Alguns espíritas consideram o sistema nervoso físico, como uma parte mais materializada do perispírito. Algo assim como um prolongamento ou anexo, responsável pela emissão e recepção de mensagens que chegam e partem do perispírito. Ora, se o sistema nervoso físico integrasse o perispírito, toda parte relativa ao desempenho e controle das atividades do organismo que a ele se submete entraria em desordem com o afastamento perispiritual.
Sendo o físico uma estrutura semelhante ao perispírito, esta semelhança se faz de maneira correspondente à especialização e à "eterização" das partes reproduzidas. No perispírito, o sistema nervoso também é mais etéreo e sutil que os demais sistemas, firmando-se a obrigatoriedade dessa quintessência na especialização cerebral e nervosa, sistema de conduto por onde o Espírito atua diretamente na exteriorização de mensagens e percepções de estímulos ambientais.
Quando o Espírito se encontra encarnado, esses estímulos chegam a seu perispírito pelos cinco canais que constituem a base da sua vida de relação, quais sejam: visão, audição, paladar, olfato e tato. Desencarnado, todo e qualquer estímulo o atinge via perispírito, de maneira generalizada. Podemos dizer que ele ouve, vê e sente por todo o perispírito, sendo este fato de fácil comprovação nas reuniões mediúnicas, quando o Espírito comunicante leva as mãos aos ouvidos para não escutar o doutrinador e a voz o alcança em sua intimidade perispiritual. Igualmente, o médium que se perturba com uma visão chocante e cerra os olhos para escaparlhe influência, continua malgrado seu esforço, a visualizá-la com a nitidez imposta pela sua sintonia, pois observa o cenário com a sua visão perispiritual que é generalizada.
As sensações passam assim, do sistema nervoso físico, de ação localizada e circunscrita aos cinco sentidos, para o sistema nervoso perispiritual de ação genérica em toda a sua extensão.
Tomemos um exemplo. No Espírito encarnado, o canal receptivo do sentido da audição é o aparelho auditivo. Quando uma vibração provoca um movimento ondulatório no ar, e as ondas atingem a freqüência capaz de estimular o nervo acústico, este direciona tal estímulo ao cérebro, na área do córtex responsável pela audição, que a transforma em percepção auditiva. No perispírito a faculdade da audição é inerente à sua natureza, sendo toda a sua extensão capaz de receber as vibrações sonoras, independente de um canal específico, tal como ocorre nos encarnados.
Se nestes só existe percepção do som com irritação ou estímulo do nervo acústico, na área do perispírito podemos dizer que todo ele é estimulável pelo som, inclusive aqueles situados aquém ou além da faixa audível para nósencarnados, qual seja 16 a 25 mil ciclos (vibrações completas) por segundo.
Se o Espírito não tivesse perispírito, nenhuma sensação oriunda do mundo material, boa ou má, chegaria até ele, pois lhe faltaria o canal por onde essas sensações fluíssem, atingindo-o, ocasião em que as perceberia. É por esta razão, como detalharemos mais adiante, que existe a necessidade de reagregação da matéria perispiritual, quando esta fica parcialmente danificada pelas agressões que o Espírito comete contra si próprio. Sem este veículo de manifestação íntegro, o Espírito não teria como comunicar-se livremente. Caso explodisse seu cérebroperispirítico por vontade própria, (o que pode ocorrer com um tiro dado em seu ouvido físico motivado pelo desejo profundo de morrer) por exemplo, ficaria na condição de um mudo, aqui no plano dos encarnados, em que o Espírito possui raciocínio e inteligência mas não dispõe do meio natural de comunicar-se.
Visto este ponto, passemos às funções do sistema nervoso físico. Esse sistema é um conjunto de células especializadas e encarregadas do controle das atividades de todo o organismo, tais como:
— Dirige as contrações musculares;
— Controla as secreções de determinadas glândulas;
— Comanda as atividades do estômago, pulmões, coração e intestinos;
— Possibilita a percepção dos sentidos
Os fenômenos relacionados com a memória, os sentimentos e a inteligência são restritos ao Espírito, de vez que desencarnado, ele os conserva de maneira integral. Durante a encarnação o sistema nervoso físico apenas funciona como canal de exteriorização de tais fenômenos, visto que não é a sede ou matriz geradora dos mesmos.
O tecido nervoso possui células estreladas, os neurônios, que se comunicam umas com as outras através de ramificações chamadas dendritos. O espaço entre dois neurônios recebe o nome de sinapse nervosa. Como as setas demonstram na figura abaixo, os estímulos nervosos correm dos dendritos para o corpo celular, invertendo-se no axônio, de onde partem do corpo da célula para as suas extremidades. A passagem dos estímulos nervosos de uma célula para outra, ocorre nas terminações do axônio de uma, com extremidades dendríticas da outra, exatamente na sinapse nervosa.
Percorrendo o sistema nervoso, os estímulos chegam ao cérebro, que os identificam enviando ordens correspondentes às mensagens neles contidas. Dessa maneira é que podemos ver, sentir odores, ouvir sons, falar sobre experiências e praticar a locomoção, relacionando-nos assim com o meio em que vivemos.
Contribui para isso, o sistema nervoso central e o periférico. O sistema nervoso simpático e o parassimpático são responsáveis pela vida vegetativa, a qual é representada pelo conjunto de funções que ocorrem no organismo, sem que tenhamos consciência ou participação delas, através de nossa vontade. É o coração que bate, a troca gasosa nos pulmões, o peristaltismo no estômago e intestinos, a filtragem do sangue nos rins.
Ao entrelaçamento de muitas ramificações de nervos e gânglios chamamos de plexo. Em nosso corpo físico os principais plexos localizam-se nas seguintes regiões:
Alto da cabeça: plexo coronário;
Fronte: plexo frontal;
Garganta: plexo laríngeo;
Região do coração: plexo cardíaco;
Estômago: plexo esplênico;
Região do baço: plexo gástrico;
Base da espinha: plexo sacral.
Correspondente a cada plexo no físico, encontramos centros de força ou chacras, tanto no duplo etérico quanto no perispírito, com a diferença que os centros de força do duplo etérico possuem a mesma duração ou existência do próprio duplo, enquanto os centros de força perispirituais permanecem com ele em evolução através dos milênios. Vejamos algumas funções de tais chacras:
Chacra coronário: corresponde ao plexo coronário, situando-se no alto da cabeça, sendo o mais importante, por ser o intermediário entre o cérebro físico e o cérebro perispiritual, funcionando como sede da consciência do Espírito. Esse centro de força pode gerir os demais, impondo-lhes harmonia fisiológica, bem como influenciando positivamente no desenvolvimento do psiquismo. Auxilia no desabrochar da mediunidade latente, em particular no desdobramento, onde seu bom desempenho faculta excursões pelo mundo espiritual em excelente nível de consciência.
Chacra frontal: corresponde ao plexo frontal e situa-se entre os olhos, relacionando-se com a faculdade da vidência. Exercícios para ativar esse chacra podem levar a um aumento na faixa visual, facultando ao Espírito a percepção de imagens do microcosmo, cenas gravadas no éter, ocorrências captadas psicometricamente, acontecimentos à distância e outros eventos relacionados com esta faculdade. No campo morfológico e fisiológico, o chacra frontal atua sobre o sistema nervoso e endócrino, zelando por suas atividades.
Chacra laríngeo: corresponde ao plexo laríngeo e localiza-se na garganta. Atua junto ao aparelho fonador e respiratório. É este chacra que agindo sobre as glândulas tireóide e paratireóide, modifica o tom vocal por ocasião da puberdade, dando-lhe personalidade e estabilização. Através da mediunidade psicofônica, os Espíritos comunicantes dele se utilizam, podendo o médium até mesmo reproduzir a voz, o sotaque e o idioma de quem fala, caracterizando o fenômeno chamado de xenoglossia. Vale salientar que esse órgão é muito ativo e brilhante nos inspirados cantores, nos poetas, nos oradores religiosos e naqueles que utilizam da palavra para aliviar o sofrimento de seus irmãos.
Chacra cardíaco: corresponde ao plexo cardíaco e localiza-se na região do mediastino, gerenciando o desempenho do sistema circulatório, o qual toma à guarda. Relaciona-se também ao controle e disciplina das emoções e sentimentos, favorecendo o desenvolvimento da intuição, tanto em relação aos sentimentos alheios quanto aos eventos futuros.
Chacra esplênico: corresponde ao plexo mesentérico, localizando-se junto ao baço. Age como captador e distribuidor de energias vitais para todo o corpo, auxiliando no mecanismo de renovação das hemácias e nos fenômenos afeitos à circulação. Este centro de força é muito importante para os passistas, pois ao desenvolvê-lo podem absorver maior cota de energias, melhorando seus desempenhos junto aos enfermos. Ao distribuir ordenadamente as energias vitais entre o corpo, o duplo etérico e o perispírito, este chacra promove uma harmonização energética, na qual, todo o conjunto fica vitalizado, na medida correspondente às necessidades das partes.
Chacra gástrico: localiza-se na altura do umbigo e corresponde ao plexo solar no corpo físico. Sua função é auxiliar na assimilação das substâncias vitais derivadas da alimentação humana. Quando o regime alimentar dispensa o uso de carnes, alcoólicos, gorduras, temperos picantes, esse centro de força tem o seu desenvolvimento facilitado, por trabalhar com energias refinadas, o que se reflete inclusive, no aumento de sensibilidade relativa à identificação das energias hostis ou amenas, que caracterizam o meio.
Chacra básico: corresponde ao plexo sacral e localiza-se na base da espinha. Capta energias solares e terrestres, que são distribuídas e transformadas em outros tipos de energias ligadas ao intelecto. Reativando os demais centros de força, ochacra básico pode favorecer, quando bem orientado, o equilíbrio físico e psíquicodo ser.
Todos os chacras possuem atribuições e cores específicas, variando em matizes, conforme o grau evolutivo do Espírito. O aprofundamento desse tema demandaria largas considerações, que somente uma obra específica poderia conter. Daí a superficialidade com que o abordamos.
SOBRE NÓS :
VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.
MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (22/09 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "O SISTEMA NERVOSO" DO LIVRO: O PERÍSPIRITO E SUAS MODELAÇÕES, SR. LUIZ GONZAGA PINHEIRO – PALESTRANTE: MANOEL MESSIAS
quinta-feira, 19 de maio de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (19/05 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "PENSAMENTO - AGENTE MODELADOR" DO LIVRO O PERIPÍRITO E SUAS MODELAÇÕES DE LUIZ GONZAGA PINHEIRO – PALESTRANTE: ERICSON MENDONÇA
"Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases, ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis.
"A Gênese - Allan Kardec (cap. XIV - item 14)
Comandando o cérebro está a mente, manancial dos nossos pensamentos. Quando a mente lança um pensamento no ar, materializa uma onda de natureza sutilíssima, cujo comprimento e vitalidade dependem da potência mental e da constância no pensar. Essa onda pode ser captada por uma outra estação mental, quando lhe sintonize, mantendo-se ambas em comunhão, absorvendo e fazendoseabsorver, em troca de idéias geradoras de sombras ou luminosidade, conforme seja o teor da mensagem intercambiada.
O pensamento possui a propriedade de modelar formas e imagens, sendo estas, efêmeras ou duradouras, a depender das energias que as alimentem. Vibrando nos acordes do amor, ilumina o perispírito, dando-lhe leveza, fazendo com que tais energias dele se volatizem, sem deixar qualquer nódoa ou mancha prejudicial.
No sentido oposto, detendo-se no ódio, as energias hostis que o alimentam, deixam resíduos indesejáveis, fuligem cáustica no tecido perispiritual, cuja drenagem geralmente se faz através do corpo físico, em formas patogênicas diversas.
O corpo físico funcionando qual aspirador ou mata-borrão para os fluidos densos acumulados no perispírito, atrai para si as mazelas resultantes do descontrole do Espírito. Grande é a responsabilidade com o nosso pensar. O pensamento, sempre antecedendo a ação, nos indica ser o seu controle uma regra áurea para as boas construções. Quando são selecionados e sintonizados com o bem, agem como bisturis removendo os hematomas perispirituais, em cirurgias plásticas
modeladoras.
Jamais afastaremos os hábitos seculares anti-fraternos sem a renovação dos pensamentos. Quando pensamos de maneira altruísta abrigando a paz, a doação, a fraternidade, nosso ser fica impregnado de energias revigorantes, facultando pela persistência destas, a expulsão das idéias e imagens que não sintonizam com o novo estágio de evolução. Ao mesmo tempo, fechamos a porta para idéias
pessimistas, que não conseguem se sobrepor à calma e à confiança embasadas no bom ânimo da fé raciocinada.
O desejo de renovação, no entanto, não pode nem deve ser neurotizante, impondo uma fuga dos cenários do mundo, nem uma autofiscalização castrativa e geradora de desejos de autopunição. É o velho conselho de estar no mundo sem ser do mundo e estar com eles sem ser um deles.
Quanto mais renovado o ser, mais entendimento traz para com as fraquezas alheias, sem contudo pactuar com elas. Selecionar pensamentos, policiar-se, não é tentar soterrar a todo custo a inferioridade que habita em nós e que aflora muitas vezes ao dia. É entender com naturalidade e com maturidade que a possuímos e envidar esforços para diminuí-la a cada dia, visto ser a evolução fruto de milênios. É não render-se ao comodismo; é o querer dinâmico; o conhecer a si para mudar a si;
fazer luz, modelando o perispírito em formas translúcidas e menos vulneráveis às investidas da dor.
Comecemos cultivando o otimismo, a meditação, o estudo sério e compenetrado, o trabalho edificante e a prece, que isso afasta as idéias deprimentes oriundas da acomodação, das lamentações, da ignorância e da maledicência. Caso não seja acolhido tal procedimento e a invigilância venha a hospedar-se em nossa casa mental como soberana, ditando os velhos códigos do orgulho, egoísmo, ciúme e similares, a mente continuará viciada, incapacitada de impor a si a disciplina preventiva dos traumas, fobias e seqüelas dos quais são férteis o pensar invigilante. O portador de tais estigmas modelará seu perispírito com as formas adensadas e obscuras alimentadas pela energia que dele emana, visto ser esse corpo ideoplástico, maleável ao pensamento, no que sofre grandes transformações sob o comando mental que, invigilante, passa a lesar suas células deformando-as.
Fonte: O Perispírito e Suas Modelações - PINHEIRO, Luiz Gonzaga
quinta-feira, 21 de abril de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (21/04 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "A LEI CÁRMICA" CAP. 29 DO LIVRO O PERISPÍRITO E SUAS MODELAÇÕES DO SR. LUIZ GONZAGA PINHEIRO – PALESTRANTE: WENCESLAU ALONSO
Uni-me à dor de todos os meus irmãos, e entretanto sorrio e sinto-me contente porque vejo que a liberdade existe. Sabei, ó vós que sofreis; mostro-vos a verdade; tudo o que somos é o resultado do que fomos no passado. Tudo é fundado sobre os nossos pensamentos. Se as palavras e as ações de um homem obedecem a um pensamento puro, a liberdade o segue como uma sombra. O ódio jamais foi apaziguado pelo ódio, pois não é vencido senão pelo amor. Assim como a chuva passa através de uma casa mal coberta, assim a paixão atravessa um Espírito pouco refletido. Pela reflexão, moderação e domínio de si próprio, o homem transforma-se numa rocha que nenhuma tempestade pode abalar. O homem colhe aquilo que semeou. Eis a doutrina do carma.
Dhammapa – Buda
JUSTIÇA, SAPIÊNCIA E COERÊNCIA DA LEI CÁRMICA
Na manhã do dia 15 de novembro de 1985, ao tomar nas mãos o jornal deminha cidade (Fortaleza) li estarrecido a seguinte mensagem: “O Nevado Del Ruiz, um vulcão que esteve inativo 143 anos na Colômbia, entrou em erupção matando cerca de 25 mil pessoas.”
As lavas derreteram a neve e os rios mataram muitos habitantes afogados enquanto dormiam. Resultou de Armero, um cemitério sob a lama petrificada.
BalançaEm nosso mundo, essas catástrofes, naturais ou não, são tidas como corriqueiras e sem o cunho da excepcionalidade, justamente por não impressionar a mais ninguém, devido à frequência com que ocorrem. Mas num evento como esse, podemos fazer inúmeras reflexões, que certamente deixarão nas mentes mais céticas, senão a certeza, pelo menos a possibilidade da existência de uma lei que regula tais ocorrências.
Perguntemo-nos: por que na cidade de Armero, se existem vulcões em inúmeras outras cidades? Por que morreram 25 mil e outros tantos conseguiram sobreviver? Por que as crianças, tidas como inocentes e os velhos indefesos? Por que as pessoas boas e honestas, que dormiam após exaustivo dia de trabalho honrado em favor da sobrevivência da família, enquanto outros que se divertiam nada sofreram? Por que à noite neutralizando os esforços para a fuga? Poderíamos fazer ainda variadas perguntas que certamente forçariam respostas nos leigos, cientistas e religiosos, embora nem sempre adequadas à realidade espiritual, nem tidas como verdadeiras e sensatas após conferidas até a exaustão frente à lógica da justiça divina.
Adentremo-nos sem preconceitos e sem ideias pré-concebidas no pensamento claro e singelo de Jesus, ao afirmar a existência de uma lei que concedia a cada semeador conforme o seu plantio. Que aquele que ferisse a ferro um seu irmão, igualmente seria ferido como consequência do seu ato anterior. Que seria ceitil por ceitil, evidenciando claramente a correspondência entre a ação e a reação posterior.
Jesus afirmou que a cada um seria dado conforme as suas obras, ou seja, penas ou recompensas, não cabendo aqui nenhuma outra interpretação, que seria malograda e ingênua. Trata-se, portanto, de uma lei física, natural, justiceira e equânime, estabelecendo que nenhuma ação, boa ou má consegue subtrair-se de reação equivalente, atingindo aquele que a gerou. Resulta de tal lei, que não é o acaso que rege os destinos humanos. Que felicidade ou desventura são produtos elaborados por aqueles que as conduzem.
Como explicar a diversidade dos destinos humanos sem essa lei? Como interpretar a lepra, a paralisia, a miséria, a lágrima, a dor, convivendo, às vezes, sob o mesmo teto com a saúde, a agilidade, a aventura, o sorriso, a fartura? Que filosofia poderia engendrar uma explicação sem comprometer seriamente o conceito de justiça divina?
O princípio acima referido chama-se lei de causa e efeito; lei que não pune, reajusta; não é parcial, mas justa; não anula o livre-arbítrio, embora estabeleça certa dose de determinismo em nossas vidas. Tal lei tem por função promover o progresso do Espírito, que caso não fosse impulsionado pela dor que ele mesmo traz a si, quando a impôs a seus irmãos, demorar-se-ia demasiadamente na situação de marginalizado das venturas divinas, que preceituam como ordem, o avanço para a perfeição.
doençasInútil culpar a Deus pela cruz que carregamos. Nós mesmos a construímos com o tamanho que ela tem, a madeira com a qual é feita, bem como os contrapesos de chumbo de que é ornada. Se existe um culpado é o carregador. Por que escolheu uma cruz tão grande e chumbada? A cruz tem a dimensão das dores causadas; o chumbo faz parte da invigilância mental.
Posso afirmar que Jesus também nos aconselhou carregá-la e segui-lo, ainda dentro da linha de pensamento segundo a qual a lei não pode ser derrogada. Mesmo seguindo-O, modificando nosso pensar e proceder, teríamos que levá-la conosco, como apêndice indesejável, mas útil ao Espírito. Ocorre contudo que se dela não podemos abdicar, com Jesus ela se torna mais leve, porque a conformação, a fé, o conhecimento e a coragem, transformam a massaranduba dos erros no isopor do otimismo e da perseverança no bem.
Todos os Espíritos estão submetidos à lei de causa e efeito, cuja regência é exercida conforme o grau de conhecimento e responsabilidade de cada um ao praticar uma ação qualquer. Como a cada ação corresponde uma reação, atuando no bem ou no mal o Espírito não consegue evadir-se da lei, que abrange qualquer fenômeno material ou moral.
Se cada Espírito está a cada dia em modificação do seu carma, temos que o homem constrói a cada hora o seu futuro, assim como a família, o país, o continente e a humanidade. Tudo é transformação. O mundo de há um minuto não é o mesmo de agora.
Os rigores do clima, a maldade humana, as pressões sociais, o terrorismo, a proletarização, o desamor, chaga viva da sociedade onde vigem o egoísmo e o orgulho, são moedas correntes nos dias atuais. Mas, esse sofrimento é proporcional ao débito contabilizado a cada um. Ao lado dos que optam pelo erro, encontram se aqueles que já se modificam, abandonando velhos vícios, sendo que todos suportam os flagelos naturais ou não, na proporção de suas faltas.
ajuda espiritualEm meio ao desespero e à dor, levanta-se a solidariedade e toma a feição de amor; e onde há amor todo sofrimento perde o significado punitivo para adquirir caráter de aprendizado. Outrossim, o progresso material apressando as transformações morais fortalece a criticidade, orientando o livre-arbítrio para os caminhos da justiça. É verdade que a dor trabalha sem descanso em um mundo de provas e expiações, tal qual o amor. Cansados de gemidos e lamentações os homens buscam a poesia e a esperança. Deus observa sua obra que não pode ter um fim tão miserável qual a fome, a degradação e a tragédia. Em sua pedagogia, permite a dor, como curso de preparação para a vivência do amor. É assim que funciona o universo; a rudeza da dor e o afago do amor.
Para melhor entender o funcionamento da lei de causa e efeito, necessário se faz relembrar uma outra lei natural ou mesmo biológica, a reencarnação.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
DOUTRINÁRIA DE HOJE (21/01 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "O CÉREBRO PERISPIRITUAL - CAP. 26" DO LIVRO O PERISPÍRITO E SUAS MODELAÇÕES – SR. LUIZ GONZAGA PINHEIRO - PALESTRANTE: VERA MONTANO
O cérebro humano é um produto da evolução das espécies. Elaborado desdemilhões de anos, vem aperfeiçoando-se conforme as necessidades do Espírito, noque tange a buscar alimentos, selecionar, sentir, procriar, memorizar e desenvolver a inteligência.
Saiu do simples impulso instintivo para a irritabilidade, passou pela sensação,adentrou-se no instinto e atingiu a razão. Nessa sua peregrinação evolutiva, o princípio inteligente vem armazenando informações, de maneira que, ao atingir afase humana, seu cérebro perispirítico já continha vasto registro de impressões esensações relativas à luta pela vida e pela sobrevivência, que poderiam ser racionalizadas e ordenadas formando lições.
Com o homem nasceu a ciência e com o seu pensar surgiu a filosoíia. Aevolução cerebral se fez basicamente do interior para o exterior, de vez que o seunúcleo central, mais conhecido como tronco cerebral é que conduz as funções básicas da vida, desde os batimentos cardíacos até a harmonia respiratória.
Nesse estágio, o que era mais importante e necessário para o princípiointeligente, era manter a vida frente as hostilidades do meio, adaptando-a eaperfeiçoando uma máquina material que lhe possibilitasse manifestação cada vezmais intensa no cenário terrestre.
Esse setor cerebral desenvolveu-se basicamente até a era dos répteis, hácentenas de milhões de anos, quando esses animais dominavam o globo. Segundoalguns autores, é pela cobertura do tronco cerebral que se exteriorizam a agressãoe a defesa, os rituais, o princípio da territorialidade e da hierarquia social, noções básicas dirigidas pelos impulsos instintivos e adaptativos das espécies inferiores.Circulando o tronco cerebral, está o sistema límbico do cérebro dos mamíferos,desenvolvido há dezenas de milhões de anos, nos mamíferos primitivos anterioresaos primatas. Esse setor cerebral é que responde pelos nossos humores e emoções, bem como nossos interesses.
Continuava o princípio inteligente em suas repetições, enfrentando os fatoresambientais, ora terrestres, moldando órgãos materiais para utilizá-los na aprendizagem, ora despindo-se deles e atuando em plano sutil, para regressar aocenário anterior, incorporando lições de sobrevivência.
Envolvendo essas duas partes do cérebro encontra-se o córtex cerebral, quevem se desenvolvendo há milhões de anos, desde os primatas, ancestrais dostrogloditas. O hemisfério direito do córtex responde pelo reconhecimento dos padrões, intuição, sensibilidade e poder analítico. O esquerdo dirige o pensamentoracional, analítico e crítico. Ambos os hemisférios se comunicam por feixes deneurônios em troca informativa, de onde resulta a harmonia do binômio criatividade-análise, gerando atitudes responsáveis e lógicas.
A grande maioria dos conhecimentos do Espírito é trabalhada através do córtex. No tronco cerebral e no seu envoltório manifestam-se as funções mais utilizadas pelos ancestrais, como: agressão, medo, sexo, defesa, proteção à prole, obediênciaao líder.... Pelo córtex o Espírito exterioriza as conquistas superiores tais como alinguagem, a leitura, a abstração, a estética e a inteligência. Como todo oconhecimento é de origem espiritual, o Espírito vai deixando para a retaguarda osensinamentos superados e sem muita significação para o estágio que já atingiu.
Do histórico de lutas e conquistas anteriores, muita coisa se perde na noitedos tempos, restando para o futuro toda a memória biológica, algumas impressõese instintos, que demasiadamente exercitados, gravaram-se fortemente na intimidade perispiritual. Em resumo, consideramos o cérebro como um bloco único, emboraque para efeito didático possamos dividi-lo em três compartimentos. O troncocerebral, utilizado como cérebro primitivo e hoje funcionando como tradutor doarquivo das lições adquiridas na conquista dos impulsos instintivos; o sistemalímbico do cérebro dos mamíferos, elaborado enquanto as sensações e o instinto^se aperfeiçoavam; e o córtex cerebral, onde a razão veio a selar pelo pensamento,a soberania hominal, como ápice do reino dos viventes, desde que alguns animais possuem sentimentos, mas o homem possui o pensamento.
Nos dias atuais o cérebro é visto e analisado em tríplice aspecto. Subconsciente,consciente c superconsciente. No subconsciente está o arquivo dos trabalhosrealizados, onde o hábito, forçando uma rotina milenária, forjou o automatismo. No consciente encontra-se a sede das atuais conquistas, simbolizando o nossoesforço e perseverança nos labores regenerativos. No superconsciente estão asaspirações superiores, os ideais santificantes, que atingidos, mais aperfeiçoarão o sistema cerebral, de vez que a sua potência é proporcional ao progresso efetuadono sentido dos anseios angélicos.
Como na análise anterior, as partes ou sedes sofrem interferências ouintercâmbio entre elas, trazendo o homem em si, o passado, o presente e o futuro.Depende de sua ação abreviar o futuro ou retardar o passado pela ação do presente.
Herdamos assim através da evolução cerebral, toda uma série decondicionamentos, bem como o instinto, que segue ao lado do intelecto agindo demaneira independente, como função marcante, sentinela avançada na conservaçãoda vida.
Lembramos que toda essa evolução cerebral, realizou-se na área perispiritual,refletindo-se nas espécies materializadas, em cópias equivalentes e grosseiras, quedeveriam ajustar-se às ordens e necessidades do Espírito reencarnante.
Por sua vez o cérebro físico segue os passos evolutivos do cérebro perispiritual,traduzindo imperfeitamente as conquistas deste.
Pouco conhecido, de potencial acanhadamente utilizado, o cérebro,instrumento maior a permitir a manifestação do Espírito no universo, continuarádesafiando o homem comum por muitos séculos, mostrando-se pouco a pouco, àmedida que o intelecto e a moral amadureçam.
E quando isso acontecer, talvez a melhor definição para ele seja luz.
Fonte: Pinheiro, Luiz Gonzaga - Perispírito e Suas Modelações - Cap. 26
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