SOBRE NÓS :

VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.

MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.

Redirecionamento

quarta-feira, 22 de abril de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE AMANHÃ, QUINTA FEIRA, DIA 23/04/2015, AS 20:00 - PLENIFICAÇÃO INTERIOR, do Livro: O HOMEM INTEGRAL pelo Espírito Joanna de Angelis - PALESTRANTE: Dilson Moura


SÉTIMA PARTE
 PLENIFICAÇÃO INTERIOR


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Problemas sexuais

Herança animal predominante em a natureza humana, o instinto de reprodução da espécie exerce um papel de funda­mental importância no comportamento dos seres. Funcionan­do por impulsos orgânicos nos irracionais, expressa-se como manifestação propiciatória à fecundação nos ciclos orgâni­cos, periódicos, em ritmos equilibrados de vida.
No homem, face ao uso, que nem sempre obedece à fina­lidade precípua da perpetuação das formas, experimenta agres­sões e desvios que o desnaturam, tornando-se, o sexo, fator de desditas e problemas da mais variada expressão.
Face à sensação de prazer que lhe é inata, a fim de atrair os parceiros para a comunhão reprodutora, torna-se fonte de tormentos que delineiam o futuro da criatura.
Considerando-se a força do impulso sexual, no compor­tamento psicológico do homem, as disjunções orgânicas, a configuração anatômica e o temperamento emocional tornam-se de valor preponderante na vida, no inter-relacionamento pessoal, na atitude existencial de cada qual.
A sua carga compressiva, no entanto, transfere-se de uma para outra existência corporal, facultando um uso disciplina­do, corretor, em injunções específicas, que por falta de escla­recimento leva o indivíduo a uma ampla gama de psicopato­logias destrutivas na área da personalidade.
Com muita razão, Alice Bailey afirmava, diante dos fe­nômenos de alienação mental, que eles podem ser “... de na­tureza psicológica, hereditários por contatos coletivos e cár­micos”. Introduzia, então, o conceito cármico, na condição de fator desencadeante das enfermidades a expressar-se nas manifestações da libido, de relevante importância nos estu­dos freudianos.
O conceito, em torno do qual o homem é um animal sexu­al, peca, porém, pelo exagero.
Naturalmente, as heranças atá­vicas impõem-lhe a força do instinto sobre a razão, levando-o a estados ansiosos como depressivos. Todavia, a necessida­de do amor é-lhe superior. Por falta de uma equilibrada com­preensão da afetividade, deriva para as falazes sensações do desejo, em detrimento das compensações da emoção.
Mais difícil se apresenta um saudável relacionamento afe­tivo do que o intercurso apressado da explosão sexual, no qual o instinto se expressa, deixando, não poucas vezes, frus­tração emocional.
Passados os rápidos momentos da comu­nhão física, e já se manifestam a insatisfação, o arrependi­mento, os conflitos perturbadores...
A falta de esclarecimento, no passado, em torno das fun­ções do sexo, os mistérios e a ignorância com que o vestiram, desnaturaram-no.
A denominada revolução sexual dos últimos tempos, igualmente, ao demitizá-lo, abriu espaços de promiscuidade para os excessivos mitos do prazer, com a conseqüente des­valorização da pessoa, que se tornou objeto, instrumento de troca, indivíduo descartável, fora de qualquer consideração, respeito ou dignidade.
A sociedade contemporânea sofre, agora. os efeitos da liberação sem disciplina, através da qual a criatura vive a ser­viço do sexo, e não este para o ser inteligente, que o deve conduzir com finalidades definidas e tranqüilizadoras.
As aberrações se apresentam, neste momento, com cida­dania funcional, levando os seus pacientes a patologias gra­ves que alucinam, matam e os levam a matar-se.
A consciência deve dirigir a conduta sexual de cada indi­víduo, que lhe assumirá as conseqüências naturais.
Da mesma forma que uma educação castradora é respon­sável por inúmeros conflitos, a liberativa em excesso abre comportas para abusos injustificáveis e de lamentáveis efei­tos no psiquismo profundo.
A vida se mantém sob padrões de ordem, onde quer que se manifeste. Não há, aí, exceção para o comportamento do homem. Por esta razão, o uso indevido de qualquer função produz distúrbios, desajustes, carências, que somente a edu­cação do hábito consegue harmonizar.
Afinal, o homem não é apenas um feixe de sensações, mas, também, de emoções, que pode e deve canalizar para objetivos que o promovam, nos quais centralize os seus inte­resses, motivando-o a esforços que serão compensados pelos resultados benéficos.
Exclusão feita aos portadores de enfermidades mentais a se refletirem na conduta sexual, o pensamento é portador de insuspeitável influência, no que tange a uma salutar ou dese­quilibrada ação genésica.
o mesmo fenômeno ocorre nas mais diferentes manifes­tações da vida humana. Mediante o seu cultivo, eles se exte­riorizam no comportamento de forma equivalente.
A vida, portanto, saudável, na área do sexo, decorre da educação mental, da canalização correta das energias, da ação física pelo trabalho, pelos desportos, pelas conversações edi­ficantes que proporcionam resistência contra os derivativos, auxiliando o indivíduo na eleição de atitudes que proporcio­nam bem-estar onde quer que se encontre.
As ambições malconduzidas, toda frustração decorrente do querer e não poder realizar, dão nascimento ao conflito. O conflito, por sua vez, quando não eqüacionado pela tranqüila aceitação do fato, sobrepondo a identidade real ao ego domi­nador e insaciável, termina por gerar neuroses. Estas, susten­tadas pela insatisfação, transmudam-se em paranóia de ca­tastróficos resultados na personalidade.
Considerado na sua função real e normal, o sexo é san­tuário da vida, e não paul de intoxicação e morte.
Estimulado pelo amor, que lhe tem ascendência emocio­nal, propicia as mais altas expressões da beleza, da harmo­nia, da realização pessoal; acalma, encoraja para a vida, tor­nando-se um dínamo gerador de alegrias.
Os problemas sexuais se enraízam no espírito, que se atur­de com o desregramento que impõe ao corpo, exaurindo as glândulas genésicas e exteriorizando-se em funções incorre­tas, que se fazem psicopatologias graves, a empurrar a sua vítima para os abismos da sombra, da perversidade e do cri­me.
A liberação das distonias sexuais, mais perturbam o ser, que se transfere de uma para outra sensação com sede cres­cente, mergulhando na promiscuidade, por desrespeito e des­prezo a si mesmo e, por extensão, aos outros. A sua é uma óptica desfocada, pela qual passa a ver o mundo e as demais pessoas na condição de portadoras dos seus mesmos proble­mas, só que mascaradas ou susceptíveis de viverem aquela conduta, quando não deseja impor a sua postura especial como regra geral para a sociedade.
Sob conflito psicológico, o portador de problema sexual, ou de outra natureza, não se aceita, fugindo para outros com­portamentos dissimuladores; ou quando se conscientiza e re­solve-se por vivê-lo, assume feição chocante, agressiva, como uma forma de enfrentar os demais, de maneira antinatural, demonstrando que não o digeriu nem o assimilou.
Toda exibição oculta um conflito de timidez ou inconfor­mação, de carência ou incapacidade.
Uma terapia psicológica bem cuidada atenua o problema sexual, cabendo ao paciente fazer uma tranqüila auto-análi­se, que lhe faculte viver em harmonia com a sua realidade interna, nem sempre compatível com a sua manifestação ex­terna.
Não basta satisfazer o sexo — toda fome e sede, de mo­mento, saciadas, retornam, em ocasião própria — mas, har­monizar-se, emocionalmente, vivendo em paz de consciên­cia, embora com alguma fome perfeitamente suportável, ao invés do constante conflito da insatisfação decorrente da ima­ginação fértil, que programa prazeres contínuos e elege com­panhias impossíveis de conseguidas em qualquer faixa sexu­al que se estagie.
Ninguém se sente pleno, no mundo, acreditando-se haver logrado tudo quanto desejava.
A aspiração natural e calma para atingir um próximo pa­tamar, faz-se estímulo para o progresso do indivíduo e da sociedade.
Os problemas sexuais, por isto mesmo, devem ser enfren­tados sem hipocrisia, nem cinismo, fora de padrões estereoti­pados por falsa moralidade, tampouco levados à conta de pequeno significado. São dificuldades e, como tais, merecem consideração, tempo e ação especializada.


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Relacionamentos perturbadores

Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam-se in­capazes de manter um relacionamento estável. Pela própria constituição psicológica, são perturbadores de afetividade obsessiva e, porque inseguros, são desconfiados, ciumentos, por conseqüência depressivos ou capazes de inesperadas ir­rupções de agressividade.
Os conflitos de que são portadores os levam a uma atitu­de isolacionista, resultado da insatisfação e constante irrita­bilidade contra tudo e todos. Crêem não merecer o amor de outrem e, se tal acontece, assumem o estranho comportamento de acreditar que os outros não lhes merecem a afeição, po­dendo traí-los ou abandoná-los na primeira oportunidade. Quando se vinculam, fazem-se absorventes, castradores, exi­gindo que os seus afetos vivam em caráter de exclusividade para eles. São, desse modo, relacionamentos perturbadores, egocêntricos.
O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologica­mente equilibrado; usina de forças para manter os equipa­mentos emocionais em funcionamento harmônico. E uma forma de negação de si mesmo em autodoação plenificadora. Não se escora em suspeitas, nem exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido com o dever de retribuição, também ama. Quando, por acaso, não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que o seu e o objetivo de doar-se, e não de exigir. Permite a liberdade ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.
Quando estas características estão ausentes, o amor é uma palavra que veste a memória condicionada da sociedade, em torno dos desejos lúbricos, e não do real sentimento que ele representa.
Esse relacionamento perturbador faz da outra pessoa um objeto possuído, por sua vez, igualmente possuidor, gerando a desumanização de ambos.
Ao dizer-se meu amigo, minha esposa, meu filho, meu companheiro, meu dinheiro, a posse está presente e a sub­missão do possuído é manifesta sem resistência, evitando conflitos no possuidor, não obstante, em conflito aquele que se deixa possuir, até o momento da indiferença, por satura­ção, desinteresse, ou da reação, do rompimento, transforman­do-se o afeto-posse em animosidade, em ódio.
Necessária uma nova conduta e para isto a psicologia pro­funda se torna o estudo de uma nova linguagem libertadora.
A palavra é um símbolo que veste a idéia; por sua vez, formulação de pensamento, que se torna uma memória acu­mulada e retorna quando se deseja vesti-lo.
A memória da sociedade adicionou conceitos sobre o amor e o relacionamento, estabelecendo sinais que os caracterizam, sem que auscultasse as suas estruturas psicológicas despidas de símbolos.
O homem deve comprometer-se ao autodescobrimento, para ser feliz, identificando seus defeitos e suas boas quali­dades, sem autopunição, sem autojulgamento, sem autocon­denação.
Pescá-los, no mundo íntimo, e eliminar aqueles que lhe constituem motivos de conflitos, deve ser-lhe a meta... Não se sentir feliz ou desventurado, porém empenhar-se por atenuar as manifestações primitivas de agressividade e pos­se, desenvolvendo os valores que o equipem de harmonia, vivendo bem cada momento, sem projetos propiciadores de conflitos em relação ao futuro ou programas de reparação do passado.
Simplesmente deve renovar-se sempre para melhor, agin­do com correção, sem consciência de culpa, sem autocom­paixão, sem ansiedade. Viver o tempo com dimensão atem­poral, em entrega, em confiança, em paz.
Pode-se dizer que, no amor, quando alguém se identifica com a pessoa a quem supõe amar, esta, apenas, realizando um ato de prolongamento de si mesmo, portanto, amando-se, e não à outra pessoa. Esta identificação se baseia na memória do prazer e da dor, das alegrias e dos insucessos, portanto, amando o passado e as suas concessões, e não a pessoa em si, neste momento, como é. É habitual dizer-se: “— Amo, porque ela (ou ele) tem compartido da minha vida, das minhas lutas; ajudou-me, sofreu ao meu lado, etc.”
O sentimento que predomina aí é o de gratidão, e grati­dão, infelizmente, não é amor, é reconhecimento que deve retribuir, compensar, quando em verdade, o amor é só doa­ção.
Imprescindível, assim, uma nova linguagem que rompa com o atavismo, com a memória da sociedade, acumulada de símbolos, falsos uns, e inadequados outros.
Os relacionamentos humanos tornam-se, portanto, per­turbadores, desastrosos, por falta de maturidade psicológica do homem, em razão, também, dos seus conflitos, das suas obsessões e ansiedades.
Graças ao autoconhecimento ele adquire confiança, e os seus conflitos cedem lugar ao amor, que se transforma em núcleo gerador de alegria com alta carga de energia vitaliza­dora.
O amor, porém, entre duas ou mais pessoas somente será pleno, se elas estiverem no mesmo nível.
A solução, para os relacionamentos perturbadores, não éa separação, como supõem muitos.
Rompendo-se com al­guém, não pode o indivíduo crer-se livre para um outro tentame, que lhe resultaria feliz, porqüanto o problema não é a da relação em si, mas do seu estado íntimo, psicológico. Para tanto, como forma de equacionamento, só a adoção do amor com toda a sua estrutura renovadora, saudável, de plenifica­ção, consegue o êxito almejado, porqüanto, para onde ou para quem o indivíduo se transfira, conduzirá toda a sua memória social, o seu comportamento e o que é.
Desse modo, transferir-se não resolve problemas. Antes, deve solucionar-se para trasladar-se, se for o caso, depois.


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Manutenção de propósitos

O homem é um ser muito complexo. Somatório das suas experiências passadas tem, no inconsciente, um completo arquivo da raça, da cultura, das tradições que lhe influem no comportamento.
Por outro lado, a educação, os hábitos, os fenômenos psi­cológicos e fisiológicos estão a alterá-lo a cada momento.
Do acúmulo destes valores resultam-lhe as aspirações, as tendências e anseios, seus conflitos, ansiedades e realizações.
O inconsciente, como efeito, está sempre a ditar-lhe o que fazer e o que a realizar, inclinando-o numa ou noutra direção. Todavia, o mecanismo essencial da Vida impulsio­na-o para o progresso, para a evolução, mediante os progra­mas de autoburilamento, de orientação, de trabalho...
O resultado natural deste processo é uma mente confusa, buscando claridade; são problemas psicológicos, aguardan­do solução.
Torna-se-lhe imperiosa a adoção de propósitos para saber o motivo da confusão mental e entender os problemas, antes que tentar solucioná-los superficialmente, deixando em aberto novas dificuldades deles decorrentes.
A solução de agora pode satisfazê-lo por momentos, po­rém se não são entendidos, eles retornam por outro processo, permanecendo na condição de conflitos a resolver.
Para que se mantenha o propósito de entendimento de si mesmo e da Vida, faz-se necessário um percebimento inte­gral de cada fato, sem julgamento, sem compaixão, sem acu­sação.
Examiná-lo com imparcialidade, na sua condição de fato que é, com uma mente inocente, sem passado, sem futuro, apenas presente, mediante uma honesta compreensão, é a for­ma segura de o entender, portanto, de o perceber e digeri-lo convenientemente, sem dar margem a novos comprometimen­tos. Sem tal experiência se está tentando burlar a mente, qual se deseje saber por palavras o que se passa em algum lugar, sem interesse de ir-se lá, de conhecer-se pessoalmente.
Esta é uma conduta de quem somente busca informação sem inte­resse pelo conhecimento real, desde que se nega ao esforço do deslocamento até o lugar em pauta.
O entendimento de si mesmo, a fim de encontrar as raízes dos problemas, para extirpá-los, exige uma energia perma­nente, um propósito perseverante, mantidos com inteireza moral e psicológica. Em caso contrário, desejam-se apenas, informações verbais, sem mais profundas conseqüências.
Todos os problemas existentes no homem, dele mesmo procedem, das suas complexidades, da dominação do seu ego.
Normalmente, em razão do próprio passado, as tentativas de manter os propósitos de autoconhecimento, sem acumula­ção de dados especulativos, mas de real identificação de si mesmo, redundam em insucesso pela falta de perseverança, pelo desânimo diante das dificuldades do começo da empre­sa e pelo desinteresse de libertar-se dos conflitos.
O homem se queixa que o autoconhecimento exige des­pesa de energia face ao desgaste que o esforço provoca. Tal­vez não seja necessária uma luta como a que se trava em outras atividades. A manutenção dos conflitos produz muito mais consumpção de forças. Basta uma atitude de desvalori­zação dos problemas, como quem deixa cair um fardo sim­plesmente, ao invés de empenhar-se por atirá-lo fora.
A manutenção dos propósitos de renovação e de auto-aprimoramento é resultado de uma aceitação normal e de todo momento, da necessidade de autodescobrir-se, morrendo para as constrições e ansiedades, os medos e rotinas do cotidiano. Desta ação consciente, de que se impregna, o homem se ple­nifica interiormente, sem neurose ou outros quaisquer fenô­menos psicóticos, perturbadores da personalidade e da vida.


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Leis cármicas e felicidade

Nas experiências psicológicas de amadurecimento da per­sonalidade, na busca da plenitude, a incerteza é indispensá­vel, pois que ela fomenta o crescimento, o progresso, signifi­cando insatisfação pelo já conseguido.
A certeza significaria, neste sentido, a cessação de moti­vos e experiências, que são sempre renovadores, facultando a ampliação dos horizontes do ser e da vida.
Graças à incerteza, que não representa falta de fé, os erros são mais facilmente reparáveis e os êxitos mais significati­vos. Ela ajuda na libertação, pois que a presença do apego, no sentimento, gera a dor, a angústia. Este último, que funci­ona como posse algumas vezes, como sensação de segurança e proteção noutras ocasiões, desperta o medo da perda, da solidão, do abandono.
A verdadeira solidão — a mente estar livre, descompro­metida, observando sem discutir, sem julgar — é um estado de virtude — nem memória conflitante do passado, nem desespe­ro pelo futuro não delineado — geradora de energia, de cora­gem.
Normalmente, o medo da solidão é o fantasma do estar sozinho, sem ninguém a quem submeter ou a quem subme­ter-se.
A insegurança porque se está a sós assusta, como se a presença de outra pessoa pudesse evitar os fenômenos auto­máticos de transformação interna do ser — fisiológica e psico­logicamente — impedindo os acontecimentos desagradáveis ou a morte.
É necessário que o homem aprenda a viver com a sua solidão — ele que é um cosmo miniaturizado, girando sob a influência de outros sistemas à sua volta — com o seu silêncio criativo, sem tagarelice, liberando-se da consciência de cul­pa, que lhe vem do passado.
Destinado à liberdade plena, encontra-se encurralado pe­las lembranças arquivadas nos painéis do inconsciente — sua memória perispiritual — que lhe põem algemas em forma de ansiedade, de fobias, de conflitos.
Mesmo quando os fatores da vida se lhe apresentam tran­qüilizadores, evade-se do presente sob suspeitas injustificá­veis de que não merece a felicidade, refugiando-se no possí­vel surgimento de inesperados sofrimentos.
A felicidade relativa é possível e se encontra ao alcance de todos os indivíduos, desde que haja neles a aceitação dos acontecimentos conforme se apresentam. Nem exigências de sonhos fantásticos, que não se corporificam em realidade, tampouco o hábito pessimista de mesclar a luz da alegria com as sombras densas dos desajustes emocionais.
As heranças do passado espiritual ressumam em mani­festações cármicas, que devem ser enfrentadas naturalmente por fazerem parte da vida, elementos essenciais que são cons­titutivos da existência.
Como decorrência de uma vida anterior dissoluta, sur­gem os conflitos, as castrações, os tormentos atuais, da mes­ma forma, como efeito do uso adequado das funções se apresentam as bênçãos de plenificação.
As leis cármicas, que são o resultado das ações meritórias ou comprometedoras de cada indivíduo, geram, na economia evolutiva de cada um, efeitos correspondentes, estabelecen­do a ponderabilidade da Divina Justiça, presente em todos os fenômenos da Natureza e da Criação.
O fatalismo cármico da evolução é a felicidade humana, quando o ser, depurado e livre, sentir-se perfeitamente inte­grado na Consciência Cósmica.
A sua marcha, embora as aparências dissonantes de ale­gria e tristeza, de saúde e doença, está incursa no processo das conquistas que lhe cumpre realizar, passo a passo, com dignidade e com iguais condições delegadas aos seus seme­lhantes, sem protecionismos vis ou punições cerceadoras In­devidas, que formaram os arquétipos de privilégio e recusa latentes em muitos.
A resolução para ser feliz rompe as amarras de um carma negativo, face ao ensejo de conquistar mérito através das ações benéficas e construtivas, objetivando a si mesmo, o próximo e a sociedade.
Nenhum impedimento na vida à felicidade.
Uma resignação dinâmica ante o infortúnio — a naturali­dade para enfrentar o insucesso negando-se a que interfiram no estado de bem-estar íntimo, que independe de fatores ex­ternos — realiza a primeira fase do estágio feliz.
O amadurecimento psicológico, a visão correta e otimista da existência são essenciais para adquirir-se a felicidade pos­sível.
Na sofreguidão da posse, o homem supÕe que o apego às coisas, a disponibilidade de recursos, a ausência de proble­mas são os fatores básicos da felicidade e, para tanto, se em­penha com desespero.
Ao desfrutar deles, porém, dá-se conta que não se encon­tra ditoso, embora confortado, porque é no seu mundo ínti­mo, de satisfação e lucidez em torno das finalidades da vida, que estão os valores da plenitude.
As leis cármicas são a resposta para que alguns indivídu­os fruam hoje o que a outros falta, ao mesmo tempo são a esperança para aqueles que lutam e anelam, acenando-lhes a Possibilidade próxima de aquisição dos elementos que felici­tam.
Idear a felicidade sem apego e insistir para consegui-la; trabalhar as aspirações íntimas, harmonizando-as com os li­mites do equilíbrio; digerir as ocorrências desagradáveis como parte do processo; manter-se vigilante, sem tensões nem re­ceios e se dará o amadurecimento psicológico, liberativo dos carmas de insucesso, abrindo espaço para o auto-encontro, a paz plenificadora.


domingo, 19 de abril de 2015

O QUE É ATENDIMENTO FRATERNO NO CENTRO ESPÍRITA ?



O Atendimento Fraterno é a concretização da recomendação da Federação Espírita Brasileira, fundamentada no Evangelho, objetivando assistência individualizada aos que sofrem, através do diálogo espontâneo, confidencial e privativo.
Em sendo o Espiritismo uma doutrina possuidora de respostas elucidativas para as questões desafiadoras da vida, de instrumentos práticos capazes de ajudar aos que sofrem desde que, honestamente, queiram ajudar- se e ser ajudados, é natural que um número crescente de pessoas busquem - no com o propósito de solucionar seus problemas e dificuldades existenciais. Segundo a FEB — Federação Espírita Brasileira , “o Centro Espírita deve criar condições para um eficiente atendimento a todos os que o procuram com o propósito de obter esclarecimento, orientação, ajuda ou consolação.” 
Trata-se de atividade também conhecida no Movimento Espírita, como “entrevista”, não devendo ser confundida com as técnicas conhecidas como “relações de ajuda”, embora o conhecimento dessas técnicas, e de outras das áreas da Psicologia ou da Comunicação, possa facilitar o trabalho de quem se dedica a tão nobre labor.


Fonte: LIVRO ATENDIMENTO FRATERNO PSICOGRAFADO POR DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

quinta-feira, 16 de abril de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE HOJE, QUINTA FEIRA, DIA 16/04/2015, AS 20:00 - TRANSIÇÃO PLANETÁRIA, do Livro: TRANSIÇÃO PLANETÁRIA de Manoel Philomeno - PALESTRANTE: Claudio Amorim


Vive-se, na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e de expiações, para mundo de regeneração. As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os paradigmas da justiça, do dever, da ordem e do amor. Anunciada essa transformação que se encontra ínsita no processo da evolução, desde o Sermão profético anotado pelo evangelista Marcos, no capítulo XIII do seu livro, quando o Divino Mestre apresentou os sinais dos futuros tempos após as ocorrências dolorosas que assinalariam os diferentes períodos da evolução. Sendo o ser humano um Espírito em processo de crescimento intelecto-moral, atravessa diferentes níveis nos quais estagia, a fim de desenvolver o instinto, logo depois a inteligência, a consciência, rumando para a intuição que será alcançada mediante a superação das experiências primevas, que o assinalam profundamente, atando-o, não raro, à sua natureza animal em detrimento daquela espiritual que é a sua realidade. Mediante as reencarnações, etapa a etapa, dá-se-lhe o processo de eliminação das imperfeições morais, que se transformam em valores relevantes, impulsionando-o na direção da plenitude que lhe está destinada. Errando e corrigindo-se, realizando tentativas de progresso e caindo, para logo levantar-se, esse é o método de desenvolvimento que a todos propele na direção da sua felicidade plena. Herdeiro dos conflitos em que estorcegava nas fases iniciais, deve enfrentar os condicionamentos enfermiços, trabalhando pela aquisição de novas experiências que lhe constituam diretrizes de segurança para o avanço. Em face das situações críticas pelo carreiro carnal, gerando complicações afetivas, porque distante das emoções sublimes do amor, agindo mais pelos instintos, especialmente aqueles que dizem respeito à preservação da vida, à sua reprodução, à violência para a defesa sistemática da existência corporal, agride, quando deveria dialogar, acusa, no momento em que lhe seria lícito silenciar a ofensa ou a agressão, dando lugar aos embates infelizes geradores do ressentimento, do ódio, do desejo de desforço, esses filhos inconsequentes do ego dominador. O impositivo do progresso, porém, é inarredável, apresentando-se como necessidade de libertação das amarras vigorosas que o retêm na retaguarda, ante o deotropismo que o fascina e termina por arrebatá-lo.
Colocado, pela força do determinismo, na conjuntura do livre-arbítrio, nem sempre lógico, somente ao impacto do sofrimento desperta para compreender quão indispensável lhe é a aquisição da paz, a conquista do bem-estar. Nesse comenos, dá-se conta dos males praticados, dos prejuízos causados Transição Planetária a outros, nascendo-lhe o anelo de recuperar-se, auxiliando aqueles que foram prejudicados pela sua inépcia ou primitivismo em relação aos deveres que fazem parte dos soberanos códigos de ética da vida. Atrasando-se ou avançando pelas sendas libertadoras, desenvolve os tesouros adormecidos na mente e no sentimento, que aprende a colocar a serviço do progresso, avançando consciente das próprias responsabilidades. Infelizmente, esse despertar da consciência tem-se feito muito lentamente, dando lugar aos desmandos que se repetem a todo momento, às lutas sangrentas terríveis. Predominam, desse modo, as condutas arbitrárias e perversas, na sociedade hodierna, em contraste chocante com as aquisições tecnológicas e científicas logradas na sucessão dos tempos. Observam-se amiúde os pródromos dos sentimentos bons, quando alguém é vítima de uma circunstância aziaga, movimentando grupos de socorro, ao tempo que outras criaturas se transformam em seres-bomba, assassinando, fanática e covardemente outros que nada têm a ver com as tragédias que pretendem remediar por meios mais funestos e inadequados do que aquelas que pretendem combater. Movimentos de proteção aos animais sensibilizam muitos segmentos da sociedade, no entanto, incontáveis pessoas permanecem indiferentes a milhões de crianças, anciãos e enfermos que morrem de fome cada ano, não por falta de alimento que o planeta fornece, mas por ausência total de compaixão e de solidariedade. Fenômenos sísmicos aterradores sacodem o orbe com frequência, despertando a solidariedade de outras nações, em relação àquelas que foram vitimadas, enquanto, simultaneamente, armas ditas inteligentes ceifam outras centenas e milhares de vidas, a serviço da guerra, ou de revoluções intermináveis, ou de crimes trabalhados por organizações dedicadas ao mal. São esses paradoxos da vida em sociedade, que a grande transição que ora tem lugar no planeta irá modificar. As criaturas que persistirem na acomodação perversa da indiferença pela dor do seu irmão, que assinalarem a existência pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado colarinho branco, mantendo conduta egotista, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exiladas para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar. O egrégio codificador do Espiritismo, assessorado pelas Vozes do Céu, deteve-se, mais de uma vez, na análise dos trágicos acontecimentos que sacudiriam a Terra e os seus habitantes, a fim de despertar os últimos para as responsabilidades para consigo mesmos e 8 – (Manoel Philomeno de Miranda) Divaldo Pereira Franco em relação à primeira. Em O Livro dos Espíritos, no capítulo dedicado à Lei de destruição, o insigne mestre de Lyon estuda as causas e razões dos desequilíbrios que se dão no planeta com frequência, ensejando as tragédias coletivas, bem como aquelas produzidas pelo ser humano, e constata que é necessário que tudo se destrua, a fim de poder renovar-se. A destruição, portanto, é somente produzida para a transformação molecular da matéria, nunca atingindo o Espírito, que é imortal. Desse modo, as grandes calamidades de uma ou de outra procedência têm por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade. As dores que defluem desses fenômenos denominados como flagelos destruidores, objetivam fazer a "Humanidade progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade Transição Planetária para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos".1 Eis, portanto, o que vem ocorrendo nos dias atuais. As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraiais terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza. Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a interferência divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente. Contribuindo na grande obra de regeneração da Humanidade, Espíritos de outra dimensão estão mergulhando nas sombras terrestres, a fim de que, ao lado dos nobres missionários do amor e da caridade, da inteligência e do sentimento, que protegem os seres terrestres, possam modificar as paisagens aflitivas, facultando o estabelecimento do Reino de Deus nos corações. Reconhecemos que essa nossa informação poderá causar estranheza em alguns estudiosos do Espiritismo, e mesmo reações mais severas noutros. Nada obstante, permitimo-nos a licença de apresentar o nosso pensamento após a convivência com nobres mentores que trabalham no elevado programa da grande transição. Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido, a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou fixados em revolta injustificável, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do Mal, a fim de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus. Na presente obra, apresentamos três fases distintas, mas que se interpenetram, em torno do trabalho a que fomos convocado, mercê da compaixão do Amor, de modo a acompanharmos as ações de enobrecimento de dignos e valorosos Benfeitores, vinculados ao programa em desenvolvimento a respeito da transição planetária que se vem operando desde há algum tempo. Não temos outro objetivo, senão estimular os servidores do Bem a prosseguirem no ministério, a qualquer custo, sem desânimo nem contrariedade, permanecendo certos de que se encontram amparados em todas as situações, por mais dolorosas se lhes apresentem. Procuramos sintetizar as operações de socorro aos desencarnados vitimados pelo tsunami ocorrido no Oceano Indico, devastador e de consequências graves, que permanece ainda gerando sofrimento e desconforto, especialmente porque sucedido de outros tantos que prosseguem ocorrendo com frequência assustadora. Logo após, referimo-nos ao contributo especial dos Espíritos dedicados às tarefas de reencarnação dos novos obreiros, terrestres ou voluntários de outra dimensão cósmica, passando à análise dos tormentos que invadem a Terra, assim como da interferência dos Espíritos infelizes, que se comprazem em manter o terrível estado atual de aturdimento. Nada obstante, em todos os momentos, procuramos demonstrar a providencial misericórdia de Jesus, sempre atento com os Seus mensageiros a todas as ocorrências planetárias, minimizando as aflições humanas e abrindo espaço ao dia radioso de amanhã, que se aproxima, rico de bênçãos e de plenitude. Agradecendo ao Senhor de nossas vidas e aos Espíritos superiores investidos da sublime tarefa da grande transição planetária, por haver-nos concedido a honra do trabalho ao seu lado, sou o servidor devotado de sempre.
Salvador, 09 de abril de 2010

Manoel Philomeno de Miranda

quarta-feira, 15 de abril de 2015

TEMA DA DOUTRINÁRIA DE HOJE, QUARTA FEIRA, DIA 15/04/2015, AS 16:00 - BONDADE DO LIVRO AVE LUZ POR SHAOLIM - PALESTRANTE: Piedade brasil


Bondade
Judas Tadeu, de certo modo, era um homem viajado. Conhecia muitos lugares. Quando rapazinho, de uns quatorze para quinze anos, acompanhou seus tios a uma excursão que se tornou inesquecível para ele. Saíram de Magdala, onde moravam os tios, foram margeando o Rio Jordão até Jericó. Daí a Betânia, Jerusalém, Emaús, Lida, chegando ao fim da linha, que é o porto de Jope, no Grande Mar Mediterrâneo. Tadeu, pelos anos que tinha, não deveria ter o corpo que possuía. Era exagerado no tamanho. O porto, para ele, significava um encanto. Teve a oportunidade de ver embarcações de outros países e pessoas com diferentes costumes, vendendo e comprando objetos que ele nunca sonhara existir. Mulheres de outras terras, de formosura incomparável, vestimentas diferentes e linguagem que ele ignorava. Os estrangeiros mais freqüentes eram os gregos e os romanos. Os tios de Tadeu ficaram em uma estalagem muito sua conhecida, pelo ramo de comércio que exploravam, mas Tadeu parava pouco na pensão, aproveitando o que Jope oferecia de estranho, para se divertir.
Em uma certa hora de distração pelas ruas de Jope, depara com um velho que estava bem posto em roupagem oriental. Pelo seu aspecto, notava-se sua posição como mago. O ancião olha para o rapagão e acena a mão, com suavidade. Tadeu, curioso, aproxima-se do mago e diz:
              Senhor, que queres de mim?
O homem indica uma cabana e pede para segui-lo. O jovem, meio temeroso e assustado entra em uma nave improvisada. O ancião desliza uma cortina como porta e acomoda-se em um coxim de sedas coloridas. O menino assenta-se acanhado, olhando para o senhor. Pergunta o seu nome. O velho, delicado, responde:
            Meu filho, o meu nome é Basílio. Tenho noventa e oito anos e nunca me esqueço do amor de Deus para com as criaturas. Não sei como vais receber-me na posição em que me encontro e, pelo que vou falar-te, diante da pouca idade, que tens. No entanto, é meu dever te revelar algo que a vida guarda para o teu coração.
O menino entendeu mais ou menos, pois freqüentava as sinagogas e ouvia falar muito dos destinos das pessoas e das coisas, de Deus, dos profetas e dos anjos.
Tudo passou rapidamente pela sua cabeça infantil. O homem, sereno, descobre em sua frente um volume que brilhava mais na claridade. Era um cristal muito polido e bonito. Tadeu nunca tinha visto antes uma beleza daquela. O mago fita seus olhos lúcidos em Tadeu, e fala com sabedoria:
            Meu filho, te chamei porque, de longe, vi em volta da tua cabeça uma promessa para o teu futuro, coisa difícil de explicar por palavras. A minha posição me obrigou a te revelar algo de bom para o teu coração, mesmo se isso te custar a própria vida.
Fechando os olhos, pôs as mãos bem devagar por sobre a pedra, fala algumas palavras estranhas e o menino vê, assustado, desenrolar-se a vida de uma pessoa desde o nascimento, em uma estrebaria, até a morte, pendurado no madeiro, em um monte. Depois de assistir a todo o drama, o velho Basílio pondera com tristeza.
             Meu filho, viste tudo? Pois tu és um desses que vai acompanhar esse Mestre. Ele vai te chamar para Seu apostolado. Ele é a luz do mundo que veio nos salvar. Ele é o Cristo anunciado pelos antigos profetas. Podemos chamá-Lo de Pai na ausência de Deus, se é que sentimos a Sua ausência de vez em quando.
O rapaz, movido pelos sentimentos de bondade, chora quase aos soluços, e o velho Basílio acrescenta:
             Chora, meu filho, chora, para que essa advertência não saia da tua mente, e quando encontrares esse personagem divino, acompanha-0 em todos os Seus acertos e sejas portador da Sua voz, para que os homens entendam esse homem. É o homem do amor.
Tornou a cobrir a pedra com delicadeza. Serviu um doce de figo para o menino, pegou sua mão e saiu de novo pela rua, dizendo:
              Queres ouvir um conselho, Tadeu?
              Sim, senhor, quero. Quero ouvir muito do senhor.
            Então não digas nada do que viste e ouviste de mim, porque a vida tem segredos dispensados a poucos e que exigem silêncio aos ouvidos de muitos.
Dá um sorriso e termina:
            Vai, meu filho, vai à procura dos teus, que já devem se encontrar impacientes com a tua demora. Vai, Tadeu.
Por um impulso do coração Tadeu tomou as mãos do reverendo ancião e beijou-as com ternura, dizendo ao mago:
              Deus te pague, meu velho.
E saiu correndo para a estalagem onde estavam os tios. No meio do caminho é que se lembrou de que não havia falado o seu nome ao velho. “E como ele me chamou pelo nome?” Mas logo isso passou, porque as crianças se distraem facilmente. E encontrou-se com os parentes, na porta da casa, já aflitos.
Passam-se os anos... Tadeu nunca se esquecera do velho Basílio, mas como o que ouvira dele era segredo, somente ele próprio desfrutava das lembranças da palavra do mago de Jope. No dia em que encontrou Jesus reconheceu o mesmo personagem da bola de cristal. Acendeu-se em seu coração a maior certeza da imortalidade da vida e do desempenho da missão de Cristo na Terra.
Tadeu pensava muito na Bondade. Achava essa virtude uma segurança para os sofredores. Nos caminhos da verdade, ele já havia encontrado muita gente possuidora desse clima de Deus no coração.
Na igreja dos pescadores, João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu, apruma o corpo e a mente para Deus e ora com simplicidade e amor. Judas Tadeu, acompanhando a oração do companheiro, sente, naquela noite, a obrigação de perguntar alguma coisa ao Senhor. Obedecendo à inspiração, indaga:
            Mestre, pelo pouco que faço não cabe a mim tomar o teu precioso tempo com perguntas que podem não ser ideais. Mas ficaria agradecido se pudesses responder-me acerca do que é a Bondade e qual a sua ação benfeitora na Terra.
O Nazareno, tranqüilo, responde com alegria: Judas Tadeu, a Bondade é uma marca de Deus em nossos corações. O homem bom sempre sabe de onde veio a sua Bondade e o que fazer para conservá-la. Essa virtude é uma das cordas do grande instrumento da vida, é uma das cordas do amor. Se queres irradiar uma melodia perfeita da vida que levas, deves afinar todas as cordas sonoras da alma, para que os dedos de Deus toquem em teu favor. A Bondade é, sem dúvida, um princípio da escrita divina em nós, que nos leva à procura de outras da mesma linha. Contudo, o senso de equilíbrio nos leva a disciplinar essa disposição inspirada pela caridade. A Bondade não pode querer suprir as deficiências que somente o trabalho pode fazer, ou a dor que desperta, ou a corrigenda que conscientiza as pessoas. Quem chega ao ponto de conciliar a Bondade com a justiça, faz muitos prodígios na arte de educar as criaturas e, ao invés, como pensas, de afastar as pessoas, elas sentirão, mais tarde, a eficiência de mestre daqueles que andam sempre no fio da balança divina, dando o que devem dar, na hora certa; tirando o que devem tirar, no momento exato.
Houve silêncio no salão. Muitos dos discípulos andavam exagerando nos serviços de assistência. A Bondade, em certos casos, estava virando fanatismo, que logo pode passar a ser conivência com certo tipo de vida contrária à moralidade e avessa à lei do trabalho. Jesus volta a dissertar;
             Nós, meus filhos, temos muitas coisas que poderemos destinar aos outros, sem envernizá-las com mesquinhos interesses. Todavia, mesmo que o desprendimento acompanhe as dádivas, a sabedoria e o amor nos asseguram que deveremos vigiar o que vamos entregar aos nossos semelhantes e a quem vamos dar. A bondade, no lugar certo, é luz que se acende nas trevas, mas onde não chegou a hora, pode ser incentivo para a miséria da alma. Já pensaste em te condoeres dos insetos de todas as espécies que vivem ao léu, nos campos, e levá-los para dentro de casa? Dos animais que, por vezes, estão enfermos? Dos mendigos que encontrais pelas mas e estradas, levá-los para o vosso convívio, dos doentes, ou dos assassinos ou leprosos, ou dos inconscientes às leis do país? Pois essa seria uma Bondade que se tornaria um distúrbio muito grande, de modo a impedir que alcanceis a vossa paz no lar e na consciência. É muito grandioso ser bom, mas é muito melhor saber ser bom pelas linhas da fraternidade e da razão objetiva. Não estou querendo que esmoreçais na aquisição dessa virtude iluminada por excelência, porém que aprendais a dignificar a Deus, pela inteligência que ele vos deu, amparada pelos sentimentos. É bom que não passeis para nenhum dos extremos da sabedoria e do amor, porque nas margens sempre encontrareis desequilíbrios. No centro das correntezas dos rios, as águas são mais puras.
Após ligeira pausa, Jesus prosseguiu:
— Tadeu, se encontraste muita Bondade nos teus caminhos, e estas facilitaram o teu bom desempenho, sê grato aos teus benfeitores, não com palavras, pois nem sempre eles podem ouvir, mas sendo bom na mesma temperatura da Bondade que recebeste. Fica sabendo que toda virtude desordenada é ninho de serpentes para o futuro. Por isso é que meu Pai que está nos céus me enviou a vós, para que fundásseis na Terra um educandário onde podereis, com a ajuda da Boa Nova que vos trago da parte d’Ele, equilibrar as vossas emoções e enobrecer as vossas idéias. Controlar os pensamentos e iluminar a fala. Todas as virtudes que ensinamos já são largamente conhecidas na Terra, pois os profetas e os sábios as espalharam por toda a parte. Mas a Boa Nova de Deus é o educador comum que propicia, com mais amplitude, disciplina para todas as virtudes. Havereis de dar graças a Deus, mesmo que entregueis a vida como semente de luz para esplender nos corações, pelo sangue que derramastes, o interesse maior, de viver, mas de viver bem.
Quero e espero que todos vivais pela Bondade. Não obstante, que essa Bondade não ultrapasse as divisas do seu município, evitando perturbar a capital do coração e o comando da inteligência.

Notava-se um leve perfume no salão, aroma já familiar a todos os presentes. Todos dão graças a Deus pela manifestação de luz naquele ambiente de paz. Judas Tadeu procura sair, lembrando os seus exercícios de Bondade, para ver se algum deles não tomou rumo diferente.

Capítulo 11 do Livro: CONDUTA ESPÍRITA / PELO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ.



No Templo

Entrar pontualmente no templo espírita para tomar parte das reuniões, sem provocar alarido ou perturbações.
O templo é local previamente escolhido para encontro com as Forças Superiores.

Dedicar a melhor atenção aos doutrinadores, sem conversação, bocejo ou tosse bulhenta, para que seja mantido o justo respeito ao lar da oração.
Os atos da criatura revelam-lhe os propósitos.

Evitar aplausos e manifestações outras, as quais, apesar de interpretarem atitudes sinceras, por vezes geram desentendimentos e desequilíbrios vários.
O silêncio favorece a ordem.

Com espontaneidade, privar-se dos primeiros lugares no auditório, reservando-os para visitantes e pessoas fisicamente menos capazes.
O exemplo do bem começa nos gestos pequeninos.

Coibir-se de evocar a presença de determinada entidade, no curso das sessões, aceitando, sem exigência, os ditames da Esfera Superior no que tange ao bem geral.
A harmonia dos pensamentos condiciona a paz e o progresso de todos.

Acostumar-se a não confundir preguiça ou timidez com humildade, abraçando os encargos que lhe couberem, com desassombro e valor.
A disposição de servir, por si só, já simplifica os obstáculos.

Desaprovar a conservação de retratos, quadros, legendas ou quaisquer objetos que possam ser tidos na conta de apetrechos para ritual, tão usados em diversos meios religiosos.Os aparatos exteriores têm cristalizado a fé em todas as civilizações terrenas.
Oferecer a tribuna doutrinária apenas a pessoas conhecidas dos irmãos dirigentes da Casa, para não acumpliciar-se, inadvertidamente, com pregações de princípios estranhos aos postulados espíritas.
Quem se ilumina, recebe a responsabilidade de preservar a luz.

Nas reuniões doutrinárias, jamais angariar donativos por meio de coletas, peditórios ou vendas de tômbolas, à vista dos inconvenientes que apresentam, de vez que tais expedientes podem ser tomados à conta de pagamento por benefícios.
A pureza da prática da Doutrina Espírita deve ser preservada a todo o custo.
 “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

Jesus. (Mateus, 18:21.)

terça-feira, 14 de abril de 2015

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