SOBRE NÓS :

VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.

MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.

Redirecionamento

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sábado, 19 de setembro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE AMANHÃ, DOMINGO, 20/09 - CAPÍTULO 17 ANTE À DOR DO LIVRO FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - PALESTRANTE: Renilda Lemos


CAPÍTULO 17

ANTE À DOR

Quando a alma mergulhou na carne referta de vibrações, desejou transmitir toda a musicalidade que conduzia virgem, e para que o tumulto do ambiente não lhe perturbasse a evocação, perdeu, paulatinamente, os registros auditivos para somente escutar nas telas da mente os acordes sublimes da natureza e de Deus — e Beethoven ficou surdo! Para expressar a melancolia suave e a pungente saudade de algo que não se pode identificar, Chopin experimentou a amargura do coração perdido entre desejos e decepções. Destinado a ferir as cordas da emoção e tangê-las com habilidade, o espírito retornou ao palco de antigas lutas para defrontar-se com inimigos acirrados e vencê-los através da auto-doação, enchendo a Terra de musicalidade superior. Inquieto, todavia, fraquejando sem cessar, Schumann deixou-se arrastar pela caudal da obsessão, conquanto fizesse incomparável legado, através do Lied e das nobres melodias para piano - * * * Oh! dor bendita, libertadora de escravos, discreta amiga dos orgulhosos, irmã dos santos, mensageira da verdade, tanto necessitamos do teu concurso, que se nos afiguras um anjo caído, a serviço da misericórdia para sustentar nos na luta redentora! Ensina-nos a descobrir a rota da humildade para avançarmos com acerto.
* * * A dor é a mensageira da esperança que após a crucificação do Justo vem ensinando como se pode avançar com segurança. Recebamo-la, pacientes, sejam quais forem às circunstâncias em que a defrontemos nesta hora de significativas transformações para o nosso espírito em labor de sublimação. O sofrimento de qualquer natureza, quando aceito com resignação — e toda aflição atual possui as suas nascentes nos atos pretéritos do espírito rebelde — propicia renovação interior com amplas possibilidades de progresso, fator preponderante de felicidade. A dor faculta o desgaste das imperfeições, propiciando o descobrimento dos valiosos recursos, inexoráveis, aliás do ser. Após a lapidação fulgura a gema. Burilada a aresta ajusta-se a engrenagem. Trabalhado, o metal converte-se em utilidade. Sublimado pelo sofrimento reparador o espírito liberta-se. * “De tal modo brilhe a vossa luz diante dos homens, para que êles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus. Mateus: capítulo 5º, versículo 16. *

 “Daí se segue que nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou. Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal”. Capítulo 5º — Item 5.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE DOMINGO 06/09 - FIRMEZA E CONSTÂNCIA - CAPITULO 69 DO LIVRO FONTE VIVA - Palestrante: Virgílio Borba


Livro: Fonte Viva - Capítulo 69 -
Titulo: Firmeza e Constância
“Muita gente acredita que abraçar a fé será confiar-se ao êxtase improdutivo. A pretexto de garantir a iluminação da alma, muitos corações fogem à luta, trancando-se entre as quatro paredes do santuário doméstico, entre vigílias de adoração e pensamentos profundos acerca dos mistérios divinos, esquecendo-se de que todo o conjunto da vida é Criação Universal de Deus” (Um trecho do capítulo 69 - "Firmeza e Constancia" - Livro Fonte Viva - Emmanuel/Chico Xavier)
Reflexão: O papel de adoração e de prece no intimo de nossos lares e instituições religiosas tem seu papel importante para nos sustentarmos com o banho interior de silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes sublimes que fluem dos Mananciais Celestes. Emmanuel porem nos adverte dizendo que “Quem penetrou a terra espiritual da verdade, encontrou o trabalho por graça maior”.
A Prece e a reflexão são nossos lubrificantes do veiculo que temos por empréstimo para viver no mundo escola. Mas é imperioso recordar que o Mestre e os discípulos lutaram, serviram e sofreram na lavoura do bem diária, em sua exemplificação.
Acrescenta ainda o benfeitor: “Aceitar o Cristianismo é renovar-se para as Alturas e só o clima do serviço consegue reestruturar o espírito e santificar-lhe o destino”
Que possamos nós então agir ajudando! Criar com alegria e concórdia as novas esperanças, abrindo horizontes ao conhecimento superior e melhorar a vida onde estivermos. Para isto é preciso acordar em nós a FIRMEZA e CONSTÂNCIA.
Esta é a fé viva que remove montanhas, está é uma fé com visão de conhecimento e capacidade de auxiliar. Colocando em tudo isso o Amor na base, logo estaremos em um mundo melhor, pois limparemos o lodo que vive dentro de nossos vasos, com a água viva que jorra do coração augusto de Deus.
Emmanuel termina este capítulo lindamente, que para mim cai como um convite a todos nós, diz ele: “Jesus reclama(pede com insistência) obreiros diligentes(cuidadosos) para a edificação de seu Reino em toda a Terra.” 

terça-feira, 16 de junho de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUARTA-FEIRA (17/06) ÀS 16:00 - A PARÁBOLA DO FESTIM DE NÚPCIAS DO EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO


Parábola da Festa de Núpcias

          E respondendo Jesus, lhes tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que desejando fazer as bodas a seu filho, mandou os seus servos a chamar os convidados para a bodas, mas eles recusaram ir. Enviou de novo outros servos, com este recado aos convidados: Eis aqui tenho preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados estão já mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo,outro para o seu tráfico. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e depois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei, tendo ouvido isto, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade. Então disseaos seus servos: As bodas com efeito estão aparelhadas, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas, e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tenho os seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou depois o rei para ver os que estavam à Mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? Mas ele emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos. (Mateus, XXII: 1-4)

O incrédulo ri desta parábola, que lhe parece de uma pueril ingenuidade, pois não admite que haja tantas dificuldades para realização de um banquete, e ainda mais quando os convidados chegam a ponto de massacrar os enviados do dono da casa. “As parábolas – diz ele – são naturalmente alegorias, mas não devem passar os limites do possível”.
O mesmo se pode dizer de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não lhes descobrimos o sentido oculto. Jesus se inspirava nas usanças mais comuns da vida, e adaptava as suas parábolas aos costumes e ao caráter do povo a que se dirigia. A maioria delas tinha por fim fazer penetrar nas massas populares a idéia da vida espiritual; e seu sentido só parece incompreensível para os que não se colocam nesse ponto de vista.
            Nesta parábola, por exemplo, Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes.
           Acreditavam os judeus de então que a sua nação devia conquistar a supremacia sobre todas as outras. Pois não havia Deus prometido a Abraão que a sua posterioridade cobriria a Terra inteira? Tomando sempre a forma pelo fundo, eles se julgavam destinados a uma dominação efetiva, no plano material.
            Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram politeístas e idólatras. Se alguns homens superiores haviam atingido a idéia da unidade divina, essa idéia entretanto permanecia como sistema pessoal, pois em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados, que ocultavam os seus conhecimentos sob formas misteriosas, impenetráveis à compreensão do povo. Os judeus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo. Foi a eles que Deus transmitiu a sua lei; primeiro através de Moisés, depois através de Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que devia expandir-se pelo mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posterioridade espiritual “tão numerosa como as estrelas do firmamento”.
            Mas os judeus, embora repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral, para se dedicar à prática mais fácil do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo: a nação, dominada pelos romanos, estava esfacelada pelas facções, dividida pelas seitas; a própria incredulidade havia atingido até mesmo o santuário. Foi então que Jesus apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos horizontes da vida futura. Primeiros convidados ao banquete da fé universal, eles repeliram, porém, as palavras do celeste Messias, e o sacrificaram. Foi assim que perderam o fruto que deviam colher da sua própria iniciativa.
            Seria injusto, entretanto, acusar o povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos fariseus e aos saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de núpcias, e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.

            Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Mas entre todos os que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que guardam e a aproveitam! Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Tema da doutrinária de hoje - Quinta-feira (11/06) às 20:00 - Tema: Conduta Espírita do Medium. Livro: Conduta Espírita de André Luiz. Palestrante: Robson Ferrer



Esquivar-se à suposição de que detém responsabilidades ou missões de avultada transcendência, reconhecendo-se humilde portador de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa.
O seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor.
 No horário disponível entre as obrigações familiares e o trabalho que lhe garante a subsistência, vencer os imprevistos que lhe possam impedir o comparecimento às sessões, tais como visitas inesperadas, fenômenos climatéricos e outros motivos, sustentando lealdade ao próprio dever.
Sem euforia íntima não há exercício mediúnico produtivo. Preparar a própria alma em prece e meditação, antes da atividade mediúnica, evitando, porém, concentrar-se mentalmente para semelhante mister durante as explanações doutrinárias, salvo quando lhe caibam tarefas especiais concomitantes, a fim de que não se prive do ensinamento.
A oração é luz na alma refletindo a Luz Divina. Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos.
O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.
Silenciar qualquer prurido de evidência pessoal na produção desse ou daquele fenômeno.
A espontaneidade é o selo de crédito em nossas comunicações com o Reino do Espírito. Mesmo indiretamente, não retirar proveito material das produções que obtenha.
Não há serviço santificante na mediunidade vinculada a interesses inferiores.
Extinguir obstáculos, preocupações e impressões negativas que se relacionem com o intercâmbio mediúnico, quais sejam, a questão da consciência vigilante ou da inconsciência sonambúlica durante o transe, os temores inúteis e as suscetibilidades doentias, guiando-se pela fé raciocinada e pelo devotamento aos semelhantes.
Quem se propõe avançar no bem, deve olvidar toda causa de perturbação. Ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, recusar o tóxico da lisonja. No rastro do orgulho, segue a ruína.
Fugir aos perigos que ameaçam a mediunidade, como sejam a ambição, a ausência de autocrítica, a falta de perseverança no bem e a vaidade com que se julga invulnerável. O medianeiro carrega consigo os maiores inimigos de si próprio.
 “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” — Paulo. (I CORÍNTIOS, 12:7.)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUINTA FEIRA - 21/05/2015 - AS 20:00 - ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA, Capítulo VII DO LIVRO GÊNESES DE ALLAN KARDEC - Palestrante: Wenceslau Alonso





Resumo Capítulo VII: ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

Períodos Geológicos

A perfuração de poços, minas e pedreiras, facultou a observação dos terrenos estratificados, o que permitiu à Geologia estudar a origem do globo terrestre como também dos seres que o habitam.
As camadas, variando de cms. até mais de cem metros, são geralmente homogêneas e horizontais, distinguindo-se claramente umas das outras; formaram-se por depósitos sucessivos até chegar à última camada de terra vegetal, derivada de detritos orgânicos. As camadas inferiores denominam-se rochas, formadas de areia, argila, marna, seixos rolados, ou grés, mármores, crés, calcáreos, carvões de pedra, asfaltos, etc. A forma e consistência das camadas revelam sua formação pela ação do fogo ou da água. As camadas formadas por depósitos aquosos e que se encontram inclinadas ou verticais foram deslocadas, após a solidificação, por convulsões do solo.
A ocorrência de despojos fósseis de animais e vegetais dentro das camadas inferiores situam sua existência naquela época. Tais fósseis resultaram petrificados, sem alteração da forma (penetrados por matérias silicosas ou calcáreas); outros foram envolvidos por matérias em estado flácido, mantendo-se intactos, dentro das mais duras pedras; outros finalmente deixaram somente marcas como a forma de um pé com dedos e unhas, permitindo identificar o animal que as deixou.
O estudo das camadas e dos fósseis permitiu estabelecer-se os períodos geológicos principais: primário, de transição, secundário, terciário, diluviano, pós-diluviano ou atual.

Estado primitivo do globo

O achatamento dos polos indica que o estado primitivo da Terra era de fluidez ou flacidez por ação do calor. A cada 30 metros de profundidade a temperatura aumenta de um grau, alcançando temperaturas em que toda a matéria conhecida se funde. A espessura da crosta terrestre é comparável à da casca de uma laranja, levando a concluir-se que no princípio a Terra era uma massa fluida incandescente, que esfriou pouco a pouco da superfície para dentro, conservando-se a matéria interior em estado de fusão. Durante o resfriamento a matéria sofreu transformações, combinações várias, resultando a formação de uma atmosfera densa, opaca, formada pela volatilização de metais como enxofre e carbono o que não permitia a passagem dos raios solares.

Período primário

Com o progressivo resfriamento, houve solidificação da parte exterior da massa em fusão, formando uma crosta uniforme e compacta constituída de granito, pedra extremamente dura formada por feldspato, quartzo e mica. Ocorreram numerosas fendas pelas quais a matéria efervescente extravasava.
Continuando o resfriamento, ocorreu liquefação de vapor de metais em suspensão, causando chuvas e lagos de enxofre e betume (ferro, cobre, chumbo e outros metais fundidos), que, infiltrando-se pelas fissuras, deram origem aos veios e filões metálicos. Várias misturas produziram os terrenos primitivos sobre a rocha granítica, porém sem estratificação regular. Em seguida as águas, em ciclos de vaporização e chuvas, acabaram por depositar-se no solo. Permaneciam os elementos confundidos, desestabilizados, impossibilitando o surgimento de qualquer forma de vida vegetal ou animal. Tal período poderia ter levado cerca de um milhão de anos.

Período de transição

Dada a pequena espessura da crosta granítica, ocorriam intumescências, por onde extravasava a lava interior. A superfície do globo era quase que totalmente coberta por águas pouco profundas. A atmosfera, embora mantendo temperaturas ardentes, foi sendo progressivamente liberta dos gases pesados, sendo o último deles o ácido carbônico, por ação das chuvas copiosas e quentes, permitindo a passagem dos primeiros raios de Sol.
Após formarem-se os terrenos de sedimento, surgiram os primeiros seres vivos do reino vegetal e animal. Primeiro surgiram os vegetais criptógamos, acotiledôneos, monocotiledôneos (liquens, cogumelos, musgos, fetos e plantas herbáceas). Quanto a árvores, somente as do gênero palmeira, cuja haste é semelhante às das ervas. Surgiram então os primeiros animais marinhos (polipeiros, raiados, zoófitos) de organização rudimentar, seguindo-se-lhes os crustáceos e peixes de espécies atualmente extintas.
Predominando ainda na atmosfera o ácido carbônico, favoreceu a formação de vasta vegetação de plantas gigantescas, que em razão do deslocamento das águas, vieram a ser cobertas por sedimentos terrosos, num ciclo de aniquilamento e renascimento, formando, através dos séculos, camadas de grande espessura. Pela ação dos gases, ácidos, sais, houve a fermentação daqueles vegetais soterrados, convertendo-se em hulha ou carvão de pedra, que é encontrado em quase todas as regiões do globo. Nesse período, em que a temperatura da Terra era uniforme, pois o fogo central produzia calor muito superior ao dos raios solares os quais eram enfraquecidos pela pesada atmosfera, ainda não havia gelo na Terra.

Período secundário

Ao final do período de transição, desapareceram os vegetais e animais, devido a ocorrências de grandes subversões e erupções do solo, ou ainda por modificações na atmosfera. O período secundário é caracterizado por numerosas camadas minerais formadas no seio das águas, marcando diferentes épocas bem diferenciadas. Modificações na atmosfera produziram vegetais menores que no período anterior, surgindo as plantas de caule lenhoso e as árvores.
Quanto aos animais, continuavam aquáticos passando a anfíbios, desenvolvendo-se no seio dos mares animais de conchas, peixes com organização mais aperfeiçoada, os cetáceos. Surgiram os répteis marinhos monstruosos como: ictiossauros, plessiossauros, teleossauros (anfíbios), megalossauros, iguanodontes(terrestres), pterodáctilos.
O grande número de camadas atesta a longevidade desse período, onde se desenvolveu consideravelmente a vida animal, pelas melhores condições da atmosfera, permitindo que alguns vivessem na terra. Encerrado esse período, desapareceram os grandes répteis aquáticos.

Período terciário

Iniciou-se esse período com uma destruição quase total dos seres vivos.
Durante esta fase, devido à maior espessura da crosta terrestre, a pressão interior ocasionou erupções sucessivas em todos os pontos do globo, formando os picos e cadeias de montanhas, planaltos e planícies, acomodando-se as águas nos locais mais baixos, donde surgiram os continentes e cumes de montanhas formando ilhas. As camadas de calcário encontradas no topo de montanhas comprovam a teoria acima, pois em nenhuma época seria possível ao mar atingir tais altitudes.
Por ocasião desses levantamentos e erupções ocorreram também rasgaduras do solo expondo o granito que se encontra na sua periferia em certas regiões. Surgiram também os vulcões que representam válvulas de segurança equilibrando a pressão interior.
Tais levantamentos e abaixamentos do solo resultaram em constantes deslocamentos das águas formando camadas irregulares através da superfície do globo, ao contrário do que se observa nos períodos anteriores, onde as camadas são regulares.
Desde que se acalmaram as revoluções iniciais, melhorando as condições ambientais, reapareceram os vegetais e animais com organização mais apropriada a uma atmosfera mais purificada. Os vegetais atingiram desenvolvimento estrutural quase ao nível dos atuais.
Enquanto que nos dois períodos anteriores as águas cobriam quase que a totalidade do globo, favorecendo a existência de animais aquáticos e anfíbios, no terciário vários continentes se formaram, aparecendo os animais terrestres. No período de transição havia vegetação colossal, no secundário répteis monstruosos, no terciário surgiram os gigantescos mamíferos, tais como, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, paleotérios, dinotérios, mastodontes, mamutes, etc. São desse período os pássaros e a maioria dos animais atuais. 
Algumas dessas espécies sobreviveram aos cataclismos posteriores. Outras, compostas de animais antediluvianos, desapareceram ou foram substituídas por espécies menos pesadas e menos maciças.

Período diluviano

Caracterizou-se pela ocorrência de dilúvio universal, onde uma imensidade de espécies foram destruídas, as águas invadindo continentes e arrastando terras e rochedos, derrubando florestas seculares, formando depósitos denominados terrenos diluvianos. Deslocaram rochedos de granito das montanhas por centenas de Kms., fazendo surgir nas planícies os blocos erráticos, surgindo também os aerólitos. Ocorreu nessa época o súbito congelamento dos polos, atestado pela descoberta de elefantes e mamutes congelados; caso o fenômeno tivesse sido gradual, tais animais teriam tido tempo de se retirarem para regiões mais quentes.
Supõe-se que tal cataclismo foi causado por uma brusca mudança de inclinação do eixo da Terra, fazendo com que as águas se projetassem sobre as terras; alguns animais, tentando escapar da fúria das águas, ocuparam cavernas e fendas em lugares altos, onde sucumbiram entredevorando-se ou afogados, ocasionando grandes quantidades de ossadas chamadas brechas ou cavernas ossosas.

Período pós-diluviano ou atual - Nascimento do homem.

Após restabelecido o equilíbrio - com a superfície mais estável, o ar mais puro, o Sol espargindo um calor mais vivificador - ressurgiu a vida vegetal proporcionando alimentação mais suculenta aos animais, menos ferozes e mais sociáveis, de órgãos mais delicados. "Apareceu então o homem, último ser da criação, aquele cuja inteligência concorreria, dali em diante, para o progresso geral, progredindo ele próprio".

Não foram encontrados vestígios humanos nas camadas dos períodos primário e secundário, tanto que naqueles períodos não havia para o homem condições de vitalidade. Também não se encontrou seus vestígios no período antediluviano, pelo que se considera como característico da presença do homem o período pós-diluviano.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tema da Doutrinária de 30/04/2015, Quinta Feira às 20:00 - A Vontade, Capitulo XX do Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor do Sr. Léon Dennis. Palestrante: Manoel Messias



Terceira Parte As Potências da Alma
XX A vontade
O estudo do ser, a que consagramos a primeira parte desta obra, deixou-nos entrever a poderosa rede de forças, de energias ocultas em nós. Mostrou-nos que todo o nosso futuro, em seu desenvolvimento ilimitado, lá está contido no gérmen. As causas da felicidade não se acham em lugares determinados no espaço; estão em nós, nas profundezas misteriosas da alma, o que é confirmado por todas as grandes doutrinas. “O reino dos céus está dentro de vós”, disse o Cristo. O mesmo pensamento está por outra forma expresso nos Vedas: “Tu trazes em ti um amigo sublime que não conheces.” A sabedoria persa não é menos afirmativa: “Vós viveis no meio de armazéns cheios de riquezas e morreis de fome à porta.” (Suffis Ferdousis). Todos os grandes ensinamentos concordam neste ponto: É na vida íntima, no desabrochar de nossas potências, de nossas faculdades, de nossas virtudes, que está o manancial das felicidades futuras. Olhemos atentamente para o fundo de nós mesmos, fechemos nosso entendimento às coisas externas e, depois de havermos habituado nossos sentidos psíquicos à escuridade e ao silêncio, veremos surgir luzes inesperadas, ouviremos vozes fortificantes e consoladoras. Mas, há poucos homens que saibam ler em si, que saibam explorar as jazidas que encerram tesouros inestimáveis. Gastamos a vida em coisas banais, improfícuas; percorremos o caminho da existência sem nada saber de nós mesmos, das riquezas psíquicas, cuja valorização nos proporcionaria gozos inumeráveis. Há em toda alma humana dois centros ou, melhor, duas esferas de ação e expressão. Uma delas, a exterior, manifesta a personalidade, o “eu”, com suas paixões, suas fraquezas, sua mobilidade, sua insuficiência. Enquanto ela for a reguladora de nosso proceder, teremos a vida inferior, semeada de provações e males. A outra, interna, profunda, imutável, é, ao mesmo tempo, a sede da consciência, a fonte da vida espiritual, o templo de Deus em nós. É somente quando esse centro de ação domina o outro, quando suas impulsões nos dirigem, que se revelam nossas potências ocultas e que o Espírito se afirma em seu brilho e beleza. É por ele que estamos em comunhão com “o Pai que habita em nós”, segundo as palavras do Cristo, com o Pai que é o foco de todo o amor, o princípio de todas as ações. Por um desses centros perpetuamo-nos em mundos materiais, onde tudo é inferioridade, incerteza e dor; pelo outro temos entrada nos mundos celestes, onde tudo é paz, serenidade, grandeza. Somente pela manifestação crescente do Espírito divino em nós chegaremos a vencer o “eu” egoísta, a associar-nos plenamente à obra universal e eterna, a criar uma vida feliz e perfeita. Por que meio poremos em movimento as potências internas e as orientaremos para um ideal elevado? Pela vontade! Os usos persistentes, tenazes, dessa faculdade soberana permitir-nos-á modificar a nossa natureza, vencer todos os obstáculos, dominar a matéria, a doença e a morte. É pela vontade que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado. Na maior parte dos homens os pensamentos flutuam sem cessar. Sua mobilidade constante e sua variedade infinita oferecem limitado acesso às influências superiores. É preciso saber se concentrar, colocar o pensamento acorde com o pensamento divino. Então, a alma humana é fecundada pelo Espírito divino, que a envolve e penetra, tornando-a apta a realizar nobres tarefas, preparando-a para a vida do espaço, cujos esplendores ela começa fracamente a entrever desde este mundo. Os Espíritos elevados vêem e ouvem os pensamentos uns dos outros, com os quais são harmonias penetrantes, ao passo que os nossos são, as mais das vezes, somente discordâncias e confusão. Aprendamos, pois, a servir-nos de nossa vontade e, por ela, a unir nossos pensamentos a tudo o que é grande, à harmonia universal, cujas vibrações enchem o espaço e embalam os mundos. * A vontade é a maior de todas as potências; é, em sua ação, comparável ao ímã. A vontade de viver, de desenvolver em nós a vida, atrai-nos novos recursos vitais; tal é o segredo da lei de evolução. A vontade pode atuar com intensidade sobre o corpo fluídico, ativar-lhe as vibrações e, dessa forma, apropriá-lo a um modo cada vez mais elevado de sensações, prepará-lo para mais alto grau de existência. O princípio de evolução não está na matéria, está na vontade, cuja ação tanto se estende à ordem invisível das coisas como à ordem visível e material. Esta é simplesmente a conseqüência daquela. O princípio superior, o motor da existência, é a vontade. A vontade divina é o supremo motor da vida universal. O que importa, acima de tudo, é compreender que podemos realizar tudo no domínio psíquico; nenhuma força permanece estéril quando se exerce de maneira constante, visando alcançar um desígnio conforme ao direito e à justiça. É o que se dá com a vontade; ela pode agir tanto no sono como na vigília, porque a alma valorosa, que para si mesma estabeleceu um objetivo, procura-o com tenacidade em ambas as fases de sua vida e determina assim uma corrente poderosa, que mina devagar e silenciosamente todos os obstáculos. Com a preservação dá-se o mesmo que com a ação. A vontade, a confiança e o otimismo são outras tantas forças preservadoras, outros tantos baluartes opostos em nós a toda causa de desassossego, de perturbação, interna e externa. Bastam, às vezes, por si sós, para desviar o mal; ao passo que o desânimo, o medo e o mau-humor nos desarmam e nos entregam a ele sem defesa. O simples fato de olharmos de frente para o que chamamos o mal, o perigo, a dor, a resolução de os afrontarmos, de os vencermos, diminuem-lhes a importância e o efeito. Os americanos têm, com o nome de mind cure (cura mental) ou ciência cristã, aplicado esse método à terapêutica e não se pode negar que os resultados obtidos são consideráveis. Esse método resume-se na fórmula seguinte: “O pessimismo enfraquece; o otimismo fortalece.” Consiste na eliminação gradual do egoísmo, na união completa com a Vontade Suprema, causa das forças infinitas. Os casos de cura são numerosos e apóiam-se em testemunhos irrecusáveis. Na ordem física, por exemplo, não se destroem os infusórios, os infinitamente pequenos, que vivem e se multiplicam em nós; mas se ganham forças para melhor lhes resistir. Da De resto, foi esse – em todos os tempos e com formas diversas – o princípio da saúde física e moral. mesma forma, nem sempre é possível, na ordem moral, afastar as vicissitudes da sorte, mas se pode adquirir força bastante para suportá-las com alegria, sobrepujá-las com esforço mental, dominá-las por tal forma que percam todo o aspecto ameaçador, para se transformarem em auxiliares de nosso progresso e de nosso bem. Em outra parte demonstramos, apoiando-nos em fatos recentes, o poder da alma sobre o corpo na sugestão e auto-sugestão.
 Limitar-nos-emos a lembrar outros exemplos ainda mais concludentes. Louise Lateau, a estigmatizada de Bois-d'Haine, cujo caso foi estudado por uma comissão da Academia de Medicina da Bélgica, fazia, meditando sobre a Paixão do Cristo, correr à vontade o sangue dos seus pés, mãos e lado esquerdo. A hemorragia durava muitas horas. Pierre Janet observou casos análogos na Salpêtrière, em Paris. Uma extática apresentava estigmas nos pés quando lhos metiam num aparelho. Louis Vivé, em suas crises, a si mesmo dava ordem de sangrar-se em horas determinadas e o fenômeno produzia-se com exatidão. Encontra-se a mesma ordem de fatos em certos sonhos, bem como nos fenômenos chamados “noevi” ou sinais de nascença.196 Em todos os domínios da observação, achamos a prova de que a vontade impressiona a matéria e pode submetê-la a seus desígnios. Essa lei manifestas-se com mais intensidade ainda no campo da vida invisível. É em virtude das mesmas regras que os Espíritos criam as formas e os atributos que nos permitem reconhecê- los nas sessões de materialização. Pela vontade criadora dos grandes Espíritos e, acima de tudo, do Espírito divino, uma vida repleta de maravilhas desenvolve-se e se estende, de degrau em degrau, até ao infinito, nas profundezas do céu, vida incomparavelmente superior a todas as maravilhas criadas pela arte humana e tanto mais perfeita quanto mais se aproxima de Deus. Se o homem conhecesse a extensão dos recursos que nele germinam, talvez ficasse deslumbrado e, em vez de se julgar fraco e temer o futuro, compreenderia a sua força, sentiria que ele próprio pode criar esse futuro. Cada alma é um foco de vibrações que a vontade põe em movimento. Uma sociedade é um agrupamento de vontades que, quando estão unidas, concentradas num mesmo fito, constituem centro de forças irresistíveis. As humanidades são focos ainda mais poderosos, que vibram através da imensidade. Pela educação e exercício da vontade, certos povos chegam a resultados que parecem prodígios. A energia mental, o vigor de espírito dos japoneses, seu desprezo pela dor, sua impassibilidade diante da morte, causaram pasmo aos ocidentais e foram para eles uma espécie de revelação. O japonês habitua-se desde a infância a dominar suas impressões, a nada deixar trair dos desgostos, das decepções, dos sentimentos por que passa, a ficar impenetrável, a não se queixar nunca, a nunca se encolerizar, a receber sempre com boa cara os reveses. Tal educação retempera os ânimos e assegura a vitória em todos os terrenos. Na grande tragédia da existência e da História, o heroísmo representa o papel principal e é a vontade que faz os heróis. Esse estado de espírito não é privilégio dos japoneses. Os hindus chegam também, com o emprego do que eles chamam a hatha-yoga, ou exercício da vontade, a suprimir em si o sentimento da dor física.
 Numa conferência feita no Instituto Psicológico de Paris e que Les Annales des Sciences Psychiques, de novembro de 1906, reproduziram, Annie Besant cita vários casos notáveis devidos a essas práticas persistentes. Um hindu possuirá bastante poder de vontade para conservar um braço erguido até se atrofiar. Outro deitar-se-á numa cama eriçada de pontas de ferro sem sentir nenhuma dor. Encontra-se mesmo esse poder em pessoas que não praticaram a hatha-yoga. A conferencista cita o caso de um de seus amigos que, tendo ido à caça do tigre e tendo recebido, por causa da imperícia de um caçador, uma bala na coxa, recusou submeter-se à ação do clorofórmio para a extração do projétil, afirmando ao cirurgião que teria suficiente domínio sobre si mesmo para ficar imóvel e impassível durante a operação. Esta efetuou-se; o ferido tinha plena consciência de si mesmo e não fez um só movimento. “O que para outro teria sido uma tortura atroz, nada era para ele; havia fixado sua consciência na cabeça e nenhuma dor sentira. Sem ser yogui, possuía o poder de concentrar a vontade, poder que, nas Índias, se encontra freqüentemente.” Pelo que se acaba de ler, pode-se julgar quão diferente dos nossos são a educação mental e o objetivo dos asiáticos. Tudo, neles, tende a desenvolver o homem interior, sua vontade, sua consciência, à vista dos vastos ciclos de evolução que se lhes abrem, enquanto o europeu adota, de preferência, como objetivo, os bens imediatos, limitados pelo círculo da vida presente. Os alvos em que se põe à mira nos dois casos são diferentes; e essa divergência resulta da concepção essencialmente diferente do papel do ser no universo. Os asiáticos consideraram por muito tempo, com um espanto misturado de piedade, nossa agitação febril, nossa preocupação pelas coisas contingentes e sem futuro, nossa ignorância das coisas estáveis, profundas, indestrutíveis, que constituem a verdadeira força do homem. Daí o contraste surpreendente que oferecem as civilizações do Oriente e do Ocidente. A superioridade pertence evidentemente à que abarca mais vasto horizonte e se inspira nas verdadeiras leis da alma e de seu futuro. Pode ter parecido atrasada aos observadores superficiais, enquanto as duas civilizações fizeram paralelamente sua evolução, sem que entre uma e outra houvesse choques excessivos. Mas, desde que as necessidades da existência e a pressão crescente dos povos do Ocidente forçaram os asiáticos a entrar na corrente dos progressos modernos – tal é o caso dos japoneses –, pode-se ver que as qualidades eminentes dessa raça, manifestando-se no domínio material, podiam assegurarlhes igualmente a supremacia. Se esse estado de coisas se acentuar, como é de recear, se o Japão conseguir arrastar consigo todo o Extremo Oriente, é possível que mude o eixo da dominação do mundo e passe de uma raça para outra, principalmente se a Europa persistir em não se interessar pelo que constitui o mais alto objetivo da vida humana e em contentarse com um ideal inferior e quase bárbaro. Mesmo restringindo o campo de nossas observações à raça branca, aí vamos verificar também que as nações de vontade mais firme, mais tenaz, vão pouco a pouco tomando predomínio sobre as outras. É o que se dá com os povos anglo-saxônios e germânicos. Estamos vendo o que a Inglaterra tem podido realizar, através dos tempos, para execução de seu plano de ação. A Alemanha, com seu espírito de método e continuidade, soube criar e manter uma poderosa coesão em detrimento de seus vizinhos, não menos bem dotados do que ela, mas menos resolutos e perseverantes. A América do Norte prepara também para si um grande lugar no concerto dos povos. A França é, pelo contrário, uma nação de vontade fraca e volúvel. Os franceses passam de uma idéia a outra com extrema mobilidade e a esse defeito não são estranhas as vicissitudes de sua História. Seus primeiros impulsos são admiráveis, vibrantes de entusiasmo.
Mas, se com facilidade empreendem uma obra, com a mesma facilidade a abandonam, quando o pensamento já a vai edificando e os materiais se vão reunindo silenciosamente ao seu derredor. Por isso o mundo apresenta, por toda parte, vestígios meio apagados de sua ação passageira, de seus esforços depressa interrompidos. Além disso, o pessimismo e o materialismo, que cada vez mais se alastram entre eles, tendem também a amesquinhar as qualidades generosas de sua raça. O positivismo e o agnosticismo trabalham sistematicamente para apagar o que restava de viril na alma francesa; e os recursos profundos do espírito francês atrofiam-se por falta de uma educação sólida e de um ideal elevado. Aprendamos, pois, a criar uma “vontade de potência”, de natureza mais elevada do que a sonhada por Nietzsche. Fortaleçamos em torno de nós os espíritos e os corações, se não quisermos ver nossas sociedades votadas à decadência irremediável. * Querer é poder! O poder da vontade é ilimitado. O homem, consciente de si mesmo, de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços. Sabe que tudo o que de bem e bom desejar há de, mais cedo ou mais tarde, realizar-se inevitavelmente, ou na atualidade ou na série das suas existências, quando seu pensamento se puser de acordo com a Lei divina. E é nisso que se verifica a palavra celeste: “A fé transporta montanhas.” Não é consolador e belo poder dizer: “Sou uma inteligência e uma vontade livres; a mim mesmo me fiz, inconscientemente, através das idades; edifiquei lentamente minha individualidade e liberdade e agora conheço a grandeza e a força que há em mim. Amparar-me-ei nelas; não deixarei que uma simples dúvida as empane por um instante sequer e, fazendo uso delas com o auxílio de Deus e de meus irmãos do espaço, elevar-me-ei acima de todas as dificuldades; vencerei o mal em mim; desapegar-me-ei de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras para levantar o vôo para os mundos felizes!” Vejo claramente o caminho que se desenrola e que tenho de percorrer. Esse caminho atravessa a extensão ilimitada e não tem fim; mas, para guiar-me na estrada infinita, tenho um guia seguro – a compreensão da lei de vida, progresso e amor que rege todas as coisas; aprendi a conhecer-me, a crer em mim e em Deus. Possuo, pois, a chave de toda elevação e, na vida imensa que tenho diante de mim, conservar-me-ei firme, inabalável na vontade de enobrecer-me e elevar-me, cada vez mais; atrairei, com o auxílio de minha inteligência, que é filha de Deus, todas as riquezas morais e participarei de todas as maravilhas do Cosmo. Minha vontade chama-me: “Para frente, sempre para frente, cada vez mais conhecimento, mais vida, vida divina!” E com ela conquistarei a plenitude da existência, construirei para mim uma personalidade melhor, mais radiosa e amante. Saí para sempre do estado inferior do ser ignorante, inconsciente de seu valor e poder; afirmo-me na independência e dignidade de minha consciência e estendo a mão a todos os meus irmãos, dizendo-lhes: Despertai de vosso pesado sono; rasgai o véu material que vos envolve, aprendei a conhecer-vos, a conhecer as potências de vossa alma e a utilizá-las. Todas as vozes da Natureza, todas as vozes do espaço vos bradam: “Levantai-vos e marchai! Apressai-vos para a conquista de vossos destinos!” A todos vós que vergais ao peso da vida, que, julgando-vos sós e fracos, vos entregais à tristeza, ao desespero, ou que aspirais ao nada, venho dizer: “O nada não existe; a morte é um novo nascimento, um encaminhar para novas tarefas, novos trabalhos, novas colheitas; a vida é uma comunhão universal e eterna que liga Deus a todos os seus filhos.”
A vós todos, que vos credes gastos pelos sofrimentos e decepções, pobres seres aflitos, corações que o vento áspero das provações secou; Espíritos esmagados, dilacerados pela roda de ferro da adversidade, venho dizer-vos: “Não há alma que não possa renascer, fazendo brotar novas florescências. Basta-vos querer para sentirdes o despertar em vós de forças desconhecidas. Crede em vós, em vosso rejuvenescimento em novas vidas; crede em vossos destinos imortais. Crede em Deus, Sol dos sóis, foco imenso, do qual brilha em vós uma centelha, que se pode converter em chama ardente e generosa! “Sabei que todo homem pode ser bom e feliz; para vir a sê-lo basta que o queira com energia e constância. A concepção mental do ser, elaborada na obscuridade das existências dolorosas, preparada pela vagarosa evolução das idades, expandir-se-á à luz das vidas superiores e todos conquistarão a magnífica individualidade que lhes está reservada. “Dirigi incessantemente vosso pensamento para esta verdade: podeis vir a ser o que quiserdes. E sabei querer ser cada vez maiores e melhores. Tal é a noção do progresso eterno e o meio de realizá-lo; tal é o segredo da força mental, da qual emanam todas as forças magnéticas e físicas. Quando tiverdes conquistado esse domínio sobre vós mesmos, não mais tereis que temer os retardamentos nem as quedas, nem as doenças, nem a morte; tereis feito de vosso “eu” inferior e frágil uma alta e poderosa individualidade!”

segunda-feira, 27 de abril de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUARTA FEIRA (29/04) AS 16:00 - "PERDÃO DAS OFENSAS" - CAP. X DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOS DE ALLAN KARDEC - PALESTRANTE: SUZANA DIAS



O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. X – Bem-Aventurados os Misericordiosos

PERDOAI PARA QUE DEUS VOS PERDOE


Se teu irmão pecar contra ti, vai e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás o teu irmão. Então, chegando-se Pedro a Ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”.

Esta passagem é por demais conhecida entre os estudiosos do Cristianismo e mostra a necessidade do homem em compreender o procedimento correto para executá-lo, mesmo em relação as coisas morais.
O valoroso discípulo queria aprender a perdoar. Pedro reporta-se ao pensamento místico da época, cabalístico, e quer, ingenuamente confirmar com Jesus se determinada quantidade de atitudes elevadas atingiria o efeito moral desejado.
Ainda hoje esse pensamento mágico permeia o comportamento do homem.

Entretanto a teoria do conhecimento mostra que a aquisição do saber obedece a Leis Naturais.
Nos bancos escolares, primários, as crianças, depois de dominarem as funções da motricidade, repetindo exaustivamente traços e figuras geométricas simples, são conduzidas a um novo estágio do aprendizado. Desenham as letras, entendem-nas, depois as ligam formando palavras e posteriormente frases. Assimiladas essas fases, a escrita e a leitura se dão automaticamente, sem esforço intelectivo.
O mesmo método ocorre com os números. As operações matemáticas são efetuadas mentalmente depois de passarem por esse processo de assimilação gradativa.

Essa Lei, a Lei do Aprendizado, que atua perenemente nos processos evolutivos do ser. 
Nos reinos anteriores ao hominal, pela forças das Leis Materiais o princípio inteligente, que “intelectualiza a matéria”, (2) por bilhões de anos, assimila comportamentos e funções orgânicas. Forma assim seu veículo fisiopsicossomático; que tem autonomia. 

No reino hominal, portadores da palavra, do pensamento contínuo, da razão e da vontade, entregues a si mesmos quanto as necessidades evolutivas, o homem haure intuitivamente os estímulos que lhe direcionam as tendências e objetivos novos de crescimento.
As primeiras execuções desses estímulos não atendem ao almejado. A dor comparece como mediadora e reparadora. Indica-lhe o melhor caminho. Paulatinamente, pela repetição, ao atender a Lei de Amor, ao produzir para o bem geral, a conquista se dá automatizando a nova aptidão e virtude.
Incorporada a conquista a mente se libera para um novo avanço, agora munida dos novos recursos que se manifestarão em forma de intuição, iniciando-se novo ciclo.

O Cristo ao revelar a todos nós através de Pedro da necessidade de perdoar infinitamente, além de ensinar o homem a se desligar das sintonias mentais mórbidas e do misticismo primitivo, faz ver que mesmo para as aquisições morais o homem se insere na Lei do Aprendizado e sente a necessidade de iniciativa e atividade de sublimação. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

TEXTO DA DOUTRINÁRIA DE HOJE, QUINTA FEIRA (09/04/2015) AS 20:00 - OITAVA PARTE DO LIVRO: AMOR IMBATÍVEL AMOR, Joana de Angelis por Divaldo Franco Palestrante: Amanda Burgos




OITAVA PARTE
83. 83 35 QUEDA E ASCENSÃO PSICOLÓGICA 


Na base de inúmeras perturbações emocionais são encontradas a culpa e a vergonha. A culpa procede de uma peculiar sensação de estar-se realizando algo que está errado e de como esse comportamento afeta as demais pessoas. Esse sentimento proporciona uma correlação entre a capacidade de agir correta ou erradamente. O ato de haver-se equivocado, sem uma estrutura equilibrada do ego em relação ao corpo, produz uma distonia que gera sentimentos profundos de amargura e desajuste emocional. Ao livre-arbítrio cabe o mister de examinar e discernir o que se deve e se pode fazer, daquilo que se pode mas não se deve, ou se deve, porém não se pode realizar. Ao errar, atormenta-se todo aquele que não possui resistências psicológicas para considerar a própria fragilidade, dispondo-se a novo cometimento reparador. Quando o ego é saudável, enfrenta a situação do erro com naturalidade, porque compreende que os conceitos certo e errado são abstratos, cabendo- lhe discernir o que é de melhores resultados para si e para os outros, portanto, permitindo-se o direito de errar e impondo-se o dever de corrigir. Qualquer relacionamento humano é estabelecido dentro das diretrizes do prazer e das compensações emocionais que proporciona. Quando a culpa se apresenta, essa estrutura se fraciona, alterando a conduta do indivíduo. No sentimento de culpa apresenta-se um elemento conflitivo que é o ressentimento daquele que erra em relação ao outro a quem feriu, facultando, não raro, uma situação recíproca. Nos relacionamentos afetivos próximos, o sentimento de culpa é devastador, porque gera ambivalência de conduta: um pai ou mãe que se comporta sob sentimento de culpa em relação a um filho, mantém ressentimento desse filho que, por sua vez, responde com o mesmo sentimento em relação ao genitor, e culpa-se por essa atitude, que lhe parece incorreta. Esse tormento alastra-se no campo emocional, tornando a situação cada vez mais embaraçosa, porque a culpa faz-se maior. Invariavelmente, no ódio, no ressentimento, no ciúme, o paciente se sente aprisionado no agente da sua reação, por sentimento de culpa, que procura dissimular através de acusações contínuas em relação ao outro. Quando se está sujeito a um julgamento moral, o conceito emocional que envolve a culpa apresenta-se. Quando esse julgamento é oposto, portanto, negativo, a culpa toma vulto. Por outro lado, se é positivo, tem-se a sensação de encontrar-se sempre certo, o que é perigoso, já que o erro faz parte do processo de aprendizagem e de crescimento intelectual e moral. E graças ao conhecimento que esse sentimento se desenvolve. Desde a infância, o ser é orientado a descobrir o que é certo e o que é errado, de forma que possa sempre agir acertadamente, assim amadurecendo os conceitos morais, conforme o bem ou o mal que deles decorram em relação a si mesmo como ao seu próximo. Obrigada a participar do drama da vida, a criança é induzida a agir de forma sempre correta, conforme o padrão do seu meio ambiente, os valores éticos, as pressões existentes. Será esse comportamento que dará lugar ao 84. 84 senso de responsabilidade. Entretanto, a ação da responsabilidade pode dar- se sem se fazer acompanhar do sentimento de culpa, somente porque se haja equivocado, considerando-se as imensas possibilidades de recuperação. Toda vez que alguém com sentimento de culpa julga a própria conduta, se constata que os seus sentimentos se apresentam negativos, prejudiciais, sente vergonha dos mesmos e procura suprimi-los, amargurando-se por estar a vivenciá-los, mesmo que sem consciência, auto condenando-se. Com o acúmulo de conflitos e o represamento dos sentimentos, perde a capacidade de discernimento para saber como agir com correção. Nesse estado a auto-aceitação desaparece, dando lugar à repulsa por si mesmo, abrindo espaço para a tristeza, o medo e outros sentimentos perceptuais, que são identificados pelo ego. A vergonha, de algum modo, está mais vinculada às funções do corpo, quando não decorre dos atos morais. A herança antropológica permanece com destaque em muitas funções orgânicas, tais a alimentação e a eliminação, a aparência física, os movimentos... Normalmente são associados à conduta animal, quando grotescos ou vulgares. Torna-se indispensável que a educação contribua com orientação adequada, de modo a definir-se um comportamento saudável, que evite as associações depreciativas. Não obstante, a sociedade não se estruturaria, se não existissem esses sentimentos de culpa e de vergonha que, de alguma forma, funcionam como árbitro de muitas ações, contribuindo para o despertar do discernimento.