nem consciência, nem justiça, nem bondade, então a dor não tem sentido, não tem utilidade, não comporta consolações; só resta impor silêncio ao nosso coração despedaçado, porque seria pueril e vão importunar os homens e o Céu com os nossos lamentos! Para todos aqueles cuja vida é limitada pelos estreitos horizontes do materialismo, o problema da dor é insolúvel; não há esperança para aquele que sofre. Não é verdadeiramente coisa estranha a impotência de tantos sábios, filósofos, pensadores, há milhares de anos, para explicarem e consolarem a dor, para no-la fazerem aceitar quando é inevitável? Uns a negaram, o que é pueril; outros aconselharam o esquecimento, a distração, o que é vão e covarde, quando se trata da perda dos que amamos. Em geral, têm-nos ensinado a temê-la, a receá-la e detestá-la. Bem poucos a têm compreendido, bem poucos a têm explicado. Por isso, em torno de nós, nas relações cotidianas pobres, banais e infantis se têm tornado as palavras de simpatia, as tentativas de consolação prodigalizadas àqueles que a desgraça tocou! Que frias palavras nos lábios, que falta de calor e de luz nos pensamentos e nos corações! Que fraqueza, que inanidade nos processos empregados para confortar as almas enlutadas, processos que antes lhes agravam e redobram os males, a tristeza. Tudo isso resulta unicamente da obscuridade que envolve o problema da dor, dos falsos dados vulgarizados pelas doutrinas negativistas e por certas filosofias espiritualistas. Com efeito, é próprio das teorias errôneas desanimarem, acabrunharem, ensombrarem a alma nas horas difíceis, em vez de lhe proporcionarem os meios de fazer frente ao destino com firmeza. “E as religiões?” podem perguntar-nos. Sim, sem dúvida, as religiões acharam socorros espirituais para as almas aflitas; todavia, as consolações que oferecem assentam numa concepção demasiadamente acanhada do fim da vida e das leis do destino, como já por nós foi suficientemente demonstrado. As religiões cristãs, principalmente, compreenderam o papel grandioso do sofrimento, mas exageram-no, desnaturam-lhe o sentido. O paganismo exprimia a alegria; seus deuses coroavamse de flores e presidiam às festas; entretanto, os estóicos e, com eles, certas escolas secretas, consideravam já a dor como elemento indispensável à ordem do mundo. O Cristianismo glorificou-a, deificou-a no pessoa de Jesus. Diante da cruz do Calvário, a humanidade achou menos pesada a sua. A recordação do grande supliciado ajudou os homens a sofrer e a morrer; todavia, levando as coisas ao extremo, o Cristianismo deu à vida, à morte, à Religião, a Deus, aspectos lúgubres, às vezes terrificantes. É necessário reagir e restituir as coisas a seus termos, porque, em razão dos próprios excessos das religiões, estas vêem a cada dia restringir-se o seu império. O materialismo vai conquistando pouco a pouco o terreno que elas têm perdido; a consciência popular se obscurece e a noção do dever desfaz-se por falta de uma doutrina adaptada às necessidades do tempo e da evolução humana. Diremos, por isso, aos sacerdotes de todas as religiões: Alargai o círculo de vossos ensinamentos; dai ao homem uma noção mais extensa de seus destinos, uma vista mais clara do Além, uma idéia mais elevada do alvo que ele deve atingir. Fazei-lhe compreender que sua obra consiste em construir por suas próprias mãos, com a ajuda da dor, a sua consciência, a sua personalidade moral, e isso através do infinito do tempo e do espaço. Se, na hora atual, vossa influência se enfraquece, se vosso poder está abalado, não é por causa da moral que ensinais, é por causa da insuficiência de vossa concepção da vida, que não mostra nitidamente a justiça nas leis e nas coisas e, por conseguinte, não mostra Deus. Vossas teologias encerraram o pensamento num círculo que o abafa; fixaram-lhe uma base demasiadamente restrita e, sobre essa base, todo o edifício vacila e ameaça desabar. Cessai de discutir textos e de oprimir as consciências; saí das criptas onde sepultastes o pensamento; caminhai e agi! Ergue-se, cresce e se alastra uma nova doutrina, que vem ajudar o pensamento a executar sua obra de transformação. Esse novo espiritualismo contém todos os recursos necessários a consolar as aflições, enriquecer a filosofia, regenerar as religiões, atrair conjuntamente a estima do discípulo mais humilde e o respeito do gênio mais altivo. Pode ela satisfazer aos mais nobres impulsos da inteligência e às aspirações do coração, explica, ao mesmo tempo, a fraqueza humana, o lado obscuro e atormentado da alma inferior entregue às paixões e proporciona-lhe os meios de elevar-se ao conhecimento e à plenitude. Finalmente, constitui o remédio moral mais poderoso contra a dor. Na explicação que dá, nas consolações que vem oferecer ao infortúnio, acha-se a prova mais evidente, mais tocante de seu caráter verídico e de sua solidez inabalável. Melhor que qualquer outra doutrina filosófica ou religiosa, revela-nos o grande papel do sofrimento e ensina-nos a aceitá-lo. Fazendo dele um processo de educação e reparação, mostra-nos a intervenção da justiça e do amor divinos em nossas próprias provações e males. Em vez dos desesperados, que as doutrinas negativistas fazem de nós, em vez de decaídos, de réprobos ou malditos, o Espiritismo apresenta, nos desgraçados, simples aprendizes, simples neófitos que a dor ilumina e inicia, candidatos à perfeição, à felicidade. Dando à vida um alvo infinito, o novo Espiritualismo oferece-nos uma razão de viver e de sofrer que nos faz reconhecer meritório se viva e sofra, numa palavra, um objetivo digno da alma e digno de Deus. Na desordem aparente e na confusão das coisas, mostra-nos a ordem que, lentamente, se vai esboçando e realizando, o futuro que se vai elaborando no presente e, acima de tudo, a manifestação de uma imensa e divina harmonia! E vede as conseqüências desse ensinamento. A dor perde o seu aspecto terrífico; deixa de ser um inimigo, um monstro temível; torna-se um auxiliar e o seu papel é providencial. Purifica, engrandece e refunde o ser em sua chama, reveste-o de uma beleza que não se lhe conhecia. O homem, a princípio admirado e inquieto com o seu aspecto, aprende a conhecê-la, a apreciá-la, a familiarizar-se com ela; acaba quase por amá-la. Certas almas heróicas, em vez de se afastarem dela, de a evitarem, vão-lhe ao encontro para nela livremente se embeberem e regenerarem. O destino, em virtude de ser ilimitado, prepara-nos possibilidades sempre novas de melhoramento. O sofrimento é apenas um corretivo aos nossos abusos, aos nossos erros, incentivo para a nossa marcha. Assim, as leis soberanas mostram-se perfeitamente justas e boas; não infligem a ninguém penas inúteis ou imerecidas. O estudo do universo moral enchenos de admiração pelo poder que, mediante o emprego da dor, transforma pouco a pouco as forças do mal em forças do bem, faz sair do vício a virtude, do egoísmo o amor! Daí em diante, certo do resultado de seus esforços, o homem aceita com coragem as provas inevitáveis. Pode vir a velhice, a vida declinar e rolar pelo declive rápido dos anos; sua fé ajuda-o a atravessar os períodos acidentados e as horas tristes da existência. À medida que esta decai e se vai envolvendo de névoas, vai-se fazendo mais viva a grande luz do Além e os sentimentos de justiça, de bondade e de amor, que presidem ao destino de todos os seres, tornam-se para ele força nas horas de desalento e tornam-lhe mais fácil a preparação para a partida. * Para o materialista e até para muitos crentes, o falecimento dos seres amados cava entre eles e nós um abismo que nada pode encher, abismo de sombra e treva onde não brilha nenhum raio, nenhuma esperança. O protestante, incerto do destino deles, nem mesmo por seus mortos ora. O católico, não menos ansioso, pode recear para os seus o juízo que para sempre separa os eleitos dos réprobos. Aí está, porém, a nova doutrina com suas certezas inabaláveis. Para aqueles que a têm adotado, a morte, como a dor, não traz pavores. Cada cova que se abre é uma porta de libertação, uma saída franca para a liberdade dos Espaços; cada amigo que desaparece vai preparar a morada futura, balizar a estrada comum em que todos nos havemos de reunir; só aparentemente há separação. Sabemos que essas almas não nos deixarão para sempre; íntima comunhão pode estabelecer-se entre elas e nós. Se suas manifestações na ordem sensível encontram obstáculos, podemos pelo menos corresponder-nos com elas pelo pensamento. Conheceis a lei telepática; não há grito, lágrima, apelo de amor, que não tenha sua repercussão e sua resposta. Solidariedade admirável das almas por quem oramos e que oram por nós, permutas de pensamentos vibrantes e de chamamentos regeneradores, que atravessam o espaço e embebem os corações angustiados em radiações de força e esperança e nunca deixam de chegar ao alvo! Julgáveis sofrer sozinhos, mas não é assim. Junto de vós, em torno de vós e até na extensão sem limites, há seres que vibram ao vosso sofrer e participam de vossa dor. Não a torneis demasiadamente viva, por amor deles. À dor, à tristeza humana, deu Deus por companheira a simpatia celeste, e essa simpatia toma, muitas vezes, a forma de um ser amado que, nos dias de provação, desce, cheio de solicitude, e recolhe cada uma das nossas dores para com elas nos tecer uma coroa de luz no espaço. Quantos esposos, noivos, amantes, separados pela morte, vivem em nova união mais apertada e infinita! Nas horas de aflição, o Espírito de um pai, de uma mãe, todos os amigos do Céu se inclinam para nós e nos banham as frontes com seus fluidos suaves e afetuosos; envolvem-nos os corações em tépidas palpitações de amor. Como nos entregarmos ao mal ou ao desespero, em presença de tais testemunhas, certos de que elas vêem as nossas inquietações, lêem nossos pensamentos, nos esperam e se aprontam para nos receberem nos portões da imensidade! Ao deixarmos a Terra, iremos encontrá-los todos e, com eles, ainda maior número de Espíritos amigos, que havíamos esquecido durante a nossa estada na Terra, a multidão daqueles que compartilharam das nossas vidas passadas e compõem nossa família espiritual. Todos os nossos companheiros da grande viagem eterna agrupar-se-ão para nos acolherem, não como pálidas sombras, vagos fantasmas, animados de uma vida indecisa, mas na plenitude das suas faculdades aumentadas, como seres ativos, continuando a interessar-se pelas coisas da Terra, tomando parte na obra universal, cooperando em nossos esforços, em nossos trabalhos, em nossos projetos. Os laços do passado reatar-se-ão com maior força. O amor, a amizade, a paternidade, outrora esboçados em múltiplas existências, cimentar-se-ão com os compromissos novos tomados, em vista do futuro, a fim de aumentar incessantemente e de elevar à suprema potência os sentimentos que nos unem a todos. E as tristezas das separações passageiras, o afastamento aparente das almas, causados pela morte, fundir-se-ão em efusões de felicidade no enlevo dos regressos e das reuniões inefáveis. Não deis, pois, crédito algum às sombrias doutrinas que vos falam de leis ferrenhas, ou então de condenação, de inferno e paraíso, afastando uns dos outros e para sempre aqueles que se amaram. Não há abismo que o amor não possa encher. Deus, que é todo amor, não podia condenar à extinção o sentimento mais belo, o mais nobre de todos os que vibram no coração do homem. O amor é imortal como a própria alma. Nas horas de sofrimento, de angústia, de acabrunhamento, concentrai-vos e, por invocação ardente, atraí a vós os seres que foram, como nós, homens e que são agora Espíritos celestes, e forças desconhecidas penetrarão em vós e ajudar-vos-ão a suportar vossos males e misérias. Homens, pobres viajantes que trilhais penosamente a subida dolorosa da existência, sabei que por toda parte em nosso caminho seres invisíveis, poderosos e bons, caminham a nosso lado. Nas passagens difíceis seus fluidos amparadores sustentam nossa marcha vacilante. Abri-lhes vossas almas, ponde vossos pensamentos de acordo com os seus e logo sentireis a alegria de sua presença; uma atmosfera de paz e bênção envolver-vos-á; suaves consolações descerão para vós.
* Em meio às provações, as verdades que acabamos de recordar não nos dispensam das emoções e das lágrimas; seria contra a Natureza. Ensinam-nos pelo menos a não murmurarmos, a não ficarmos acabrunhados sob o peso da dor, afastam de nós os funestos pensamentos de revolta, de desespero ou de suicídio que muitas vezes enxameiam no cérebro dos niilistas. Se continuamos a chorar, é sem amargura e sem blasfêmia. Mesmo quando se trata do suicídio de mancebos arrebatados pelo ardor de suas paixões, diante da dor imensa de uma mãe, o Neo-Espiritualismo não fica impotente, derrama também a esperança nos corações angustiados, proporcionando-lhes, pela oração e pelo pensamento ardente, a possibilidade de aliviarem essas almas, que flutuam nas trevas espirituais entre a Terra e o espaço, ou permanecem confinadas, por seus fluidos grosseiros, aos meios em que viveram; atenua-lhes a aflição, dizendo-lhes que nada há de irreparável, nada definitivo no mal. Toda evolução contrariada retoma seu curso quando o culpado pagou sua dívida à justiça. Em tudo essa doutrina nos oferece uma base, um ponto de apoio, donde a alma pode levantar o vôo para o futuro e se consolar das coisas presentes com a perspectiva das futuras. A confiança e a fé em nossos destinos projetam em nossa frente uma luz que ilumina o carreiro da vida, fixa-nos o dever, alarga nossa esfera de ação e nos ensina como devemos proceder com os outros. Sentimos que há no universo uma força, um poder, uma sabedoria incomparáveis e sentimos também que nós mesmos fazemos parte dessa força e desse poder de que descendemos. Compreendemos que as vistas de Deus sobre nós, seu plano, sua obra, seu objetivo, tudo tem princípio e origem no seu amor. Em todas as coisas Deus quer nosso bem e para alcançá-lo segue caminhos, ora claros, ora misteriosos, mas constantemente apropriados a nossas necessidades. Se nos separa daqueles que amamos, é para fazer-nos achar mais vivas as alegrias do regresso. Se deixa que passemos por decepções, abandonos, doenças, reveses, é para obrigar-nos a despregar a vista da Terra e elevá-la para Ele, a procurar alegrias superiores àquelas que podemos provar neste mundo. O universo é justiça e amor. Na espiral infinita das ascensões, a soma dos sofrimentos, divina alquimia, converte-se, lá em cima, em ondas de luz e torrentes de felicidade. Não tendes notado no âmago de certas dores um travo particular e tão característico em que não é possível deixar de reconhecer uma intervenção benfazeja? Algumas vezes a alma ferida vê brilhar uma claridade desconhecida, tanto mais viva quanto maior é o desastre. Com um só golpe da dor levanta-se a tais alturas onde seriam necessários vinte anos de estudos e esforços para chegar. Não posso resistir ao desejo de citar dois exemplos, entre muitos outros que me são conhecidos. Trata-se de dois indivíduos que depois foram meus amigos, pais de duas meninas encantadoras que eram toda a sua alegria neste mundo e que a morte arrebatou brutalmente em alguns dias. Um é oficial superior na Região de Leste. Sua filha mais velha possuía todos os dotes de inteligência e de beleza. De caráter sério, desprezava, de bom grado, os prazeres da sua idade e tomava parte nos trabalhos de seu pai, escritor, militar e publicista de talento. Havia-lhe ele dedicado, por essa razão, um afeto que ia até ao culto. Em pouco tempo uma doença irremediável arrebatava a donzela à ternura dos seus. Entre os seus papéis foi encontrado um caderno com o seguinte título: “Para meu pai quando eu já não existir.” Posto que gozasse de perfeita saúde no momento em que traçara essas páginas, tinha o pressentimento de sua morte próxima e dirigia ao pai consolações comovedoras. Graças a um livro que este descobriu na secretária da filha, entramos em relações. Pouco a pouco, procedendo com método e persistência, fez-se médium vidente e hoje possui, não somente a graça de estar iniciado nos mistérios da sobrevivência, mas também a de tornar a ver muitas vezes a filha perto de si e de receber os testemunhos do seu amor. Yvonne (Espírito) comunica-se igualmente com seu noivo e com um de seus primos, oficial subalterno no Regimento de seu pai. Essas manifestações completam-se e verificam-se umas pelas outras e são também percebidas por dois animais domésticos, assim como o atestam as cartas do general.
O segundo caso é o do negociante Debrus, de Valence, cuja única filha, Rose, nascida muitos anos depois do matrimônio, era ternamente amada. Todas as esperanças do pai e da mãe concentravam-se na filha estimada; mas, aos doze anos, foi a menina bruscamente atacada de uma meningite aguda, que a levou. Inexprimível foi o desespero dos pais e a idéia do suicídio mais de uma vez visitou o espírito do pobre pai. Cobrou, porém, ânimo devido a alguns conhecimentos que tinha do Espiritismo e teve a alegria de tornar-se médium. Atualmente, comunica com a filha sem intermediário, livremente e com segurança. Esta intervém freqüentes vezes na vida íntima dos seus e produz, às vezes, ao redor deles, fenômenos luminosos de grande intensidade. Uns e outros nada sabiam do Além e viviam numa culpada indiferença a respeito dos problemas da vida futura e do destino. Agora, fez-se para eles a luz. Depois de haverem sofrido, foram consolados e consolam, por sua vez, os outros, trabalhando por difundir a verdade em volta de si, impressionando todos os que deles se aproximam pela elevação de suas vistas e pela firmeza de suas convicções. Suas filhas voltaram-lhes transfiguradas e radiantes. E eles chegaram a compreender por que Deus os havia separado e como lhes prepara uma vida comum na luz e na paz dos espaços. Eis a obra da dor!

 * Para o materialista, convém repeti-lo, não há explicação para o enigma do mundo nem para o problema da dor. Toda a magnífica evolução da vida, todas as formas de existência e de beleza lentamente desenvolvidas no decurso dos séculos, tudo isto, a seus olhos, é devido ao capricho de um acaso cego e não tem outra saída além do nada. No fim dos tempos será como se a humanidade nunca tivesse existido. Todos os seus esforços para elevar-se a um estado superior, todas as suas queixas, sofrimentos, misérias acumuladas, tudo se desvanecerá como uma sombra, tudo terá sido inútil e vão. Nós, porém, que temos a certeza da vida futura e do mundo espiritual, em vez da teoria da esterilidade e do desespero, vemos no universo o imenso laboratório onde se afina e apura a alma humana, através das existências alternativamente celestes e terrestres. O objetivo das últimas é um só: a educação das Inteligências associadas aos corpos. A matéria é um instrumento de progresso: o que nós chamamos o mal, a dor, é simplesmente um meio de elevação. O “eu” é coisa odiosa, tem-se dito; todavia, permita-se-me uma confissão. De cada vez que o anjo da dor me tocou com a sua asa, senti agitarem-se em mim potências desconhecidas, ouvi vozes interiores entoarem o cântico eterno da vida e da luz; agora, depois de ter compartilhado de todos os males de meus companheiros de viagem, bendigo o sofrimento. Foi ele que amoldou meu ser, que me fez obter um critério mais seguro, um sentimento mais exato das altas verdades eternas. Minha vida foi mais de uma vez sacudida pela desgraça, como o carvalho pela tempestade; mas, nenhuma prova deixou de me ensinar a conhecer-me um pouco mais, a tomar maior posse de mim. Chega a velhice; aproxima-se o termo da minha obra. Após cinqüenta anos de estudos, de trabalho, de meditação, de experiência, é-me grato poder afirmar a todos aqueles que sofrem, a todos os aflitos deste mundo que há no universo uma justiça infalível. Nenhum de nossos males se perde; não há dor sem compensação, trabalho sem proveito. Caminhamos todos através das vicissitudes e das lágrimas para um fim grandioso fixado por Deus e temos a nosso lado um guia seguro, um conselheiro invisível para nos sustentar e consolar. Homem, meu irmão, aprende a sofrer, porque a dor é santa! Ela é o mais nobre agente da perfeição. Penetrante e fecunda, é indispensável à vida de todo aquele que não quer ficar petrificado no egoísmo e na indiferença. Esta é uma verdade filosófica: Deus envia o sofrimento àqueles a quem ama. “Eu sou escravo – dizia Epicteto –, aleijado, um outro Irus em pobreza e miséria e, todavia, amado dos deuses.” Aprende a sofrer. Não te direi: procura a dor. Mas, quando ela se erguer inevitável em teu caminho, acolhe-a como uma amiga. Aprende a conhecê-la, a apreciar-lhe a beleza austera, a entender-lhe os secretos ensinamentos. Estuda-lhe a obra oculta. Em vez de te revoltares contra ela ou de ficares acabrunhado, inerte e fraco debaixo de sua ação, associa tua vontade, teu pensamento ao alvo a que ela visa, procura tirar dela, em sua passagem por tua vida, todo o proveito que ela pode oferecer ao espírito e ao coração. Esforça-te por seres a teu turno um exemplo para os outros; por tua atitude na dor, pelo modo voluntário e corajoso por que a aceites, por tua confiança no futuro, torna-a mais aceitável aos olhos dos outros. Numa palavra, faze a dor mais bela. A harmonia e a beleza são leis universais e nesse conjunto a dor tem o seu papel estético. Seria pueril enraivecermo-nos contra esse elemento necessário à beleza do mundo. Exaltemo-la antes, com vistas e esperanças mais elevadas! Vejamos nela o remédio para todos os vícios, para todas as decadências, para todas as quedas! Vós todos que vergais sob o peso do fardo de vossas provações ou que chorais em silêncio, aconteça o que acontecer, nunca desespereis. Lembrai-vos de que nada sucede debalde, nem sem causa; quase todas as nossas dores vêm de nós mesmos, de nosso passado e abrem-nos os caminhos do Céu. O sofrimento é um iniciador; revela-nos o sentido grave, o lado sério e imponente da vida. Esta não é uma comédia frívola, mas uma tragédia pungente; é a luta para a conquista da vida espiritual e, nessa luta, o que há de maior é a resignação, a paciência, a firmeza, o heroísmo. No fundo, as lendas alegóricas de Prometeu, dos Argonautas, dos Niebelungem, os mistérios sagrados do oriente não têm outro sentido. Um instinto profundo faz-nos admirar aqueles cuja existência não é senão um combate perpétuo contra a dor, um esforço constante para escalarem as abruptas ladeiras que conduzem aos cimos virgens, aos tesouros inviolados; e não admiramos somente o heroísmo que se patenteia, as ações que provocam o entusiasmo das multidões, mas também a luta obscura e oculta contra as privações, a doença, a miséria, tudo o que nos desata dos laços materiais e das coisas transitórias. Dar tensão às vontades; retemperar os caracteres para os combates da vida; desenvolver a força de resistência; afastar da alma da criança tudo o que pode amolentá-la; elevar o ideal a um nível superior de força e grandeza – eis o que a educação moderna deveria adotar como objetivo essencial; mas, em nossa época, tem-se perdido o hábito das lutas morais para se procurarem os prazeres do corpo e do espírito; por isso a sensualidade extravasa de nós, os caracteres aviltam-se, a decadência social acentua-se. Ergamos os pensamentos, os corações, as vontades! Abramos nossas almas aos grandes sopros do espaço! Levantemos nossas vistas para o futuro sem limites; lembremo-nos de que esse futuro nos pertence, nossa tarefa é conquistá-lo. Vivemos em tempos de crise. Para que as inteligências se abram às novas verdades, para que os corações falem, serão necessários avisos ruidosos; serão precisas as duras lições da adversidade. Conheceremos dias sombrios e períodos difíceis. A desgraça aproximará os homens; só a dor verdadeiramente lhes faz sentir que são irmãos. Parece que as sociedades seguem um caminho orlado de precipícios. O alcoolismo, a imoralidade, o suicídio, o crime e a anarquia fazem as suas devastações. A cada instante surgem escândalos, despertando curiosidades novas, remexendo o lodo onde fermentam as corrupções; o pensamento rasteja. A alma da França, que foi muitas vezes a iniciadora dos povos, o seu guia na via sagrada, sofre por sentir que vive num corpo viciado. Ó alma viva da França, separa-te desse invólucro gangrenado, evoca as grandes recordações, os altos pensamentos, as sublimes inspirações do teu gênio. Porque o teu gênio não está morto, dormita. Amanhã despertará! A decomposição precede a renovação. Da fermentação social sairá outra vida, mais pura e mais bela. Ao influxo da Idéia Nova, a sociedade humana encontrará de novo a crença e a confiança. Levantar-se-á maior e mais forte para realizar sua obra neste mundo.