SOBRE NÓS :
VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.
MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.
Redirecionamento
quinta-feira, 9 de julho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE HOJE : DOENÇAS DA ALMA DO LIVRO: AMOR IMBATÍVEL AMOR - PALESTRANTE: VERA MONTANO . Lembrando que a partira das 19:00 temos, Atendimento Fraterno e Passe Individual...
DÉCIMA PARTE
Capítulo 45
DOENÇAS DA ALMA
O ser psicológico é o perfeito
reflexo da sua realidade plena. Sendo Espírito imortal, conduz o seu patrimônio
evolutivo — resultado das experiências ancestrais — que se encarrega de modelar
os conteúdos delicados da sua personalidade, elaborando processos de harmonia
ou desequilíbrio que resultam dos condicionamentos armazenados no psiquismo
profundo. Arquiteto da própria vida, em cada realização elabora, conscientemente
ou não, os moldes que se lhe constituirão mecanismos hábeis para a movimentação
nos novos investimentos. Elaborado pela energia inteligente, que o torna
especial no complexo campo das vibrações que se agita no Universo, o
direcionamento que resulte da arte e ciência de pensar responderá pela formação
das estruturas psicológicas e físicas, psíquicas e orgânicas com as quais se
haverá nos empreendimentos futuros. Conforme pensa, constrói os delicados e
sutis implementos que se transformarão em força atuante no mundo das formas. Ao
mesmo tempo, exterioriza ondas específicas que se imprimem nos painéis mentais,
aí insculpindo os processos psíquicos que comandarão as futuras atividades. Em
razão disso, quando as elaborações mentais não possuem carga superior de
energia, elaborando imagens perniciosas e inferiores, plasmam-se nos refolhos
íntimos as estruturas que irão delinear a conduta, ensejando harmonia ou
abrindo espaço para a instalação de psicopatologias variadas, que se imprimirão
nas engrenagens do conglomerado genético, definidor, de certo modo, graças ao períspirito,
da futura estrutura do indivíduo. As enfermidades da alma, portanto, procedem
de condutas atuais como de anteriores, a que se permitiu o Espírito,
engendrando as emanações morbíficas, que ora se convertem em distúrbio de
natureza complexa, e que passam a exigir terapia conveniente quão cuidadosa. O
ser jamais se evade de si mesmo, do Eu interior, que sobrevive à decomposição
cadavérica e é responsável por todas as ocorrências existenciais, face à sua
causalidade e à sua destinação, que tem caráter eterno. Assim sendo, é
totalmente decepcionante uma análise do indivíduo somente sob o ponto de vista
orgânico, por mais respeitável seja a Escola de pensamento que se atenha a esse
estudo. A hereditariedade e os implementos psicossociais, socioeconômicos, os
fatores perinatais e outros são insuficientes para abarcar a realidade do ser
humano em toda a sua complexidade. A alma transcende as emanações neuronais,
possuindo uma realidade que resiste à disjunção cerebral e por essa razão,
podendo pensar sem os seus equipamentos supersensíveis, embora esses não
consigam elaborar o pensamento sem a sua presença. Felizmente, a antiga
presunção organicista vem cedendo lugar a concepções mais compatíveis com a
realidade, deixando à margem a imposição acadêmica ancestral, para se firmar no
testemunho dos fatos ine- equívocos da experimentação contemporânea. Nessa
investigação, séria e nobre, em torno do ser tridimensional: Espírito, períspirito
e matéria, se pode encontrar a psicogênese das enfermidades da alma, como
também defrontar as patogêneses que assinalam a criatura humana no seu
transcurso evolutivo. O ser profundo, autor de todos os acontecimentos em sua
volta, é o Espírito, seja qual for o nome que se lhe atribua.
46. MAU HUMOR - Realizando um
périplo que se inicia na forma de princípio inteligente, o Espírito cresce
insculpindo conquistas e desacertos no âmago da sua realidade, definindo
formas, contornos e conteúdos, à medida que avança na esteira multifária da
evolução. Cada etapa se assinala por específica realização que se lhe torna
patamar de sustentação para novo passo, crescendo, a pouco e pouco, no rumo da auto
conquista. O desenvolvimento psicológico ocorre-lhe lentamente, plasmando-se
através das experiências que lhe desabrocham as potências adormecidas e que são
elementos constitutivos da sua realidade transcendental. De acordo com a
iluminação, e o discernimento conseguido, adquire consciência de culpa em decorrência
dos atos praticados, transferindo para os novos cometimentos a necessidade de
recuperação da tranquilidade perdida, que é o recurso hábil para a saúde
integral. O ser essencial é amor, no entanto, no processo de despertamento da
sua potencialidade divina, adquire expressões não legítimas, que passam a
atormentá-lo, já que fazem parte do processo de maturação através de
negatividades, que são o desamor e as máscaras do ego, expressando-se como
pseudo-amor. Face a esses mecanismos, com frequência as insatisfações e
conflitos dão curso a estados desagradáveis de comportamento, que se podem
transformar em enfermidades da alma, ou, em razão de suas raízes profundas no
ser, exteriorizam-se como máscaras do ego, como negatividades, decorrentes dos
desequilíbrios da conduta anterior. O mau humor, que resulta de distúrbios
emocionais profundos ou superficiais, se instala de forma sutil e passa a
constituir uma expressão constante no comportamento do indivíduo. Pode
apresentar-se com caráter transitório ou tornar-se crônico, convertendo-se em
verdadeira doença, que exige tratamento continuado e de longo prazo. Por trazer
as matrizes inseridas nos tecidos sutis da realidade espiritual, transfere-se
do campo psíquico para a organização somática através da hereditariedade, que
responde pela sua fixação profunda, de caráter expiatório. Em casos tão graves,
a terapia psiquiátrica é convocada a auxiliar o paciente, que se lhe deve
entregar com cuidado, ao mesmo tempo alterando o modo de encarar a vida, o
mundo e as pessoas, mediante cujo esforço renovará as paisagens íntimas e
elaborará novos painéis que lhe darão cor e beleza existenciais. Caracteriza-se
o mau humor pela apatia que o indivíduo sente em relação às ocorrências do dia-a-dia,
à dificuldade para divertir-se, aos impedimentos psicológicos de atingir metas
superiores, de bem desempenhar a função sexual, negando-se à mesma ou
atirando-se desordenadamente na busca de satisfações além do limite, mediante
mecanismo de fuga em torno da própria problemática. Torna-se, dessa forma,
pessoa solitária, egoísta, amarga... Tais características podem levar a um
diagnóstico equivocado de depressão, que se caracteriza por alternâncias de
conduta, enquanto que no estado de humor negativo a conduta é qual uma linha
reta, desinteressante, sem emoção, permanecendo constante, enquanto que na
depressão a mesma desce em fase profunda ou ascende, podendo libertar-se com
relativa facilidade. O oposto, o excesso de humor, também expressa disfunção
orgânica, revelando-se em traços da personalidade em forma exagerada de
otimismo que não tem qualquer justificação de conduta normal, já que se torna
uma euforia, responsável pela alteração do senso da realidade. Perde-se, nesse
estado, o contorno do que é real e passa-se ao exagero, tornando-se
irresponsável em relação aos próprios atos, já que tudo entende como de fácil
manejo e definição. Em tal situação, quando irrompe a doença, há uma excitação
que conduz o paciente às compras, à agitação, à insônia, com dificuldades de
concentração. Certamente que um momento de euforia como outro de mau humor
fazem parte do processo de se estar saudável, de comportar-se bem, de
encontrar-se em equilíbrio. A permanência num como noutro comportamento é que
denota o desajuste, a disfunção, a desarmonia emocional. Diante de uma pessoa
mal-humorada, a primeira ideia que ocorre à família ou aos amigos, é a de
proporcionar-lhe divertimento, mudança de clima psicológico, levando-a a
sorrir, tentando gerar situação agradável ou cômica, que se lhe apresenta
perturbadora, insossa, já que não consegue biologica- mente produzir enzimas
propiciadoras do bem-estar. O distímico sente-se pior, em tal circunstância,
formulando um conceito de culpa perturbador, ao sentir-se responsável por estar
preocupando aqueles que o estimam e o cercam, tornando-se lhe o lazer proposto
uma experiência ainda mais traumática. Ante o insucesso, familiares e amigos
recuam e passam à agressão mediante apodos, denominando o enfermo como
preguiçoso, indiferente ao afeto que lhe é direcionado, como se ele pudesse
alterar de um para outro momento o estado de enfermidade. Somente a paciência
familiar e fraternal, o envolvimento afetivo natural, sem exageros momentâneos
nem pseudoterapêuticos, e, concomitantemente a assistência psiquiátrica podem
oferecer os resultados que se desejam, e que são logrados com vagar. A
consciência de culpa ínsita no Espírito impõe-lhe uma conduta mal- humorada,
produzindo organicamente os fenômenos exteriores, que podem ser diluídos
mediante uma alteração na conduta do enfermo, que se deve esforçar, certamente
com muito sacrifício, a fim de recuperar-se dos equívocos, encetando novos
compromissos edificantes, mediante os quais diminuirá a dívida moral, auto
liberando-se do fardo esmagador. Por outro lado, a bioenergia constitui valioso
recurso terapêutico, por agir nos tecidos sutis do períspirito do enfermo,
auxiliando na reconstrução das suas engrenagens específicas, alterando o campo
vibratório, que redundará em modificação expressiva na área neuronal. A
distimia e a euforia são, portanto, doenças da alma, que necessitam de
conveniente estudo e tratamento, por assaltarem um número cada vez maior de
pacientes, vitimados por si mesmos e pelos variados fatores exógenos que a
todos envolvem na atualidade.
47. SUSPEITAS INFUNDADAS - O
indivíduo, assinalado por consciência de culpa decorrente dos atos passados,
que não soube ou não os quis regularizar quando do périplo carnal, renasce
possuído por conflitos que procura ocultar, não conseguindo supera- los no
mundo íntimo. Assim sendo, projeta no comportamento suspeitas infundadas em
relação às pessoas com quem convive, sempre temendo ser identificado pelos
erros, desmascarado e trazido à realidade da reparação. Essa conduta aflige e
corrói os valores morais, trabalhando-o de maneira negativa e perturbadora, de
tal forma que o torna arredio, agressivo e infeliz, levando-o, não poucas
vezes, a situações vexatórias, neuróticas, por encontrar inimigos hipotéticos
em toda parte, assim experimentando o fardo da culpa, que o anatematiza e
procura manter oculta. Toda vez que se encontra no grupo social, e duas ou mais
pessoas dialogam, sorriem ou se tornam austeras, logo lhe surge a ideia
infeliz, a suspeita tormentosa, de que se referem à sua pessoa, que comentam
negativamente o seu comportamento, ou invejosas, inferiores, comprazem-se em
persegui-lo e malsinar as suas horas. Tal conduta patológica torna-se um cruel
verdugo para o paciente, que se afasta do meio social, sentindo-se rejeitado,
de alguma forma detendo-se em conflito persecutório ou de ambição exagerada de
grandeza, através de raciocínios lógicos, tombando num quadro paranoico. Nesse
estado torna-se refratário a qualquer ajuda, em se considerando bem, sem
apresentar necessidade de alguma espécie, ao que sobrepõe o ego doentio, que se
supõe superior. O ser humano é essencialmente sua conduta pregressa. Em cada
etapa existencial adquire compromissos que se transformam em asas de libertação
ou algemas vigorosas, passando a sofrer as consequências que se transferem de
uma para outra existência física, do que lhe decorrem inevitáveis efeitos morais.
Ninguém, portanto, no grande périplo da evolução, que possa atravessar o
processo de crescimento evadindo-se das responsabilidades estatuídas pelos
Supremos Códigos e impressas na Lei natural, vigente em toda parte, que é o
amor. Toda e qualquer agressão a essa realidade transforma-se em contingente
aflitivo, que atormenta até romper o elo retentor. Por outro lado, todas as conquistas
se transformam em mapas de elevação, apontando rumos para o Infinito e a
Plenitude. Uma análise, portanto, do ser integral, impõe a visão
reencarnacionista, propiciadora dos valores de engrandecimento, estruturando-o,
fortalecendo-o. Recupera em uma etapa o que perdeu na anterior, não
necessariamente na última experiência, senão naquela que permanece como peso na
economia da evolução, aguardando ressarcimento. Está, portanto, no passado do
Espírito, próximo ou remoto, a causa de qualquer transtorno psicológico,
psíquico e orgânico, por constituir alicerce profundo do inconsciente, no qual
se apoiam as novas conquistas e surgem os comportamentos decorrentes. A
psicoterapia desempenha um papel relevante ao lado dos portadores de suspeitas
infundadas, auxiliando-os no autodescobrimento e na valorização da sua
realidade, não das supostas qualidades que não existem, assim como das
acusações que supõem lhes são feitas, e totalmente destituídas de funda- mento.
Nesse contubérnio de inquietação, mentes desassociadas do corpo, que deambulam
no Mundo Causal, utilizam-se do conflito e passam a obsidiar o paciente,
enviando-lhe mensagens telepáticas mais infelizes, que se tornam uma forma de auto
pensamento, tão frequentes e contínuas se lhes fazem que deem surgimento a
processos alienantes muito graves e de consequências imprevisíveis. Eis porque
o Evangelho desempenha um papel fundamental como terapêutica em processos de
tal envergadura como noutros, auxiliando o paciente a libertar-se das
suspeições atordoantes e avassaladoras. Sob tal orientação, o da saúde
espiritual surge às possibilidades de praxiterapias valiosas, que se sustentam
na ação do bem ao próximo, na caridade para com ele, resultando em caridade
para com a pessoa mesma. Lentamente se vão instalando novos raciocínios, visão
mais dilatada da realidade que se apresenta e a recuperação do distúrbio
fazem-se com segurança, propiciando equilíbrio e bem-estar.
48 SÍNDROME DE PÂNICO - Em 1980
foi estabelecido como sendo uma entidade específica, diferente de outros
transtornos de ansiedade, aquele que passou a ser denominado como síndrome de
pânico, ou melhor elucidando, como transtorno de pânico, em razão de suas
características serem diferentes dos conhecidos distúrbios. A designação tem
origem no deus Pan, da Mitologia grega, caracterizado pela sua fealdade e forma
grotesca, parte homem, parte cabra, e que se com- prazia em assustar as pessoas
que se acercavam do seu habitat, nas montanhas da Arcádia, provocando-lhes o
medo. Durante muito tempo, esse distúrbio foi designado indevidamente como
ansiedade, síndrome de despersonalização, ansiedade de separação, hipocondria,
histeria, depressão atípica, agora fobia, até ser estudado devidamente por
Sigmund Freud, ao descrever uma crise típica de pânico em uma jovem nos Alpes
Suíços. Anteriormente, durante a guerra franco-austríaca de 1871, o Dr. Marion
Da Costa examinou pacientes que voltavam do campo de batalha apresentando
terríveis comportamentos psicológicos, com crises de ansiedade, insegurança,
medo, diarreia, vertigens e ataques, entre outros sintomas, e que foram
denominados como coração irritável, por fim tornando- se conhecido como
Síndrome de Da Costa, pela valiosa contribuição que ele ofereceu ao seu estudo
e terapia. A síndrome de pânico pode ocorrer de um para outro momento e atinge
qualquer indivíduo, particularmente entre os 10 a 40 anos de idade, alcançando,
na atualidade, expressivo índice de vítimas, que oscilam entre 1% e 2% da
população em geral. Na atualidade apresenta-se com alta incidência, levando
grande número de pacientes a aflições inomináveis. Existem fatores que
desencadeiam, agravam ou atenuam essa ocorrência e podem ser catalogados como
físicos e psicológicos. Já não se pode mais considerar como responsável pelos
distúrbios mentais e psicológicos uma causa unívoca, porém, uma série de
fatores predisponentes como ambientais, especialmente no de pânico. Entre os
primeiros se destacam os da hereditariedade, que se responsabilizam pela
fragilidade psíquica e pela ansiedade de separação. Tais fatores genéticos
facultam o desencadear da predisposição biológica para a instalação do
distúrbio de pânico. Por outro lado, os conflitos infantis, geradores de
insegurança e ansiedade, facultam o campo hábil para a instalação do pânico,
quando se dá qualquer ocorrência direta ou indireta, que se responsabiliza pelo
desencadeamento da crise. Acredita-se que a responsabilidade básica esteja no
excesso de serotonina sobre o Sistema Nervoso Central, podendo ser controlada a
crise mediante aplicação de drogas específicas tais clonazepam, não obstante
ainda seja desconhecido o efeito produzido em relação a esse neuro-receptor. O
surto ou crise é de efeitos alarmantes, por transmitir uma sensação de morte,
gerando pavor e desespero, que não cedem facilmente. A utilização de palavras
gentis, os cuidados verbais e emocionais com o paciente não operam o resultado
desejado, em razão da disfunção orgânica, que faculta a instalação da
ocorrência, embora contribuam para fortalecer no enfermo a esperança de
recuperação e poder trabalhar-se o psiquismo de forma positiva, que minora a
sucessão dos episódios devastadores. Não raro, o paciente, desestruturado
emocionalmente e vitimado pela sucessão das crises, pode desenvolver um estado
profundo de agora fobia ou derrapar em alcoolismo, toxicomania, como evasões do
problema, que mais o agravam, sem dúvida. É uma doença que se instala com mais frequência
na mulher, embora ocorra também no homem, e não se trata de um problema
exclusivamente con- temporâneo, resultado do estresse dos dias atuais, em razão
de ser conhecida desde a Grécia antiga, havendo sido, isto sim, melhor
identificada mais recentemente, podendo ser curada com cuidadoso tratamento
psiquiátrico ou psicológico, desde que o paciente se lhe submeta com tranquilidade
e sem a pressa que costuma acompanhar alguns processos de recuperação da saúde
mental. O distúrbio de pânico encontra-se enraizado no ser que desconsiderou as
Soberanas Leis e se reencarna com predisposição fisiológica, imprimindo nos
gens a necessidade da reparação dos delitos transatos que permaneceram sem
justa retificação, porque desconhecidos da Justiça humana, jamais, porém, da
divina e da própria consciência do infrator. Por isso mesmo, o portador de
distúrbio de pânico não transfere por hereditariedade necessariamente a predisposição
aos seus descendentes, podendo, ele próprio não ter antecessor nos familiares
com essa disfunção explícita. Indispensável esclarecer que, embora a gravidade
da crise, o distúrbio de pânico não leva o paciente à desencarnação, apesar de
dar-lhe essa estranha e dolorosa sensação.
49. SEDE DE VINGANÇA - O
comportamento paranoico gera uma gama de aflições perturbadoras de grande
densidade, alienando o paciente que perde relativamente o contato com a
realidade objetiva. Deambulando pelos dédalos da insensatez, sente-se acuado
pelos conflitos, que transfere de responsabilidade, sempre acusando as demais
pessoas de o não entenderem e o perseguirem, empurrando-o para o in- sucesso, a
infelicidade... Afastando-se do conjunto social elabora mecanismos de desforço
como fenômeno de auto-realização, engendrando formas de constatar a
superioridade mediante a queda daquele que é considerado seu opositor. Nesse
estado de inquietação engendra formas de análise inadequada em torno da conduta
alheia, derrapando em maledicências, em exageros de in- formações que não
correspondem à realidade, culminando em calúnias, que possam caracterizar
imperfeição do seu opositor, situando-o em plano de inferioridade. Dessa forma,
quando o outro, o inimigo, experimenta qualquer dessas, tormento ou provação, o
enfermo que se lhe opõe experimenta uma alegria íntima muito grande como
compensação da inferioridade na qual estagia. Esse tormento faz-se tão cruel
que, não raro, o paciente torna-se algoz inclemente daquele que se lhe torna vítima.
Na raiz desse como de outros transtornos da personalidade encontram-se o
egoísmo exacerbado e o orgulho, que são os cânceres morais encarregados de
desorganizar o ser humano, tornando-o revel. A mente, concentrada no conteúdo
da mensagem que elabora, termina por influenciar os neurônios que lhe sofrem a
indução psíquica e passam a produzir substâncias equivalentes à qualidade de
onda, dando curso ao bem-estar ou aos conflitos perturbadores. Quando essa
indução é mais demorada e produz agravantes de efeitos danosos, transfere-se de
uma para outra existência, imprimindo nos tecidos sutis do perispírito os
prejuízos causados, que remanescem como provas ou expiações que assinalam
profundamente o ser espiritual. Face a essa razão, são impressas nos componentes
genéticos as necessidades de reparação, assinalando o Espírito com os
distúrbios a que deu lugar a sua conduta desastrosa. A sede de vingança é
lamentável conduta espiritual que termina por afligir aquele que a vitaliza
interiormente. Cabe ao indivíduo envidar todos os esforços para vencer esse
sentimento inferior, que lhe constitui motivo de demoradas angústias, porqüanto
é impossível desfrutar da infelicidade alheia, alegrando-se quando outrem
sofre. A aparente alegria, resultado da satisfação por sentir-se vingado, logo
se transforma em profunda frustração, por desaparecer-lhe o motivo existencial.
A vida tem definidas metas que constituem motivação para a sua experiência.
Quando desaparecem, o sentido existencial emurchece, se instalam as distonias, e
transtornos especiais tomam lugar na área do equilíbrio. Cabe ao infrator
desenvolver a coragem para entender que o problema não procede do exterior, de
outra pessoa, porém, dele mesmo, em razão dos seus conflitos, da sua limitada
percepção de consciência, em razão do trânsito em faixas primárias do
conhecimento. Todavia, resolvendo-se por adquirir a saúde emocional, cumpre-lhe
esforçar-se por reverter a situação, domando as más inclinações, dentre as
quais se destaca a sede de vingança. Lentamente, porém, com segurança, o amor
abre-lhe perspectivas dantes não imaginadas, que se vão ampliando até conseguir
a perfeita compreensão da luta que deve travar em seu mundo íntimo, a fim de auto
superar-se e encontrar a felicidade. Todo o esforço de educação pessoal em
superar as más inclinações constitui terapia valiosa para a saúde integral.
Ninguém há que se considere sem necessidade dessa avaliação pessoal e do consequente
esforço para consegui-la.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE TERÇA (07/07) ÀS 20:00 - MÚSICA "MAIS UMA VEZ" DE RENATO RUSSO - PALESTRANTE: AMANDA BURGOS
Mais Uma Vez
Renato Russo
Mas é claro que o Sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o Sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o Sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o Sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
quinta-feira, 2 de julho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUINTA FEIRA (02/07) - JOÃO BATISTA NA VISÃO ESPÍRITA - PALESTRANTE: SUZY MOREAU
JOÃO BATISTA, O PRECURSOR
João Batista nasceu seis meses antes de Jesus. Era filho de Zacarias, sacerdote "da classe de Abias", um dos 24 que serviam no Templo de Jerusalém, e de Isabel, uma das "filhas de Arão". Era parente próximo de Maria de Nazaré.
Certo dia, enquanto Zacarias fazia as oferendas no Templo, foi saudado por Gabriel (Espírito) - o mesmo que anunciou a Maria o nascimento de Jesus - o qual disse que o casal teria um filho, ao qual seria dado o nome de João e que viria "preparar ao Senhor um povo bem disposto".
Zacarias não acreditou no anúncio do Espírito, por duas razões: Isabel era estéril e os dois já estavam avançados em idade. As Escrituras dizem que como castigo, Zacarias ficou mudo até a criança nascer. Mas, convenhamos, foi uma determinação providencial da Espiritualidade, afinal, se ele duvidou da comunicação, por certo que não teria uma atitude conveniente diante do fato.
O nome dele não era João Batista. Ele ficou conhecido como João, o Batista, porque batizava nas águas do Rio Jordão. Interessante notar que os judeus não tinham sobrenome. O menino era chamado "filho de fulano" (ben, em hebraico e bar, em aramaico). Exemplo: Yesua ben José; ou Yesua bar José, ou seja, Jesus filho de José. No caso de João: Yochanan (João) ben Zacarias; ou João bar Zacarias, isto é: João Filho de Zacarias.
Quando seus pais morreram, João passou a viver em um santuário essênio, tendo se iniciado em seus ensinamentos, mas os Manuscritos de Qumrã não se referem a ele. Jesus disse que Ele foi o profeta Elias, em vida anterior ("E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça") ; ("E os seus discípulos o interrogaram, dizendo:
Porque dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. Então compreenderam os discípulos que lhes falara de João, o Batista")
João Batista pregava às margens do Rio Jordão, em Betânia, alertando para a vinda próxima do Messias e insistindo no refazimento espiritual, endireitando os caminhos morais e aprimorando os impulsos mentais com humildade e paciência.
seu batismo tinha o significado de um compromisso de mudança interior - reforma íntima, mas esclarecia que batizava com água para o arrependimento, e observava: (" ... vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcatas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito santo, e com fogo").
O batismo do Espírito - o batismo com fogo, que deve-se buscar incessantemente, é o que devemos ministrar aos nossos filhos e entes queridos, através da evangelização, à proporção que eles forem atingindo a idade que lhe permita assimilar os ensinamentos de Jesus em espírito e verdade.
Emmanuel, na resposta à questão 298 do livro O Consolador (FEB), psicografado por Francisco Cândido Xavier, esclarece: "Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de paternidade, devem compreender que o batismo, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificado da família".
Altamirando Carneiro - Jornal O semeador
quarta-feira, 1 de julho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUARTA-FEIRA (01/07) ÀS 16:00 - RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS DO EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO. PALESTRANTE: ADILSON FREITAS
Reconhece-se o Cristão pelas suas Obras
"Não basta apelar para Jesus, exclamando Senhor,Senhor! Quando não se segue os preceitos por ele ensinados.
De nada adianta implorar a ajuda de Deus, se não se busca melhorar e superar a si mesmo, se não se torna mais caridoso, nem mais indulgente com os semelhantes. Não são cristãos verdadeiros aqueles que apenas se comprazem em atos exteriores de devoção, ou que se encastelam nas muralhas do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de outras paixões degradantes, ou que não fazem nada por ninguém.
Quando Jesus recomenda edificar a casa sobre a rocha, refere-se à necessidade de ter uma diretriz segura no desenvolvimento da vida, vivenciar o bem, o amor ao próximo no pensamento e na ação.Aquele que possui uma fé consolidada pela razão e inspirada no amor não pode ser inoperante. Por outro lado, o indivíduo invigilante, vacilante, que toma conhecimento dos ensinamentos evangélicos, mas que vive fechado em si mesmo, esse construiu a sua casa sobre a areia movediça, e qualquer tribulação terrena a faz esmorecer.
Esse é um cristão apenas de nome, mas que não vive em si mesmo a essência dos ensinamentos de Jesus, pois não despertou para a legria da interioridade e do dar de si. Cristão não é um rótulo, mas uma vivência. O Evangelho não é para ser lido e guardado na estante, ele tem que ser vivido, aplicado em toda a vida de relação. Para se tornar um cristão digno de ser chamado como tal é imprescindível revelar-se pelas suas obras, em qualquer circunstância da vida. Cristão, na verdadeira acepção da palavra, não é somente aquele que guarda os ensinamentos de Jesus nas expressões mais sinceras do coração, que se torna dócil, compreensível, misericordioso, mas aquele que também busca motivos edificantes que realmente ergam o reino da interioridade sobre alicerces que o sustentem.
De nada adianta viver uma vida de contemplação, ou passar o dia rezando, se não dinamizarmos o nosso interior na alegria de dar de si com amor ao próximo. Os Espíritos, em sua essência divina, não foram criados para permanecer em repouso, mas para dinamizar suas potências no trabalho, no exercício da caridade, sendo agentes e transformadores do meio em que vivem.
A fé verdadeira é dinâmica, e não estática. Quando Jesus afirma que "reconhece-se uma boa árvora pelos seus frutos"(Mt 7:20), é indispensável questionar quais os frutos que produzimos, e se beneficiam de fato nossos irmãos.As diversas encarnações representam oportunidades vastíssimas para a prática do bem, cabe a nós gerarmos os frutos e transubstanciá-los em natureza divina."
ESE- Cap.XVIII- Item 16
quinta-feira, 18 de junho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUINTA-FEIRA (18/06) ÀS 20:00 - A GÊNESE ORGÂNICA DO LIVRO A GÊNESE. PALESTRANTE: ERICSON MENDONÇA
A Gênese Orgânica - Cap. 9
Formação primária dos seres vivos
O estudo das camadas geológicas revela que cada espécie
animal e vegetal surgiu simultaneamente em vários pontos do globo, bastante
afastados uns dos outros, o que atesta a previdência divina, garantindo
condições de sobrevivência apesar das vicissitudes a que estavam sujeitas.
A grande Lei de unidade que rege a formação dos corpos
inorgânicos preside também a criação material dos seres vivos. A combinação de
substâncias elementares como o oxigênio, hidrogênio, carbono, azoto, cloro,
iodo, flúor, enxofre, fósforo e todos os metais, formam as substâncias
compostas tais como os óxidos, ácidos, álcalis, sais que por sua vez combinados
resultam em inúmeras variedades, estudadas em laboratórios pela Química e
operadas "em larga escala no grande laboratório da Natureza."
A composição dos corpos ocorre quando existem condições
favoráveis como grau de calor, umidade, movimento ou repouso, corrente
elétrica, etc, e em função da afinidade molecular de seus princípios
elementares que se combinam guardando proporções definidas.
Na origem da Terra os princípios elementares apresentavam-se
volatilizados no ar. Com o gradativo resfriamento e sob condições favoráveis,
precipitaram-se formando combinações donde resultaram as variedades de
carbonatos, sulfatos, etc.
A cristalização é o notável fenômeno resultante da passagem
do estado líquido ou gasoso para o sólido assumindo formas regulares de sólidos
geométricos tais como, de prisma, cubo, pirâmide. A forma geométrica do corpo
corresponde à das moléculas componentes e somente ocorre o fenômeno diante de
condições específicas de grau de temperatura e repouso absoluto.
No reino animal e vegetal a composição básica é a mesma dos
corpos inorgânicos, principalmente o carbono, oxigênio, hidrogênio, azoto, de
cujas combinações e variadas proporções resultam as inúmeras substâncias
orgânicas, desde que encontrem circunstâncias propícias no meio em que se
desenvolvem. Alterando-se as condições do meio, diminui ou cessa o
desenvolvimento da vida orgânica até que novamente haja as condições ideais
para o ressurgimento da vida. Cada espécie de cristal assim como cada espécie
orgânica se reproduzem segundo forma e cores semelhantes, por estarem sujeitas
à mesma Lei.
Princípio vital
Uma molécula composta por ex. de carbono, hidrogênio,
oxigênio e azoto, poderá resultar em um mineral ou, se estiver modificada pelo
princípio vital, resultará em uma molécula orgânica. Ao se formarem, portanto,
os seres orgânicos assimilam o princípio vital que dá às moléculas propriedades
especiais. Sua atividade é alimentada pela ação do funcionamento dos órgãos
durante toda a vida até sua extinção.
Pode-se comparar o princípio vital à ação da eletricidade,
de modo que os corpos orgânicos seriam como pilhas elétricas que
"funcionam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de
produzir eletricidade: é a vida; que deixam de funcionar, quando tais condições
desaparecem: é a morte."
Geração espontânea
Observa-se que no mundo atual o princípio da geração
espontânea aplica-se aos seres de organismo extremamente simples, rudimentar,
do reino vegetal e animal, como o musgo, o líquen, o zoófito, os vermes
intestinais. Muito embora os seres de organização complexa não se reproduzam
espontaneamente, não se sabe como começaram, pois ninguém conhece o segredo de
todas as transformações, entendendo-se assim a teoria da geração espontânea
permanente apenas como hipótese.
Escala dos seres orgânicos
No início da escala situam-se os zoófitos (animais-plantas),
que têm a aparência exterior da planta, mantém-se preso ao solo, "mas como
o animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua
alimentação".
As plantas e os animais têm em comum: nascem, vivem,
crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem. Necessitam de luz, calor,
água, ar puro. Enquanto as plantas se mantêm presas ao solo, os animais, um
degrau acima, se movimentam, como os pólipos; após o início do desenvolvimento
dos órgãos, atividade vital e instintos estão os helmintos, moluscos(lesma,
polvo, caracol, ostra), crustáceos(caranguejo, lagosta), insetos (em alguns dos
quais se desenvolve o instinto engenhoso, como nas formigas, abelhas, aranhas).
Segue-se a ordem dos vertebrados (peixes, répteis, pássaros) e os mamíferos
(organização mais complexa).
Se percorrermos a escala degrau por degrau, sem solução de
continuidade, chegaremos da planta aos animais vertebrados, podendo compreender
a possibilidade de que os animais de organização complexa sejam o
desenvolvimento gradual da espécie imediatamente inferior, até chegar ao
primitivo ser elementar. Assim o princípio da geração espontânea aplicar-se-ia
somente aos seres de organização elementar, sendo as espécies superiores
resultantes das transformações sucessivas daqueles. Após adquirirem a faculdade
da reprodução, os cruzamentos originaram novas variedades. A partir daí não
mais havia necessidade dos germens primitivos, pelo que desapareceram. Esta
teoria, que tende a predominar na Ciência, evidencia a causa de não haver
geração espontânea entre animais de organização complexa.
O homem corpóreo
Anatomicamente o homem pertence á classe dos mamíferos,
ordem dos bímanos, com pequenas modificações de forma exterior, porém com a
mesma composição de todos os animais, com órgãos e funções, modos de nutrição,
respiração, secreção e reprodução idênticos. Nasce, vive e morre decompondo-se
seu corpo como toda a espécie animal, quando os elementos irão compor novos
minerais, vegetais e animais.
Os quadrúmanos (animais com quatro mãos, como o orangotango,
chipanzé, jocó) também caminham eretos, usam cajados, constroem choças e se
alimentam usando as mãos. Isso leva a observação de que "acompanhando-se
passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um
aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior".
terça-feira, 16 de junho de 2015
TEMA DA DOUTRINÁRIA DE QUARTA-FEIRA (17/06) ÀS 16:00 - A PARÁBOLA DO FESTIM DE NÚPCIAS DO EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO
Parábola da Festa de Núpcias
E respondendo Jesus, lhes tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que desejando fazer as bodas a seu filho, mandou os seus servos a chamar os convidados para a bodas, mas eles recusaram ir. Enviou de novo outros servos, com este recado aos convidados: Eis aqui tenho preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados estão já mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo,outro para o seu tráfico. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e depois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei, tendo ouvido isto, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade. Então disseaos seus servos: As bodas com efeito estão aparelhadas, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas, e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tenho os seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou depois o rei para ver os que estavam à Mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? Mas ele emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos. (Mateus, XXII: 1-4)
O incrédulo ri
desta parábola, que lhe parece de uma pueril ingenuidade, pois não admite que
haja tantas dificuldades para realização de um banquete, e ainda mais quando os
convidados chegam a ponto de massacrar os enviados do dono da casa. “As
parábolas – diz ele – são naturalmente alegorias, mas não devem passar os
limites do possível”.
O mesmo se
pode dizer de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não lhes
descobrimos o sentido oculto. Jesus se inspirava nas usanças mais comuns da
vida, e adaptava as suas parábolas aos costumes e ao caráter do povo a que se
dirigia. A maioria delas tinha por fim fazer penetrar nas massas populares a
idéia da vida espiritual; e seu sentido só parece incompreensível para os que não
se colocam nesse ponto de vista.
Nesta parábola, por exemplo, Jesus
compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa
nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em
primeiro lugar para o conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são os
profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade,
mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e
muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados
que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de
seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas
terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes.
Acreditavam os judeus de então que a
sua nação devia conquistar a supremacia sobre todas as outras. Pois não havia
Deus prometido a Abraão que a sua posterioridade cobriria a Terra inteira?
Tomando sempre a forma pelo fundo, eles se julgavam destinados a uma dominação
efetiva, no plano material.
Antes da vinda do Cristo, com
exceção dos hebreus, todos os povos eram politeístas e idólatras. Se alguns
homens superiores haviam atingido a idéia da unidade divina, essa idéia
entretanto permanecia como sistema pessoal, pois em nenhuma parte foi aceita
como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados, que ocultavam os seus
conhecimentos sob formas misteriosas, impenetráveis à compreensão do povo. Os
judeus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo. Foi a eles
que Deus transmitiu a sua lei; primeiro através de Moisés, depois através de
Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que devia expandir-se pelo mundo
inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posterioridade espiritual “tão
numerosa como as estrelas do firmamento”.
Mas os judeus, embora repelindo a
idolatria, haviam negligenciado a lei moral, para se dedicar à prática mais
fácil do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo: a nação, dominada pelos
romanos, estava esfacelada pelas facções, dividida pelas seitas; a própria
incredulidade havia atingido até mesmo o santuário. Foi então que Jesus
apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos
horizontes da vida futura. Primeiros convidados ao banquete da fé universal,
eles repeliram, porém, as palavras do celeste Messias, e o sacrificaram. Foi
assim que perderam o fruto que deviam colher da sua própria iniciativa.
Seria injusto, entretanto, acusar o
povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos
fariseus e aos saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu
orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo,
que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de
núpcias, e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que
fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra
seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a,
seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.
Mas não basta ser convidado; não
basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do
banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir
a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o
espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade
não há salvação. Mas entre todos os que ouvem a palavra divina, quão poucos são
os que guardam e a aproveitam! Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino
dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: Muitos serão os chamados e poucos os
escolhidos.
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domingo, 14 de junho de 2015
Tema da doutrinária de hoje - Domingo (14/06) às 16:00 - Tema: A Lei de Amor. Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Palestrante: Adalto Carneiro
A Lei de Amor
"O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto
que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos
elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos;
quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e
depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o
amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em
seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei
de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias
sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor
os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria
da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora
de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos
sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra
do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos
túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas
deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz
o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue
resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.
Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía.
Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta,
aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a
criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que
aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os
instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o
progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados
são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados
aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza
futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens
terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que
liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das
alegrias celestes."
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Tema da doutrinária de hoje - Quinta-feira (11/06) às 20:00 - Tema: Conduta Espírita do Medium. Livro: Conduta Espírita de André Luiz. Palestrante: Robson Ferrer
Esquivar-se à suposição de que detém responsabilidades ou missões de avultada transcendência, reconhecendo-se humilde portador de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa.
O seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor.
No horário disponível entre as obrigações familiares e o trabalho que lhe garante a subsistência, vencer os imprevistos que lhe possam impedir o comparecimento às sessões, tais como visitas inesperadas, fenômenos climatéricos e outros motivos, sustentando lealdade ao próprio dever.
Sem euforia íntima não há exercício mediúnico produtivo. Preparar a própria alma em prece e meditação, antes da atividade mediúnica, evitando, porém, concentrar-se mentalmente para semelhante mister durante as explanações doutrinárias, salvo quando lhe caibam tarefas especiais concomitantes, a fim de que não se prive do ensinamento.
A oração é luz na alma refletindo a Luz Divina. Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos.
O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.
Silenciar qualquer prurido de evidência pessoal na produção desse ou daquele fenômeno.
A espontaneidade é o selo de crédito em nossas comunicações com o Reino do Espírito. Mesmo indiretamente, não retirar proveito material das produções que obtenha.
Não há serviço santificante na mediunidade vinculada a interesses inferiores.
Extinguir obstáculos, preocupações e impressões negativas que se relacionem com o intercâmbio mediúnico, quais sejam, a questão da consciência vigilante ou da inconsciência sonambúlica durante o transe, os temores inúteis e as suscetibilidades doentias, guiando-se pela fé raciocinada e pelo devotamento aos semelhantes.
Quem se propõe avançar no bem, deve olvidar toda causa de perturbação. Ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, recusar o tóxico da lisonja. No rastro do orgulho, segue a ruína.
Fugir aos perigos que ameaçam a mediunidade, como sejam a ambição, a ausência de autocrítica, a falta de perseverança no bem e a vaidade com que se julga invulnerável. O medianeiro carrega consigo os maiores inimigos de si próprio.
“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” — Paulo. (I CORÍNTIOS, 12:7.)
segunda-feira, 8 de junho de 2015
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