SOBRE NÓS :
VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.
MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.
Redirecionamento
quinta-feira, 26 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (26/05 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "REALEZA" DO LIVRO JESUS E O EVANGELHO À LUZ DA PSICOLOGIA PROFUNDA PELO ESPÍRITO DA SRA. JOANNA DE ÂNGELIS – PALESTRANTE: AVELI MODESTO
quarta-feira, 25 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (25/05 - QUARTA FEIRA - 16:00): "OS INFORTÚNIOS OCULTOS" CAP XIII DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - PALESTRANTE: HELENICE SANTANA
Nas grandes calamidades, a caridade se agita, e vêem-se generosos impulsos para reparar os desastres. Mas, ao lado desses desastres gerais, há milhares de desastres particulares, que passam desapercebidos, de pessoas que jazem num miserável catre, sem se queixarem. São esses os infortúnios discretos e ocultos, que a verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que venham pedir assistência.
Quem é aquela senhora de ar distinto, de trajes simples mas bem cuidados, seguida de uma jovem que também se veste modestamente? Entra numa casa de aspecto miserável, onde sem dúvida é conhecida, pois à porta é saudada com respeito. Para onde vai? Sobe até a água furtada: lá vive uma mãe de família, rodeada pelos filhos pequenos. À sua chegada, a alegria brilha naqueles rostos emagrecidos. É que ela vem acalmar todas as suas dores. Traz o necessário, acompanhado de suaves e consoladoras palavras, que fazem aceitar a ajuda sem constrangimentos, pois esses infortunados não são profissionais de mendicância. O pai se encontra no hospital, e durante esse tempo à mãe não pode suprir as necessidades.
Graças a ela, essas pobres crianças não sofrerão nem frio nem fome; irão à escola suficientemente agasalhados e no seio da mãe não faltará o leite para os menorzinhos. Se uma entre elas adoece, não lhe repugnará prestar-lhe os cuidados materiais. Dali seguirá para o hospital, levar ao pai algum consolo e tranqüilizá-lo quanto à sorte da família. Na esquina, uma carruagem a espera, verdadeiro depósito de tudo o que vai levar aos protegidos, que visita sucessivamente. Não lhes pergunta pela crença nem pelas opiniões, porque, para ela, todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Finda a visita, ela diz a si mesma: Comecei bem o meu dia. Qual é o seu nome? Onde mora? Ninguém o sabe. Para os infelizes, tem um nome que não revela a ninguém, mas é o anjo da consolação. E, à noite, um concerto de bênçãos se eleva por ela ao Criador: católicos, judeus, protestantes, todos a bendizem.
Por que se veste tão simplesmente? Para não ferir a miséria com o seu luxo. Por que se faz acompanhar da filha adolescente? Para lhe ensinar como se deve praticar a beneficência. A filha também quer fazer a caridade, mas a mãe lhe diz: “Que podes dar, minha filha, se nada tens de teu? Se te entrego alguma coisa para dares aos outros, que mérito terás? Serei eu, na verdade, quem farei a caridade, e tu quem terás o mérito? Isso não é justo. Quando formos visitar os doentes, ajudar-me as a cuidar deles, pois dar-lhes cuidados é dar alguma coisa. Isso não te parece suficiente? Nada mais simples: aprende a fazer costuras úteis, e assim confeccionarás roupinhas para essas crianças, podendo dar-lhes alguma coisa de ti mesma”. É assim que esta mãe verdadeiramente cristã vai formando sua filha das virtudes ensinadas pelo Cristo. É espírita? Que importa?
Para o meio em que vive, é a mulher do mundo, pois sua posição o exige; mas ignoram o que ela faz, mesmo porque não lhe interessa outra aprovação que a de Deus e da sua própria consciência. Um dia, porém, uma circunstância imprevista leva à sua casa uma de suas protegidas, para lhe oferecer trabalhos manuais. “Psiu! — diz-lhe ela. Não contes a ninguém!” Assim falava Jesus.
terça-feira, 24 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (24/05 - TERÇA-FEIRA - 20:00): "O REINO" DO LIVRO JESUS E O EVANGELHO À LUZ DA PSICOLOGIA PROFUNDA - PALESTRANTE: RENATO NICOLAU
domingo, 22 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (22/05 - DOMINGO - 16:00): "O ANJO DA MISERICÓRDIA" DO LIVRO PELOS CAMINHOS DE JESUS PELO ESPÍRITO DO SRA. AMÉLIA RODRIGUES - PALESTRANTE: WAGNER SANTANA
Na tarde trágica e tormentosa do Calvário, quando Jesus se encontrava estiolado pelas ulcerações dos cravos e dos espinhos implantados na Sua carne, ocorreu um inesperado acontecimento, que as testemunhas do lutuoso fato não puderam perceber, por transcorrer além das fronteiras objetivas da matéria.
As vozes ululantes da Natureza dominavam a paisagem lúgubre, e os homens, atormentados, pareciam vencidos pelas cruéis expressões do primitivismo animal, em total alucinação diante do Justo crucificado...
Nos momentos finais do horrendo espetáculo, três vultos luminosos, reverentes, se acercaram do madeiro da agonia e um deles, jovem mulher iluminada, qual se fosse uma tocha de crepitante flama, após contemplar a face do Mestre, falou, comovida:
- Senhor, venho oferecer-Te o testemunho do meu fracasso na tarefa em que fui investida.
"Segui-Te os passos por toda a parte e procurei guarida nos corações que foram atraídos pela Tua palavra consoladora.
" Levantei ânimos, impulsionei sentimentos desavisados à razão e convoquei servidores ao trabalho da fraternidade...
" Não obstante, estive contigo no momento da defecção de Simão Pedro, quando Te negou conhecer, o que fez por três vezes consecutivas, expulsando-me dos seus sentimentos, nos quais estive agasalhada por largos meses.
" Desiludida dos homens, venho rogar-Te licença para seguir, ao Teu lado, na direção dos Cimos Esplendorosos da Vida.
" Tu sabes, eu sou a FÉ!... "
O Mestre, em agonia, fitou-a, compungido, e sem dizer qualquer palavra, através da cortina de lágrimas sanguinolentas que lhe nublavam a claridade visual, olhou a segunda personagem, que também mais se acercou do instrumento da arbitrária punição e elucidou:
- Vivi todas as Tuas instruções e procurei remodelar os campos moral e emocional dos homens que Te seguiram.
" Vi muitos deles, que estavam a borda do desespero e da loucura, mas, graças à Tua palavra de libertação, fi-los esperar por melhores dias confiando nos retos deveres em favor de perspectivas futuras abençoadas.
" Aqueles outros que se lamentavam sob o luto da saudade e o peso das agonias, consegui soerguer o ânimo e encorajá-los para a luta sem quartel do progresso.
" Em todo o lugar, encontrei oportunidade de serviço e de ação edificante, que soube aproveitar...
" Apesar disso, estava seguindo Judas e tentando convocá-lo à lucidez, arrependido como se apresentava, após a infame traição... Percebendo-lhe os pensamentos infelizes e o desespero envolvi-o em ternura chamando-o à ordem dizendo-lhe que sempre há oportunidade para quem deseja regenerar-se...
" Ele, todavia preferiu o enforcamento covarde numa figueira brava... Ainda retenho na memória a visão do seu corpo oscilante na corda vigorosa em que ceifou a vida carnal...
" Porque fracassei entre as criaturas venho rogar-Te permissão para acompanhar-Te ao sólio do Altíssimo, abandonando a Terra...
" Conforme Te recordas, eu sou a ESPERANÇA!..."
Jesus estorcegou nas traves grosseiras, enquanto a mole humana, infrene e enlouquecida, agitava-se no acume do ensombrado morro da Caveira.
E porque Ele tentasse ouvir, já nas últimas contorções do corpo exangue, a terceira visitante uniu-se às duas primeiras e, ainda luminosa, expôs:
- Por onde o Teu olhar passeou ternura e amor, eu procurei alojamento e serviço.
" Através das Tuas mãos, abri bocas sem melodia à música da palavra; descerrei ouvidos moucos aos sons da Natureza; conduzi pernas e corpos mortos ao movimento; tomei as doenças dominadoras e consegui mudá-las das pessoas que as padeciam...
" Jamais vacilei em ajudar, gerando simpatia, sustentando a FÉ e motivando a ESPERANÇA.
" As multidões esfaimadas, por meu intermédio e sob as Tuas ordens, receberam pães e peixes, o mesmo ocorrendo com a água em Caná, quando eu lhe facultei especial sabor na festa das bodas felizes...
" Mesmo assim em face do abandono a que todos Te relegaram, e porque acabo de presenciar o legionário Longinus, no cúmulo da frieza moral de que é portador e sem qualquer compaixão lancetar-Te o peito, para apressar-Te a morte, não suporto mais tanta ingratidão.
" Recorro, deste modo, à Tua aquiescência para sair do mundo e voar na direção das estrelas, para onde seguirás...
" Bem recordas, eu sou a CARIDADE!... "
Em face do silêncio pesado, que se fez natural, naquela esfera transcendental, o Mestre, para surpresa geral, na noite que havia tombado sobre a tarde cruel, suplicou:
- Perdoa-os (aos homens), meu Pai, porque eles não sabem o que fazem!
Houve uma estranha movimentação no povo e nos milicianos, que não sabiam o que se passava.
Naquele instante, porém, rasgou-se nas sombras espessas uma estrada luminosa e um ser, de esplêndida beleza, aproximou-se do Crucificado, e, respeitoso, falou, emocionado:
- Eu sou o Anjo da MISERICÓRDIA, enviado pelo Pai, que Te atende o apelo.
" Dize, Senhor, o que desejas de mim pois que eu o farei."
Com a voz inaudível para os ouvidos humanos, no entanto, inteligível para o emissário de Deus, Jesus determinou, comovido:
- Fica no mundo, levando contigo a FÉ, a ESPERANÇA e a CARIDADE, em meu nome, para que os homens, que me conheçam ou não, possam ter minoradas as suas dores e penas, evitando, quanto possível, as desventuras, sob o pálio do meu Amor.
" Que permaneçam sem cansaço, nem desânimo até a consumação dos séculos, como luzes acesas apontando rumos felizes! "
Automaticamente, as três Entidades - Virtudes abraçaram o Anjo da MISERICÓRDIA e partiram, para recolher, de início, o espírito Judas, em perturbação, prosseguindo na direção de Pedro, a fim de que este não enlouquecesse de remorso, de imediato colocando nos olhos apagados de Longinus a claridade da visão...
Foi então, que Jesus inteiriçou-se na cruz e bradou:
- Pai, nas Tuas Mãos entrego o meu espírito. Tudo está consumado!
A partir daquela hora, quando as dores atingem o máximo de intensidade nos corações humanos;
quando a hidra da guerra ceifa milhões de vidas indefesas;
quando a amargura domina,esmagando os sentimentos;
quando a vida parece sucumbir e todos os acontecimentos se apresentam com funestas perspectivas,
o Anjo da MISERICÓRDIA envolve as criaturas, deixando aqui e ali, neste e naquele coração a chama da FÉ que reanima ou a pulsação da ESPERANÇA que renova e encoraja ou as mãos sublimes da CARIDADE, que sustenta e liberta, em nome do AMOR infinito do CRISTO, que não cessa jamais.
Amélia Rodrigues - Pelos Caminhos de Jesus - Divaldo Franco
quinta-feira, 19 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (19/05 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "PENSAMENTO - AGENTE MODELADOR" DO LIVRO O PERIPÍRITO E SUAS MODELAÇÕES DE LUIZ GONZAGA PINHEIRO – PALESTRANTE: ERICSON MENDONÇA
"Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases, ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis.
"A Gênese - Allan Kardec (cap. XIV - item 14)
Comandando o cérebro está a mente, manancial dos nossos pensamentos. Quando a mente lança um pensamento no ar, materializa uma onda de natureza sutilíssima, cujo comprimento e vitalidade dependem da potência mental e da constância no pensar. Essa onda pode ser captada por uma outra estação mental, quando lhe sintonize, mantendo-se ambas em comunhão, absorvendo e fazendoseabsorver, em troca de idéias geradoras de sombras ou luminosidade, conforme seja o teor da mensagem intercambiada.
O pensamento possui a propriedade de modelar formas e imagens, sendo estas, efêmeras ou duradouras, a depender das energias que as alimentem. Vibrando nos acordes do amor, ilumina o perispírito, dando-lhe leveza, fazendo com que tais energias dele se volatizem, sem deixar qualquer nódoa ou mancha prejudicial.
No sentido oposto, detendo-se no ódio, as energias hostis que o alimentam, deixam resíduos indesejáveis, fuligem cáustica no tecido perispiritual, cuja drenagem geralmente se faz através do corpo físico, em formas patogênicas diversas.
O corpo físico funcionando qual aspirador ou mata-borrão para os fluidos densos acumulados no perispírito, atrai para si as mazelas resultantes do descontrole do Espírito. Grande é a responsabilidade com o nosso pensar. O pensamento, sempre antecedendo a ação, nos indica ser o seu controle uma regra áurea para as boas construções. Quando são selecionados e sintonizados com o bem, agem como bisturis removendo os hematomas perispirituais, em cirurgias plásticas
modeladoras.
Jamais afastaremos os hábitos seculares anti-fraternos sem a renovação dos pensamentos. Quando pensamos de maneira altruísta abrigando a paz, a doação, a fraternidade, nosso ser fica impregnado de energias revigorantes, facultando pela persistência destas, a expulsão das idéias e imagens que não sintonizam com o novo estágio de evolução. Ao mesmo tempo, fechamos a porta para idéias
pessimistas, que não conseguem se sobrepor à calma e à confiança embasadas no bom ânimo da fé raciocinada.
O desejo de renovação, no entanto, não pode nem deve ser neurotizante, impondo uma fuga dos cenários do mundo, nem uma autofiscalização castrativa e geradora de desejos de autopunição. É o velho conselho de estar no mundo sem ser do mundo e estar com eles sem ser um deles.
Quanto mais renovado o ser, mais entendimento traz para com as fraquezas alheias, sem contudo pactuar com elas. Selecionar pensamentos, policiar-se, não é tentar soterrar a todo custo a inferioridade que habita em nós e que aflora muitas vezes ao dia. É entender com naturalidade e com maturidade que a possuímos e envidar esforços para diminuí-la a cada dia, visto ser a evolução fruto de milênios. É não render-se ao comodismo; é o querer dinâmico; o conhecer a si para mudar a si;
fazer luz, modelando o perispírito em formas translúcidas e menos vulneráveis às investidas da dor.
Comecemos cultivando o otimismo, a meditação, o estudo sério e compenetrado, o trabalho edificante e a prece, que isso afasta as idéias deprimentes oriundas da acomodação, das lamentações, da ignorância e da maledicência. Caso não seja acolhido tal procedimento e a invigilância venha a hospedar-se em nossa casa mental como soberana, ditando os velhos códigos do orgulho, egoísmo, ciúme e similares, a mente continuará viciada, incapacitada de impor a si a disciplina preventiva dos traumas, fobias e seqüelas dos quais são férteis o pensar invigilante. O portador de tais estigmas modelará seu perispírito com as formas adensadas e obscuras alimentadas pela energia que dele emana, visto ser esse corpo ideoplástico, maleável ao pensamento, no que sofre grandes transformações sob o comando mental que, invigilante, passa a lesar suas células deformando-as.
Fonte: O Perispírito e Suas Modelações - PINHEIRO, Luiz Gonzaga
quarta-feira, 18 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (18/05 - QUARTA FEIRA - 16:00): "A INFELICIDADE REAL" CAP V DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - PALESTRANTE: ESTER FERREIRA
A verdadeira infelicidade ou desgraça, não está nos sofrimentos pelos quais estamos passando, está sim nas consequências de nossos atos inconscientes ou insanos. Quem está passando pelos sofrimentos, com jugos mais pesados ou mais leves, não está em desgraça, ao contrário, está na graça de Deus pois estão se purificando, mas aqueles que em prol de uma felicidade passageira ou mundana agem sem pensar nas consequências, prejudicando a si e aos outros, aqueles que provocam o mal na vida de outras pessoas, esses sim estão em desgraça, esses sim são realmente infelizes.
Tudo que fazemos gera consequência, então não ande na contra-mão das Leis Divinas pois, nada escapa delas.
terça-feira, 17 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (17/05 - TERÇA-FEIRA - 20:00): "EFICÁCIA DA PRECE" CAP XXVII DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - PALESTRANTE: SANDRA ALMEIDA
Por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão. (Marcos, XI: 24)
Há pessoas que contestam a eficácia da prece, entendendo que, por conhecer Deus as nossas necessidades, é desnecessário expô-las a Ele. Acrescentam ainda que, tudo se encadeando no universo através de leis eternas, nossos votos não podem modificar os desígnios de Deus.
Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular segundo os caprichos de cada um. Mas daí a acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande. Se assim fosse, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre arbítrio e sem iniciativa. Nessa hipótese, só lhe caberia curvar a fronte ante os golpes do destino; sem procurar evitá-los; não deveria esquivar-se dos perigos. Deus não lhe deu o entendimento e a inteligência para que não os utilizasse, a vontade para não querer, a atividade para cair na inação. O homem sendo livre de agir, num ou noutro sentido, seus atos têm, para ele mesmo e para os outros, conseqüências subordinadas às suas decisões. Em virtude da sua iniciativa, há portanto acontecimentos que escapam, forçosamente, à fatalidade, e que nem por isso destróem a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou atraso dos ponteiros de um relógio não destrói a lei do movimento, que regula o mecanismo do aparelho. Deuspode, pois, atender a certos pedidos sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre o atendimento da sua vontade.
Seria ilógico concluir-se, desta máxima: “Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado”, que basta pedir para obter, e injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. Assim procede ao pai prudente, que recusa ao filho o que lhe seria prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas, se o sofrimento é útil para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.
O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda das idéias que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da ação. Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: “Ajuda-te e o céu te ajudará”, e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Mas, na maioria das vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos. (Ver cap. XXV, nº 1 e segs.)
Tomemos um exemplo. Um homem está perdido num deserto; sofre horrivelmente de sede; sente-se desfalecer e deixa-se cair ao chão. Ora, pedindo a ajuda de Deus, e espera, mas nenhum anjo vem lhe dar de beber. No entanto, um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de levantar-se e seguir determinada direção. Então, por um impulso instintivo, reúne suas forças, levanta-se e avança ao acaso. Chegando a uma elevação do terreno, descobre ao longe um regato, e com isso retoma a coragem. Se tiver fé, exclamará: “Graças, meu Deus, pelo pensamento que me inspiraste e pela força que me deste”. Se não tiver fé, dirá: “Que boa idéia tive eu! Que sorte eu tive, de tomar o caminho da direita e não o da esquerda; o acaso, algumas vezes, nos ajuda de fato! Quanto me felicito pela minha coragem e por não me haver deixado abater!”.
Mas, perguntarão, por que o Bom Espírito não lhe disse claramente:”Siga este caminho, e no fim encontrarás o que necessitas”? Porque não se mostrou a ele, para guiá-lo e sustentá-lo no seu abatimento? Dessa maneira o teria convencido da intervenção da Providência. Primeiramente, para lhe ensinar que é necessário ajudar-se a si mesmo e usar as próprias forças. Depois, porque, pela incerteza, Deus põe à prova a confiança e a submissão à sua vontade. Esse homem estava na situação da criança que, ao cair, vendo alguém, põe-se a gritar e espera que a levantem; mas, se não vê ninguém, esforça-se e levanta-se sozinha.
Se o anjo que acompanhou a Tobias lhes houvesse dito: “Fui enviado por Deus para te guiar na viagem e te preservar de todo perigo”, Tobias não teria nenhum mérito. Foi por isso que o anjo só se deu a conhecer na volta.
domingo, 15 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (12/05- QUINTA-FEIRA - 20:00): "JUSTIÇA E PROGRESSO" DO LIVRO O PORQUÊ DA VIDA PELO ESPÍRITO DA SR. LÉON DENIS – PALESTRANTE: CAMILA GOES
A lei superior do Universo é o progresso incessante, a ascensão dos seres até Deus, foco das formas mais rudimentares da vida; por uma escala infinita, por meio de transformações inumeráveis, nos aproximamos dele. No íntimo de cada alma está depositada o germe de todas as faculdades, de todas as potências, competindo-nos, portanto o dever de fazê-las frutificar pelos nossos esforços e
trabalhos. Entendida por esse modo, a nossa obra é a do adiantamento e da felicidade futura. O favoritismo não tem mais razão de ser. A justiça irradia sobre o mundo; se todos houverem lutado e sofrido, todos serão salvos.
Da mesma forma se revela aqui, em toda a sua grandeza, a necessidade da dor, sua utilidade para o adiantamento dos seres. Cada globo que rola pelo espaço é um vasto laboratório onde a substância espiritual é incessantemente trabalhada. Assim como o mineral bruto, sob a ação do fogo ou das águas, se transforma pouco a pouco em metal puro, assim também a alma, incitada pelo aguilhão da dor, se modifica e fortalece. É no meio das provações que se retemperam os grandes caracteres. A dor é a purificação suprema, a fornalha onde se fundem os elementos impuros que nos maculam: o orgulho, o egoísmo, a indiferença. É a única escola onde se depuram as sensações, onde se aprendem a piedade e a resignação estóica. Os gozos sensuais, prendendo-nos à matéria, retardam a nossa elevação, enquanto o sacrifício e a abnegação nos liberam com antecedência desta espessa atmosfera, preparando-nos para outra ordem de coisas e para uma ascensão mais elevada. A alma, purificada, santificada pelas provas, vê cessar suas encarnações dOlorosas. Deixa para sempre as esferas materiais e eleva-se na escala magnífica dos mundos felizes. Percorre o campo ilimitado dos espaços e das idades. Cada conquista que fizer sobre suas paixões, cada passo que der para diante, fará alargar os seus horizontes e aumentar a sua esfera de ação; perceberá cada vez mais distintamente a grande harmonia das leis e das coisas, concorrendo nelas de um modo mais íntimo e eficaz. Então, o tempo desaparece para ela, os séculos escoam-se como se fossem segundos. Unida a suas irmãs, companheiras da eterna viagem, continua assim o seu progresso intelectual e moral no seio de uma luz sempre em aumento.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (11/05 - QUARTA FEIRA - 16:00): "BEM E MAL SOFRER" CAP V DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - PALESTRANTE: JERÔNIMO
LACORDAIRE - Havre, 1863
Quando Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria, mas ah!, poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem. A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apóie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.
O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspires a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que um combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: “Eu fui o mais forte”!
Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzidos: Bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicado as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.
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