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VISÃO: Ser uma Instituição voltada para a excelência nos estudos da Doutrina Espírita, visando com isso atender, de uma forma humanitária, a todos que necessitem.

MISSÃO: Exercer o que preconiza a Doutrina Espírita, visando auxiliar na mudança individual do ser, como também, do coletivo.

Redirecionamento

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

DOUTRINÁRIA DE HOJE (19/01 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "DA VOLTA DO ESPÍRITO, EXTINTA A VIDA CORPÓREA, À VIDA ESPIRITUAL" DO LIVRO DOS ESPÍRITOS, PARTE SEGUNDA, CAP. III – PALESTRANTE: ELMO COSTA

163. A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?

“Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de perturbação.”

164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?

“Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado se reconhece quase imediatamente, pois que já se libertou da matéria durante a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.”

165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?

“Influência muito grande, porque o Espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.”

Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para se reconhecer. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.

Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram.

Essa perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte. Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo. Esse fenômeno é análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes, que não crêem dormir. É que têm sono por sinônimo de suspensão das faculdades. Ora, como pensam livremente e vêem, julgam naturalmente que não dormem. Certos Espíritos revelam essa particularidade ainda que a morte não lhes tenha sobrevindo inopinadamente. Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes, não pensavam em morrer. Observa-se então o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu próprio enterramento como se fora o de um estranho, falando desse ato como de coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade.

A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem; é calma, semelhante em tudo à que acompanha um tranqüilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias, que aumentam à proporção que ele se compenetra da sua situação.

Nos casos de morte coletiva, tem sido observado que os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se revêem imediatamente. No estado de perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam.

Na morte natural, a perturbação começa antes da cessação da vida orgânica, perdendo o Espírito toda consciência de si no momento da morte. Segue-se daí que ele jamais testemunha o último suspiro. As convulsões da agonia são efeitos nervosos que quase nunca o afetam. Dizemos quase, porque em certos casos tais sofrimentos lhe podem ser impostos como expiação.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

DOUTRINÁRIA DE HOJE (13/10 - QUINTA-FEIRA - 20:00): "PESCADOR DE HOMENS" DO LIVRO LUZ DO MUNDO - PELO ESPÍRITO DA SRA. AMÉLIA RODRIGUES – PALESTRANTE: ELMO COSTA

Aquêle fim de maio estava ardente, fenômeno comum naquela quadra do ano. Logo o Astro-Rei fazia incidir diretamente o seu facho de luz, e calor asfixiante atormentava, desafiador. 

Ao longe, as encostas do Galaad, com revérberos de cobre luzido vencendo as brumas secas, são muralhas naturais e altaneiras na paisagem fronteiriça ao Lago. 

Àquela hora, porém, soprava uma brisa amena, diluindo as névoas da madrugada, enquanto albatrozes e pelicanos se demoram sobre as pedras negras que se adentram pelas águas piscosas com reflexos de prata. 

O recorte curvo da praia estava apinhado pela mole ansiosa, que a acorrera desde cedo, para ouvi-Lo e rogar-Lhe a bênção do socorro para as múltiplas aflições de que se via possuída. 

Nos dias anteriores aquela voz ecoara pelas regiões ribeirinhas como um canto de esperança, em cuja melodia as concessões do amor divino eram moduladas em convites amenos que chegaram aos ouvidos dos homens sofredores. 

Todos, portanto, necessitados e curiosos, desejavam vê-Lo de perto e receberam o benefício que Suas mãos esparziam em abundância. 

A Natureza estava calma e as ansiedades vibravam nos corações. 

* * * 

A noite fora longa e infrutífera. 

Eles estiveram por todas as horas a atirar as redes e recolhê-las vazias. As águas generosas também tinham seus caprichos. Aquela era uma noite de cansaço e desaire. 

Sem luar os barcos encalhavam nos bancos de areia e todo o esforço daqueles homens ofegantes redundara improfícuo. 

Retornavam aos penates do dia, corpos moídos, olhos ardendo, modorrentos e mal humorados... 

O magote humano na praia parecia um borrão colorido e móvel, contrastando com as areias alvas. 

Duas barcas foram deixadas vazias e as redes começaram a ser distendidas nas varas de sustentação da praia. 

"Apertado pela multidão que ouvia a palavra de Deus..." (*) 

.. . Entrando numa delas em que se encontrava Simão, o seu proprietário, falou, um pouco mais ao povo expectante. 

Seu verbo de luz clarificava as consciências inquietas e asserenava os espíritos em turbulência. 

Sua silhueta de braços abertos bordada de ouro no contraste com o dia fulgurante, parecia a de uma ave sublime que estivesse prestes a alçar vôo buscando rumos ignotos. 

Havia n'Êle um poderoso magnetismo que Lhe acompanhava as palavras conhecidas e comuns, encadeadas como outrem jamais antes as enunciara, e que tocava com estranho e vigoroso poder balsamizante. Algumas penetravam como punhais; outras rociavam como perfume precioso de lavanda no ar... 

Depois de haver consolado o povo que O buscara, voltou-se para Simão e disse: 

— "Faze-te ao largo e lança as redes para a pesca." 

— Mas retornamos de lá, agora, Senhor, sem nada conseguir. 

— Não recalcitres, Simão. 

A barca desliza cantando sobre a crista das ondas levemente encrespadas, e, ao ritmo do vento que perpassa e inflama as velas coloridas, se distância, avançando com celeridade. 

— Recolhe os panos — ordena, gentil, — e atira as redes. 

— Aí estivemos, Amigo — elucida o pescador — e tentamos até o cansaço; nossos esforços redundaram inúteis. "Porém, sobre a tua palavra, lançarei as redes." 

As redes imensas em forma de tarrafas circulares, com chumbos amarrados às pontas, se abrem no ar em leque formoso e batem sobre as águas, mergulhando as malhas resistentes, desenroladas dos braços vigorosos que as sustinham. 

Logo puxadas se apresentam abarrotadas, quase arrebentando a tecedura forte. 

O espanto, a algaravia e a explosão de júbilos dos homens espoucam em alacridade infantil. 

A carga abundante é levantada para bordo e a barca próxima é chamada, aos gritos, em socorro... 

* * * 

Na popa, recortando o disco solar esfuziante, o Mestre contempla aqueles homens de alma infantil, crestados pelas lutas diárias, inundados de alegria, emocionados até o pranto. 

"Sim, ama-os — medita o Desconhecido Mestre. — Viera ter com eles para que pudessem ascender ao Pai. Ser-lhe-ia necessário sofrê-los, dar-se em totalidade de oferenda, caminhar ao lado deles, assisti-los e perdoá-los sempre. Sim, amava-os!" 

Longe, neles, estavam as ansiedades espirituais. Desprovidos, por enquanto, de entendimentos, se atiravam ávidos ao dia-a-dia, na pesca, na conquista do pão.. . Seria necessário dilatar-lhes a percepção, ampliar-lhes os horizontes... 

Simão ergueu os olhos úmidos e fitou-O. 

Ouvira-O antes e O acompanhara desde Bèthabara, de volta de Jerusalém, mas não entendera tudo quanto Êle falara. 

Explodindo de emoção inesperada, baldoou o homem do mar: 

— "Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador", e prorrompeu em pranto espontâneo. —  A confissão ingênua, a alma desnudada, o coração ardente falavam daquele timoneiro que amava o mar e nele encontrava a segurança e a vida. 

O plâncton que chegava trazido pelas correntes subterrâneas do Jordão, ali favorecia a piscosidade das águas e êle conhecia aquelas correntezas e os mistérios do Lago que era seu berço e o amigo com quem confidenciava nas noites longas e doridas de soledade... 

"Aquêle homem, no entanto, donde o conhecia? — refletiu num átimo, vencido pela força daquela voz que ordenava sem impor e ninguém desconsiderava, e daquela face... — Êle lhe parecia tão fraco e era tão forte! Não sendo um pescador, como soubera e pudera tanto?!" — "Simão, não temas: de ora em diante seráspescador de homens." 

A mensagem ecoou na sua alma, em linguagem singular; pescador, sim, o era. "Pescador de homens!", que seria ?• Tranquilizou-se, porém. 

Toda uma festa de sons dominou-o e êle fremiu ao peso de desconhecidas vibrações. Desejou recusar, dizer da pequenez e miserabilidade, não pôde fazê-lo. Imobilizado naquele momento que parecia uma eternidade — ausência do tempo e anulamento do espaço — sentiu-se impossibilitado de cingi-Lo ou postar-se-Lhe aos pés. 

A garganta seca, estreitada, estrangulou-lhe a voz. 

Chorou, e, no íntimo, reflexionou: sabes o que fazes, Senhor! 

* * * 
As notícias alcançam as praias. 

Há uma revoada de inusitada alegria em todos corações. 

Novos grupos afluem. As carpas estremecem, ainda, em reflexos automáticos e o contentamento se generaliza. 

Pedro, João, Tiago e André que participaram mais de perto do acontecimento experimentam, todavia, desconhecido pressentimento, que os seguirá desde então... Não poderiam definir o que lhes passava, Relancearam o olhar em volta, e encontraram o Rabi, afastado, que fitava aquele amado Lago de Genesaré, enquanto o ar pesado do dia vitorioso abafava. 

Pescador de homens! 

* * * 

Desde então, abandonaram tudo, mesmo o mar amigo, e avançaram na direção do porvir sob o Seu comando, e depois foram conduzidos por Simão a "pescar homens". 



(*)    Lucas 5: 1 a 11         Nota da Autora espiritual.