SOBRE NÓS :

VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.

MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.

Redirecionamento

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (05/10 - QUARTA-FEIRA - 16:00): "O PARALÍTICO DE CAFARNAUM" DO LIVRO PRIMÍCIAS DO REINO PELO ESPÍRITO DA SRA. AMÉLIA RODRIGUES – PALESTRANTE: HUMBERTO VASCONCELOS

Cafarnaum era uma cidadezinha que se situava no lado setentrional do lago de Genesaré.

Seus vales eram frescos, cortados por arroios cantantes.

Em suas praias as águas eram boas para a pesca e, por essa razão, disputadas pelos pescadores.

O casario era baixo, cercado por árvores frondosas, coloridas por trepadeiras de flores miúdas.

Jesus amava aquela cidade e a escolheu para o início de Seu ministério de amor.

Corria de boca a ouvido a notícia das curas e dos maravilhosos feitos do Mestre Nazareno, atraindo curiosos e aflitos das cercanias.

A casa de Simão Pedro havia sido invadida por grande número de pessoas que buscavam Jesus.

O sol estava alto, quando um grupo, carregando um paralítico, tentou aproximar-se da porta.

A multidão era tão compacta que não foi possível.

Porém, tamanha era a aflição do doente, há muito preso ao leito, que seus amigos ergueram-no ao terraço e desceram-no pelo teto da sala onde estava o Rabi.

Abriu-se um pequeno espaço na apinhada sala, e o Mestre, sem demonstrar qualquer surpresa, olhou demoradamente para o enfermo.

Natanael ben Elias, crês que eu possa te curar? – Perguntou Jesus, olhando-o nos olhos.

Sim, creio. – Respondeu rapidamente.

Tomado de súbito estremecimento, perguntou:

Senhor! Como sabes o meu nome? Conheces-me?

Sim, eu te conheço desde sempre. – Respondeu Jesus. – Sou o bom Pastor que conhece todas as ovelhas que o Pai me confiou.

Antes mesmo que Natanael pudesse refletir a respeito daquelas palavras, Jesus estendeu as mãos sobre ele e disse-lhe com voz firme e imperiosa:

Levanta-te, toma tua cama e vai para a tua casa.

Natanael ergueu-se e deu um grito de euforia ao perceber-se livre da moléstia que o infelicitou por longo período.

Sem muita demora abandonou a casa de Pedro, na companhia dos companheiros, ainda sem compreender bem o que lhe acontecera.

À noite, quando Jesus buscava refazimento à beira do lago de Genesaré, Pedro o encontrou com os olhos imersos em lágrimas.

Rabi, estás chorando? De felicidade, suponho, depois de tantos eventos felizes...

Choro, mas de tristeza. – Afirmou o Mestre.

Choro, Simão, porque neste momento, muitos daqueles que hoje curei se encontram entregues a antigos vícios. Recobraram o ânimo, a voz, a saúde, para se precipitarem outra vez nos despenhadeiros da insensatez.

Não tardará que se vejam enredados em novos desequilíbrios, prejudicando dolorosamente suas próprias existências.

Enquanto isso, não longe dali, Natanael ben Elias comentava sua cura, com infantil alegria, entre amigos embriagados e mulheres infelizes.

Exatamente como o Mestre descreveu, Natanael, como tantos outros, sem valorizar a nova chance que recebera, entregava-se ao equívoco e ao vício.

*   *   *

A proposta do Cristo jamais teve a intenção de oferecer ao homem alegrias superficiais.

As dores que nos chegam – usualmente causadas pela nossa própria negligência - são métodos severos, porém, eficazes para curar e disciplinar nossos Espíritos reincidentes no erro.

Somente a efetiva compreensão e aplicação dos ensinamentos do Mestre Nazareno nos possibilitarão alcançar a felicidade verdadeira.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7,  do livro Primícias do Reino,
 pelo Espírito  Amélia Rodrigues, psicografia de  Divaldo Pereira Franco,
 ed. LEAL.
Em 20.6.2016.

domingo, 14 de agosto de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (14/08 - DOMINGO - 16:00): "O MANCEBO RICO" DO LIVRO PRIMÍCIAS DO REINO PELO ESPÍRITO DA SRA. AMÉLIA RODRIGUES – PALESTRANTE: JAIRO MOREIRA


O momento era de profunda significação. Sabia, por estranha intuição, que um dia defrontaria a Realidade, e a encontrava agora. 
O apelo pairava vibrando em derredor: - “Vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me”. 
Aquela voz penetrava como um punhal afiado e impregnava qual perfume de nardo. 
Havia um magnetismo inconfundível naqueles olhos severos e profundos como duas estrelas engastadas na face pálida do amanhecer. 
Tinha sede de paz. 
Embora repousasse em leito de madeiras preciosas incrustados de ébano e lápis-lazúli, se banqueteasse em repastos opíparos, cuidasse do corpo com massagens de óleos e ungüentos raros, envolvendo-o em tecidos de linho leve, e suas arcas estivessem abarrotadas de gemas e ouro, sabia-se infeliz, sentia-se infeliz. Faltava-lhe ALGO que não se consegue facilmente. 
Hesitava, no entanto. 
Sua vivenda era luxuosa, seus pertences valiosos e vazio o seu coração. 
Confragia-se e angustiava-se, ignorando as nascentes da melancolia renitente que lhe dissipava sonhos e esperanças sob guante de inenarrável amargura. 
Buscava as competições em Cesaréia, todavia ignorava se essa busca representava uma realização ou fuga. 
Agora, pela primeira vez, sentia-se arrebatado. 
A meiguice e a ordem daquela vez, enunciada por aquele Homem, ecoavam como cascatas em desalinho nos abismos do espírito. 
Interiormente gritava: “Irei contigo, Senhor, mas...” 
Hesitava, sim, e a hora não comportava dubiedades. 
Todo àquela hora era importante,; mais do que isso: vital! 
- Permite-me primeiro – conseguiu articular, vencendo a emoção que o transfigurava – competir em Cesaréia, logo mais, disputando para Israel os triunfos dos jogos... 
-Não posso esperar. O Reino dos Céus começa hoje e agora para o teu espírito. Não há tempo a perder. 
- Aguardei muito essa ocasião e ela se avizinha, com a chegada do período das competições... Exercitei-me, contratei escravos que me adestraram... aos partos comprei, por uma fortuna, duas parelhas de fogos cavalos... os jogos estão próximos... 
- Renuncia, e segue-me! 
Quem era Ele, que assim lhe falava? Que poder exercia sobre sua vontade? Por qual sortilégio o dominava?!... Gostaria de fugi ou deixar-se arrastar, estava perturbado; ignorada sofreguidão o aniquilava... 
A horizontalidade das aflições humanas contemplava a verticalidade da sublimação divina: o cotidiano deparava com o infinito; o vale fitava o abismo das alturas e se perdia na imensidão. 
O homem e o Filho do Homem se defrontavam. 
O diálogo parecia impossível, reduzindo-se a um monólogo atormentante para o moço diante daquele Homem. 
Vencendo irresistível temor, continuou o príncipe afortunado: 
- Não receio dar o que possuo: dinheiro, ouro, gemas, títulos, se possível, pois sei que estes se gastam mui facilmente, mas... 
- ...Dá-me a ti próprio e eu te oferecerei a ventura sem limite. 
Que alto prêmio! Que pesado tributo! – pensou desanimado. 
Era muito jovem e muitos confiavam nele. Possivelmente Israel lucraria com os seus lauréis e triunfos. Príncipe, tinha pela frente as avenidas do poder a que se afervorava, PODER que no momento se destituída de qualquer valor. 
Os vens, poderia ofertá-los, sim. Porém a fortuna da juventude, os tesouros vibrantes da vaidade atendida e dos caprichos sustentados, as honras de família resguardadas pela tradição, os corifeus agradáveis e bajuladores, oh! seria necessário renunciar-se a isso tudo? – interrogava-se, inquieto. 
- Sim! – respondeu-lhe, sem palavras, com os olhos fulgurantes. 
Sofria naqueles minutos a soma dos sofrimentos que experimentara a vida toda. 
O ar cantava leves murmúrios enquanto as tulipas do campo teciam um manto sutil, rescendendo aromas. 
O Rabi, em silencio, aguardava. E ele, em perplexidade, lancinava-se. 
O diálogo tornara-se realmente impossível. 
Subitamente, o príncipe de qualidade, num átimo de minuto, lembrou-se que amigos o aguardavam na cidade. Compromissos esperavam-no. Deveria debater os detalhes finais para a corrida na grande festa da semana entrante. 
Acionado por estranho vigor, que dele se apossou repentinamente, fitou o Messias sereno e triste, balbuciando com voz apagada: 
- Não posso. Não posso seguir-Te agora... Perdoa-me, se me amas! 
E saiu quase a correr. 
O Mestre sentou-se e se encheu de profundo sofrimento. 
Era assim, sempre assim que Ele ficava após a deserção dos convidados ao Banquete da Luz. A expressão de mansuetude e perdão que lhe brilhava nos olhos mergulhava em lágrimas, agasalhada em leves tons de amargura. 
Assim O encontraram os discípulos. Interrogado, respondeu: 
- “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas”! 
Uma semana depois Cesaréia era a capital do ócio, do prazer. 
Ao som alegre de trompas e fanfarras começavam as festas públicas. 
As quadrigas estão na linha de partida. Os fogosos corcéis, adquiridos aos partos, oriundos da Dalmácia, de Tiro, Sidon e da Arábia, empinam, lustrosos, ajaezados. Ao sinal dispram, sob estrondosa ovação. 
Chicotes vibram no ar, mãos firmes nas rédeas, os guias e condutores dão velocidade aos carros frágeis. A celebridade prende a respiração em todos os peitos. 
A expectativa fala sem voz na pulsação da tarde ardente e empoeirada. 
Numa manobra menos feliz, um carro vira e um corpo tomba na arena, despedaçado pelas patas velozes, em disparada. 
O moço rico sente as entranhas abertas, o suor e o sangue em pastas de lama, a respiração esterotrada... 
Enquanto escravos precipites arrastam-no na pista, foge mentalmente a cena brutal que o esmaga, e entre as névoas que lhe sombreiam os olhos parece vê-LO. 
Silenciando os gritos na concha acústica tem a impressão de escutá-LO. 
- Renuncia a ti mesmo, vem, e segue-ME. 
- Amigo!... 
Dois braços o envolvem veludosos e transparentes. 
Apesar da face deformada e lavada pelas lágrimas, o suor e o sangue, ele dá a impressão de sorrir. 

domingo, 24 de julho de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (24/07 - DOMINGO - 16:00): "O PRECURSOR" DO LIVRO PRIMÍCIAS DO REINO PELO ESPÍRITO DA SRA. AMÉLIA RODRIGUES – PALESTRANTE: ALDECI ANDRADE

Ele foi anunciado por um mensageiro celeste, que se identificou como Gabriel, o que assiste diante de Deus.
Seu pai, Zacarias, vivia em Hebron, na Judeia, e era sacerdote. Em certa ocasião, encontrava-se a exercer as funções sacerdotais, no Templo de Jesuralém.

O povo orava no átrio. Zacarias adentrara o santuário para oferecer o incenso, conforme a ritualística. Ali, em oração, viu surgir, do lado direito do altar dos perfumes, o Espírito que lhe vem trazer a mensagem.

Ele se tornaria pai de um menino. Gabriel o cientifica ainda de que aquele filho lhe seria de grande alegria e que também outros se alegrariam com o seu nascimento.

A profecia se dilata, quando o mensageiro diz que o menino viria para converter muitos dos filhos de Israel ao seu Deus.

Virá no Espírito e na virtude de Elias, para preparar ao Senhor um povo perfeito.

As anotações do Evangelista  Lucas testificam , por esse anúncio, de forma clara, do retorno de um grande profeta da Antiguidade, Elias, que vivera séculos antes e cujas referências se encontram no Livro Terceiro (cap. XVII e ss.) e Quarto de Reis (cap. 1).

Segundo o Evangelista João, o filho de Zacarias veio para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas era para dar testemunho da luz. (João, 1:8)

Quando o menino nasceu, seu pai assinalou seu júbilo com um Cântico em que glorifica a Deus pela dádiva daquele que seria chamado o profeta do Altíssimo;  porque irás adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos. (Lucas, 1:76)

Isso nos diz de quão consciente era Zacarias a respeito da identidade e da missão do filho.

Lucas assinala o ano em que João, o filho de Zacarias, inicia a sua tarefa como sendo o décimo quinto do Império de Tibério César, o que equivale a dizer o ano XXVIII, pois o governo de Tibério iniciou no ano XIII. Era procurador na Judeia, Pôncio Pilatos e Herodes, Tetrarca da Galileia.

João vestia seu corpo magro com pele de camelo, dos ombros até os joelhos e trazia um cinto de couro. A cabeleira era negra e os olhos profundos, de um fulgor misterioso. Apresentava-se como: A voz do que clama no deserto: preparai os caminhos do Senhor, fazei direitas as suas veredas.

A voz de João era forte, vibrante, dura mesmo; as suas palavras, breves e incisivas; os seus gestos, parcos e rápidos...2

Em sua pregação, a que acorria o povo, falava de que não bastava se acreditar filho de Deus, era preciso realizar o bem.

Por isso, aos publicanos aconselhava que não cobrassem mais do que o fixado pela lei; aos soldados, que não praticassem a violência, nem causassem dano a outrem, contentando-se com seu soldo.

Era o discurso que ainda serve nos dias atuais a todos os que nos encontramos no serviço público: a prática do dever, com ética e dignidade.

Suas pregações de tal modo impressionavam as pessoas, que muitos passaram a acreditar que ele era o esperado Messias. É então que João dá seu primeiro testemunho a respeito de Jesus: Eu não sou o Cristo. Depois de mim virá aquele que é mais poderoso do que eu e de cujos sapatos não sou digno de desatar as correias.

Ainda dará um segundo testemunho, em Betânia, além do Jordão, quando sacerdotes e levitas o foram questionar a respeito de sua identidade. Ele reafirmará que o que haveria de vir após ele, que existia antes dele, já se encontrava entre eles.

Em outra oportunidade, vendo que Jesus vinha em sua direção, ele O aponta e diz: Eis o cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo. (João,1:29)

Prossegue, dizendo da visão mediúnica que lhe afirmava que Aquele era o Filho de Deus, o Messias, constituindo-se esse o terceiro testemunho a respeito do Cristo que ele viera anunciar.

E, estando perto do Jordão, com seus discípulos, vendo Jesus que passava, orienta a dois deles, André, irmão de Simão Pedro e João, filho de Zebedeu, a que O sigam, pois Ele é o Messias.

Tendo iniciado Jesus a Sua missão, vieram alguns discípulos de João, chamado o Batista, lhe informar que o povo agora acorria para o novo profeta. Nesse momento, a grandeza do servidor é demonstrada. Testifica João que eles mesmos são testemunhas de que sempre afirmara não ser o Cristo, mas sim o enviado dEle. Agora, chegava o momento de que Jesus crescesse e ele diminuísse.

Nesses dias, João é encarcerado. Não pelo que pregava, mas por ter ousado repreender o tetrarca da Galileia por viver com Herodíades, a esposa do próprio irmão, que ainda vivia.

O tempo haveria de transcorrer, meses sobre meses, dez ao todo. Fosse porque as dores do cárcere se lhe fizessem superlativas, fosse porque a solidão o envolvesse em brumas, de uma forma paradoxal, aquele mesmo que fora a mais ardente testemunha do messianato de Jesus, envia, da prisão, dois dos seus discípulos, a indagar se Ele era realmente o que haveria de vir, ou se dever-se-ia esperar outro.

Jesus, o Amigo Incondicional, o Pastor das almas, deve ter compreendido a especial situação de João e responde que as Suas obras atestam quem Ele é: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos tornam-se limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciada a boa nova.

E, tendo se afastado os enviados de João, Jesus se põe a falar a respeito dele, referindo-se aos seus trajes, à forma como ele falava, a fortaleza que ele era, um profeta. Uma lâmpada ardente e luminosa. (João, 5:35)

É nessa hora que o Mestre afirma ser ele o Elias que as Escrituras estabeleciam deveria vir antes do Cristo. Viera e não fora reconhecido, naturalmente por se encontrar em um corpo diferente, com aparência diferente e ter um discurso muito específico: o de aplainar as veredas, preparar os caminhos do Senhor.

Em eloquente elogio ao precursor, afirma Jesus que, dentre os filhos da Humanidade, naquele tempo, ele era o maior, embora o menor no reino dos céus fosse maior do que ele.

Afirmava-lhe, assim, a grandeza, do quanto ele já conquistara em louros de virtude e de saber, ao mesmo tempo dizendo que longo caminho deveria percorrer até alcançar a culminância da perfeição.

Mas, foi no seu aniversário que Herodes, fascinado pela beleza e graça da filha de Herodíades, lhe atenderá ao desejo, e mandará servir em uma bandeja de prata a cabeça decepada do Batista.

Com consentimento do próprio Herodes, os discípulos de João lhe resgataram o corpo e o sepultaram, indo comunicar o acontecimento a Jesus.

Cumpriam-se as Escrituras. Ele viera, realizara a sua missão e discretamente se retirara. A prisão lhe foi a oportunidade de mais dilatadas reflexões, ouvindo os relatos que lhe eram trazidos, vez que outra, dos ditos e feitos do Messias que ele próprio viera anunciar.

O silêncio que o Precursor fizera ensejava a audição do Messias por toda a Terra, numa nova Era.